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Escândalo Weinstein e interferências russas nos EUA ganham prémios Pulitzer

Getty Images

Os galardões mais importantes do jornalismo americano distinguiram as questões políticas e sociais mais marcantes do ano passado

Luís M. Faria

Jornalista

O escândalo Weinstein acaba de valer prémios Pulitzer a duas das mais importantes instituições jornalísticas americanas. O diário “The New York Times”, onde em outubro do ano passado saíram as primeiras histórias sobre o assunto, e a revista “The New Yorker”, que o seguiu a poucos dias de distância, foram os distinguidos. “Jornalismo explosivo e de impacto que expôs predadores poderosos e ricos”: foi assim que o júri do Pulitzer descreveu os trabalhos em causa.

A história original do Times, assinada por Jodi Kantor e Megan Twohey, contava uma longa história de assédio, com ameaças, intimidações e pagamentos à mistura. Os factos vinham de há décadas, e só o poder de Weinstein, bem como a sua extraordinária reputação como produtor e a sua capacidade para seduzir os media, tinham conseguido abafá-la durante tanto tempo, apesar de as vítimas incluírem algumas das atrizes mais conhecidas de Hollywood, incluindo Jennifer Aniston e Angelina Jolie.

Pouco depois, um texto de Ronan Farrow acrescentava mais testemunhos, e em novembro ele publicou outra peça em que descrevia o elaborado sistema utilizado por Weinstein para cobrir os seus abusos. Um sistema que incluía o uso de detetives e espiões, entre outras coisas. Curiosamente, Farrow tinha começado por ver os seus trabalhos sobre o assunto rejeitados pela NBC News, onde trabalhava meses antes.

O New York Times duplamente premiado

Um dos fatores que gerou o fim do silêncio em relação a essas questões no país foi a indignação em relação a um Presidente dos EUA que se tinha gabado abertamente de praticar agressões sexuais à vontade por ser uma celebridade. Não por acaso, logo a seguir à posse de Trump, teve lugar a maior manifestação de sempre nos EUA, intitulada Marcha das Mulheres.

No caso de Farrow, em particular, parte da motivação era a sua relação de irmão com Dylan Farrow, uma das filhas de Woody Allen, que há décadas acusa o realizador de ter abusado sexualmente dela quando tinha 7 anos (as alegações foram extensamente investigadas pelas autoridades, que as consideraram sem fundamento).

Além do escândalo Weinstein, o Times também recebeu um Pulitzer, juntamente com o Washington Post, outro diário, pela cobertura da interferência russa nas eleições presidenciais de 2016. A história do Roy Moore, o ex-juiz que perdeu a corrida ao Senado do Alabama depois de surgirem histórias sobre a sua fixação em meninas adolescentes, foi outro que levou a premiar trabalhos do último ano.