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“Queremos crescer com gente que se interesse por arte”

A Cordoaria Nacional recebe a partir de quarta-feira mais uma edição da ARCO Lisboa, patente ao público até domingo

Foto Rodrigo Gatinho

Em vésperas de inauguração da 3ª edição da ARCO Lisboa, falámos com o seu diretor, Carlos Urroz, que acredita que o impacto económico da feira é positivo e que este ano a conjuntura financeira está em alta. A feira de arte popde ser vistada até domingo, na Cordoaria Nacional, em Lisboa

Qual é o impacto económico da feira no mercado de arte português?
É um impacto muito positivo no mercado de arte português. Das 72 galerias que participam na ARCO Lisboa, um terço são portuguesas. Além disso, a feira agita todo o mercado das galerias de Lisboa, nem que seja só pelo público internacional que visita a feira. Este ano temos mais de oito grupos oriundos de museus que estão aqui por causa da feira e aos quais se juntam os nossos 150 convidados, que são colecionadores, diretores de museus, comissários de bienais, críticos de arte, jornalistas. Tudo isto causa um impacto muito positivo, uma vez que para estes estrangeiros um dos principais focos de atenção é a arte portuguesa e também a arte dos países lusófonos, de Angola, Cabo Verde, Brasil...

A pergunta é também em termos financeiros, que impacto tem a ARCO Lisboa?
Não temos um número. Ainda não fizemos qualquer estudo nesse sentido. Temos sim um relatório do nível de satisfação das galerias que participam. Todas as galerias repetem a sua participação, digamos mesmo 95% das galerias portuguesas, o que significa que para elas é importante o negócio que fazem na ARCO Lisboa e também os contactos que levam daqui.

Não há um valor conhecido sobre as transações feitas o ano passado?
Não. Há um número de obras que saíram pela porta, mas as obras mais importantes não se vendem no momento, são transações que levam o seu tempo a ser feitas. Podemos dizer que o ano passado houve muito interesse e compras reais de museus suíços e belgas.

Quem é o público que compra?
Há de tudo. As grandes coleções de nível internacional que vêm como convidadas dentro do nosso programa, são cerca de 80 pessoas, há também gente que compra pela primeira vez e que confia na seleção da ARCO Lisboa, como se de um filtro de tudo o que há no mercado se tratasse. Mas também há muita gente vinculada a empresas e a grupos de amigos de museus que aproveitam a visita para comprar mais uma peça.

Porque é que a ARCO Lisboa é importante?
Porque é um complemento perfeito. Permite-nos fazer uma feira mais pequena, uma feira boutique, que não poderíamos fazer em Madrid, onde a feira existe há 37 anos. Permite-nos também que as galerias façam apresentações diferentes e possam participar nas duas ARCO. Além disso, é um caminho para lançar a marca ARCO em Portugal e ter uma excelente relação com todos os agentes culturais de Lisboa e de todo o país.

Podemos dizer que há um mercado ibérico?
Sim. Há muitos artistas portugueses que trabalham e vivem em Espanha e o inverso também. Há um mercado ibérico no sentido de que o que existe é realmente ibérico, apesar de talvez não estar estruturado como tal.

Que novidades há este ano?
Os conteúdos são novos, e há galerias internacionais a participar pela primeira vez. Há uma secção nova de projetos que fazemos no Torreão Nascente da Cordoaria, são dez os participantes e será uma mini-exposição sobre a arte atual, que agradará com certeza ao público.

O que se pode esperar desta feira em termos de público?
Queremos crescer com gente que se interesse por arte, queremos que a ARCO se torne uma data anual e que o público volte todos os anos, mas também queremos chegar a mais gente. Por isso temos um programa de dinamização de novos públicos com atividades diversas nos museus, em universidades, com o agendamento de concertos. Começámos uma outra iniciativa chamada “Amigos dos meus Amigos” que pretende estreitar relações entre os amigos dos museus portugueses e internacionais. Vamos juntar por exemplo o Museu de Serralves com o Museu Reina Sofia, os amigos do Museu Nacional de Arte Antiga com os amigos do Prado...

Acredita que a conjuntura económica está melhor este ano?
Acredito que tem vindo a melhorar a cada ano. Os resultados em Espanha foram muito positivos este ano e acreditamos que na ARCO Lisboa também o sejam.