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Prémio Arte em Papel. Júri avalia finalistas

(Da esq. para a dir. no sentido dos ponteiros do relógio) Filipa Oliveira, ex-diretora artística do Fórum Eugénio de Almeida e curadora do projeto; Elfi Turpin, diretora artística do Centre Rhénan d’Art Contemporain em Altkirch; Maria da Graça Carmona e Costa, presidente do júri e responsável pela Fundação Carmona e Costa; Jonathan Watkins, diretor da Ikon Gallery em Birmingham e Anselm Franke, responsável pelo departamento de artes visuais e cinema da Haus der Kulturen der Welt na reunião de avaliação dos finalistas do Prémio Navigator Arte em Papel

TIAGO MIRANDA

"O Papel é um meio muito simples mas permite tanta coisa!". A frase é de Elfi Turpin, diretora artística do Centre Rhénan d’Art Contemporain em Altkirch e um dos membros do júri do Prémio Navigator Arte em Papel (no valor de €50 mil) - ao qual o Expresso se associa - e que hoje se reuniu para avaliar os finalistas

O papel, um dos elementos definidores da história humana, percorreu o mundo a partir da China até se tornar algo transversal a todos os usos e classes. Sempre como apoio no meio artístico mas também como objeto principal que agora é reconhecido. O Prémio Navigator Arte em Papel, da Navigator Company e desenvolvido em parceria com o Expresso, é o primeiro que surge em Portugal aberto a artistas de todo o mundo, tendo como objetivo principal a valorização do papel como suporte para a criação.

"É um incentivo para os artistas trabalharem mais em papel. Já fazia falta", atira Filipa Oliveira, ex-diretora artística do Fórum Eugénio de Almeida, curadora do projeto e um dos cinco membros do júri que hoje estiveram reunidos em Lisboa para avaliar os finalistas. Agora será hora de definir o vencedor, que levará um prémio no valor de €30 mil, com cada um dos restantes a receber €5 mil.

Para Maria da Graça Carmona e Costa, presidente do júri e responsável pela Fundação Carmona e Costa, "o suporte é uma coisa muito importante" porque é o instrumento que permite aos artistas dar o primeiro passo na expressão da sua criatividade. E, neste caso, o papel é um meio fulcral porque "é o mais fácil para mostrar uma ideia" no seu estado inicial. Ou "a base de quase todos os artistas", como afirmou Anselm Franke. O artista que dirige o departamento de artes visuais e cinema da Haus der Kulturen der Welt, em Berlim, fala "numa prática diária para muitos" que acaba por redundar numa "linguagem quase universal."

Trata-se de "um meio muito simples mas que permite tanta coisa!", na opinião da diretora artística do Centre Rhénan d’Art Contemporain em Altkirch, Elfi Turpin. Por isso é "importante destacar o trabalho dos artistas mais ligados ao papel", uma das razões que uniu o júri na avaliação.

A outra - com a exceção de Maria da Graça Carmona e Costa, que defende sobretudo "prémios para jovens artistas", distinções "para trazer para a frente" - foi a decisão de selecionar artistas que estejam a meio da carreira. "Foi algo que me atraiu muito", garante Jonathan Watkins, diretor da Ikon Gallery em Birmingham. "Há muitos poucos prémios assim, naquela que é uma fase muito importante da carreira dos artistas e em que eles precisam de apoio. Não podemos só reconhecer sangue virgem!"

Trazer um mundo diferente

Duas dimensões que estiveram bem presentes na seleção inicial assim como no debate de algumas horas que ocupou os membros do júri. "Sem puxar cabelos", assegura Filipa Oliveira. E também com a preocupação de garantir paridade entre artistas homens e mulheres. Para Jonathan Watkins a avaliação foi algo muito democrático: "Porque nem todos concordamos mas conseguimos chegar encontrar bases comuns." Maria da Graça Carmona e Costa não tem dúvidas: "Foi um debate muito saudável, correu muito bem!"

Os jurados acreditam que o prémio pode ser importante para trazer mais visibilidade para um meio que "foi durante muito tempo visto como algo de menor importância", segundo Filipa Oliveira. Até para promover um "meio que vai continuar a existir e a ser fabricado", acredita Elfi Turpin. "As pessoas gostam de coisas físicas. É parte de um processo que não vai desaparecer", na opinião de Jonathan Watkins. Nem com a emergência do digital.

O prémio "pode ser importante para mudar a forma como o artista é percepcionado", lembra Anselm Franke. E, segundo António Redondo, da comissão executiva da Navigator, a empresa quer "manter o prémio para os próximos anos." Para cumprir o objetivo de reforçar a importância "central do papel na criatividade" e "honrar a globalidade."

Após o anúncio dos vencedores, em julho, será feita uma exposição com os selecionados em Lisboa. Como diz António Redondo, para que os artistas "possam trazer um mundo diferente." Uma verdadeira Casa de Papel.