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É oficial: “A Casa de Papel” não acabou

Imagem oficial da terceira parte de “La Casa de Papel” apresenta os atores Miguel Herrán, Álvaro Morte, Alba Flores, Úrsula Corberó, Jaime Lorente e uma personagem mascarada não identificada

Foto Netflix

Um dos maiores fenómenos do momento vai ter continuação - e já tem data de estreia marcada

Para os fãs da série, a notícia não podia ter sido melhor. A Netflix confirmou que a série espanhola “A Casa de Papel” vai ter uma terceira temporada, com estreia marcada para 2019.

Produzida pela Antena 3, mas tornada globalmente famosa depois de ser lançada no Netflix em 2017, a história do assalto à Casa da Moeda de Espanha, liderado por um misterioso Professor, colou ao ‘streaming’ muitos espectadores e obedece à lógica tornada popular desde que os canais de televisão tradicionais perderam o exclusivo como fornecedores de ficção. Mas Pedro Lopes, diretor de conteúdos da produtora SP Televisão, lembra que coexistem mercados diferentes: “os tradicionais, assentes numa lógica local”, e os outros, os tais que vieram “mudar o panorama”.

A forma de uns e outros funcionarem continua a ser diferente, “até pelos enquadramentos legais” inerentes, acrescenta Pedro Lopes, recordando que os chamados OTT (operadores ‘over the top’) são uma realidade recente em Portugal, se calhar ainda com uma expressão localizada no país. “Ao contrário do que tendemos a julgar, às vezes atendendo aos nossos hábitos e aos dos amigos mais próximos”, nem toda a gente vê as suas séries no computador, refere.

“Calma e paciência” para depois decidir

O que sim é verdade, considera o diretor de conteúdos da SP Televisão, é que as séries do universo streaming - são também exemplos “The Good Wife”, “Black Mirror” ou “Stranger Things” - “exigem mais do espectador”.

“Há uns anos uma série tinha muito mais que provar no primeiro episódio. Havia que criar de imediato uma relação, para que o espectador aguentasse uma semana e se tornasse fiel. Este novo tipo de lógica assenta numa narrativa com um ritmo mais lento, dá mais espaço ao argumentista para trabalhar, como se ele pedisse mais calma e paciência a quem vê as suas histórias e que pode só decidir se delas gosta ou não ao fim de quatro ou cinco episódios”, diz Pedro Lopes.

Veja-se o próprio desenrolar de “A Casa de Papel”, sublinha: “No primeiro episódio fica a saber-se muito pouco do assalto e do seu objetivo”.

Acontece também que em muitos casos as séries já nascem pensadas para cumprir várias temporadas, reflete, enquanto antes era o sucesso e a aceitação de cada formato que podia determinar a sua continuação. “Em Portugal há exemplos de séries com mais de uma temporada, mas foi assim que aconteceu, por exemplo, com duas das que produzimos na SP, os casos do ‘Pai à Força’ e ‘Liberdade 21’.”

Há outra “mudança clara de paradigma” e essa impõe-se quando falamos da “geração mais nova”, que cresce a escolher o que ver, quando e como. É o fim das agendas ditadas pelos horários dos programas de televisão favoritos: “Os relógios e a organização do tempo doméstico passaram a ser diferentes”.