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Obras no Matadouro do Porto previstas para abril de 2019. Com assinatura de Kengo Kuma

D.R.

Requalificação do Matadouro de Campanhã deverá estar concluída em 2021 e custará €40 milhões. O projeto do arquiteto japonês Kengo Kuma, em parceria com o gabinete portuense OODA, irá alojar um museu, empresas, exposições e feiras numa lógica de inclusão da deprimida zona oriental do Porto

Isabel Paulo

Isabel Paulo

Jornalista

A esperada requalificação do antigo Matadouro de Campanhã, no Porto, vai ter início em abril de 2019, obra que deverá estar concluída no prazo de dois anos e contará com “investimento total de €40 milhões, dos quais 36 milhões serão para obra”.

”Esperamos ter o contrato em junho. Iremos enviar para o Tribunal de Contas, num processo que esperamos que possa decorrer em dois meses. Depois, temos um prazo mínimo de projeto de sete meses, ou seja, até março”, detalhou o presidente da Câmara do Porto, em reunião de executivo, esta terça-feira.

A reconversão do Matadouro foi adjudicada à Mota Engil, sendo o projeto de arquitetura da responsabilidade do japonês Kengo Kuma, autor do estádio-palco dos Jogos Olímpicos de 2020, em Tóquio, em parceria com o gabinete de arquitetura português OODA. Na apresentação feita à veração, Diogo Brito, um dos arquitectos da OODA, a estrutura interior e exterior de 30 mil metros quadrados será maioritariamente coberta, de forma a permitir o atravessamento “numa lógica de extensão da cidade” entre a Via de Cintura Interna (VCI) até à estação do Metro Estádio do Dragão.

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“A grande cobertura vai ligar o antigo edifício a um novo imóvel, bem como uma passagem pedonal por cima da VCI, unindo todo o complexo, sem descaracterizar o existente numa lógica de adição e não de subtração, evocativa da memória e de inclusão com o casario envolvente”, sublinhou Diogo Brito, lembrando que o Matadouro e a zona envolvente do Vale de Campanhã e Corujeira tornaram-se “uma ferida aberta” na cidade com a separação urbana por força da construção da VCI.

Para criar uma nova sincronia com a malha urbana, o projeto prevê a criação de uma zona verde adjacente, “uma espécie de cortina que sirva de filtro visual e sonoro ao ruído rodoviário e ferroviário”, referiu o arquiteto, que finalizou a divulgação do empreendimento citando o pai da escola de arquitetura do Porto, Fernando Távora: “Quanto mais local, mais internacional”.

O velho Matadouro irá alojar um Museu da Indústria, empresas, reservas de arte, auditórios, espaços expositivos, equipamentos sociais e pequenas feiras”.

“Este foi um processo iniciado com o vereador [da Cultura] Paulo Cunha e Silva [entretanto falecido], com a colaboração de muita gente. Devo salientar também a importância da Junta de Freguesia de Campanhã. A feitura de programa pretendia juntar vários vetores, ligando a cultura, a sustentabilidade social e a economia”, sublinhou Rui Moreira.

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Para o presidente da Câmara do Porto, o maior desafio era ”pegar num equipamento afundado pela cidade e pela construção da VCI e colocá-lo à superfície”.

O vereador do PS Manuel Pizarro elogiou o cumprimento de “um programa essencial para a cidade do Porto no seu conjunto mas também de um projeto âncora de promoção de desenvolvimento da zona oriental”, uma das mais deprimidas do Porto.

“É uma gigantesca oportunidade de inclusão da área de São Roque e Corujeira. O projeto do Matadouro Finalmente vai ver a luz do dia”, referiu o vereador do PS.

Manuel Pizarro, bem como Ilda Figueiredo, defenderam que a intervenção é também um desafio para a Câmara olhar para toda aquela zona e criar um programa global de reformulação e inclusão. “Não basta ter um bonito projeto arquitetónico”, diz a vereadora da CDU.

O concurso de concessão, lançado pela Câmara do Porto em agosto do ano passado, contou com três concorrentes e indicava “a reconversão integral do complexo, mantendo a sua memória histórica e natureza arquitetónica, em espaços empresariais diversificados e polivalentes”.

O projeto escolhido conta com investimento “inteiramente privado”, sendo o espaço concessionado durante 30 anos, prazo em que o equipamento reverterá para o município.