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Mariana Caló e Francisco Queimadela vencem Prémio Paulo Cunha e Silva

A obra "Animal Vegetal Mineral" é a grande vencedora da primeira edição do galardão criado pela Câmara Municipal do Porto em homenagem ao antigo vereador da Cultura

Dinis Santos

Os dois artistas trabalham em conjunto desde 2010 e foram os escolhidos pelo júri para o Prémio de Arte Paulo Cunha e Silva. Esta foi a primeira edição do galardão com o nome do antigo vereador da Cultura da Câmara Municipal do Porto, falecido em 2015

A obra “Animal Vegetal Mineral”, concebida pela dupla constituída por Mariana Caló e Francisco Queimadela, é a selecionada - numa decisão unânime por parte do júri, depois de avaliadas as seis propostas finalistas - para vencer a edição inaugural do Prémio de Arte Paulo Cunha e Silva. Os artistas agraciados serão contemplados, além da distinção, com o valor pecuniário de 25 mil euros. A exposição homónima ao galardão, criado em homenagem ao ex-vereador da Cultura da Câmara do Porto (CMP) e destinado a artistas emergentes com menos de 40 anos, estará patente na Galeria Municipal até 19 de agosto.

O grupo de jurados constituído pelos curadores João Laia e Vicente Todolí, aos quais se juntam os artistas Meg Stuart e Julião Sarmento, fundamenta a escolha, revelada esta segunda-feira, com o facto de a instalação artística imersiva criar um “ambiente hipnotizante, que subtilmente aborda e questiona a nossa condição atual”, lê-se no comunicado da CMP.

“É uma obra mágica, misteriosa e poética, cuja paradoxal fragilidade monumental projeta um espaço de liberdade humanista”, adjetiva o júri na nota informativa, acrescentando que o trabalho da dupla portuense “combina na perfeição uma série de referências, que dão eco a diferentes cenários espaciais e temporais, como as cigarras japonesas, o processo de digitalização de uma publicação sobre escultura, as imagens captadas em lugares rurais do norte de Portugal e construções piramidais”.

Dinis Santos

Mariana Caló e Francisco Queimadela têm vindo a desenvolver uma estética marcada pela exploração de várias linguagens, como o desenho, a fotografia, a escultura, fazendo o cruzamento com ambientes instalativos e “site-specific”.

Os dois artistas que se superiorizaram à concorrência - Christine Sun Kim, Jonathas de Andrade, June Crespo, Naufus Ramírez Figueroa e Olga Balema - mostram-se, defende o júri, “capazes de contrariar a tendência de uma vida contemporânea dominada por regimes de interpretação abstratos e altamente controlados”.

A segunda edição do Prémio Paulo Cunha e Silva, criado pela Câmara Municipal do Porto, inicia-se em 2019, apresentando no próximo ano um novo elenco de jurados, tendo como integrantes John Akomfrah, Isabel Lewis, Margarida Mendes e Shumon Basar.