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Sabe quanto tempo passa cada pessoa por dia a ver televisão?

d.r.

Apesar das novas ofertas audiovisuais via internet, a magia da televisão mantém-se intacta, revela a mais recente radiografia global apresentada pela empresa de estudos de mercado Eurodata, baseada num estudo feito em 110 países

Luís Proença

Os ponteiros do barómetro tendem à agitação, nervosos. A não assentarem cada vez que se procura escrutinar em que medida o cruzamento das novas ofertas audiovisuais via net com os novos dispositivos digitais, sobretudo móveis, estão a alterar o estado das coisas quanto aos hábitos de consumo. Certo e sabido, numa visão macro e de longo prazo, o tempo dedicado a ver televisão manteve-se sem alterações.

Na abertura do MIPTV, em Cannes, a empresa de estudos de mercado Eurodata apresentou as conclusões do mais recente relatório One Television Year in the World. Frédéric Vaulpré, o vice-presidente da Eurodata, esclareceu: “Nos últimos 25 anos, o tempo dedicado a ver televisão manteve-se estável, apesar da crescente disponibilização de conteúdos vídeo online.” Trocado por miúdos, e com números atualizados ao final de 2017 numa pesquisa efetuada em 110 países, o consumo médio diário de televisão por indivíduo fixa-se em duas horas e 56 minutos.

Ao abrir o livro, assinalam-se as diferenças por continentes e grandes regiões: o tempo de consumo televisivo é mais baixo na Ásia, com duas horas e 25 minutos, e mais alto na América do Norte, com quatro horas e três minutos, quase o dobro. A Europa segue de perto os hábitos norte-americanos, com três horas e 49 minutos. Vaulpré explicou que há uma ligeira quebra do tempo de consumo na Ásia e na América do Norte, mas um crescimento continuado na América Latina e uma já histórica manutenção de níveis elevados na Europa.

Quando passamos à análise das formas de consumo, Vaulpré relembra que nos anos mais recentes, os espectadores passaram a poder assistir aos conteúdos televisivos não apenas através das emissões lineares, pelo que “o visionamento ‘time-shifted’ (programas gravados) e através da internet vieram beneficiar o tempo de consumo total: “Combinando os 35 países em que estas audiências são medidas, o visionamento efetuado em ‘catch-up’ e ‘time-shifted’ contribui com uma média de 8% para as audiências totais de conteúdos televisivos.” Os jovens adultos são os maiores adeptos destas novas formas de ver televisão, pesando 11% no total.

d.r.

No mapa do import-export de conteúdos, o relatório da Eurodata aponta as correntes mais fortes: o Reino Unido exporta metade das suas criações para o Norte da Europa; a França vende a maioria aos países vizinhos, incluindo Portugal; a Turquia exporta as suas produções (especialmente ficção) em proporções iguais para a Europa de Leste, Médio Oriente e América Latina.

A NoTa, o serviço que monitoriza novos programas na televisão e nas plataformas online em 48 países, contabilizou a importação de 4.100 programas durante o ano passado. Os Estados Unidos e o Reino Unido surgem no primeiro lugar das exportações, com mais de 500 programas cada. França, Alemanha e Turquia completam o top cinco. A ficção é o género que domina as preferências à volta do mundo, com especial foco sobre as séries policiais e de crime “carregadas de mistérios ou passadas noutras eras históricas”.

Avril Blondelot, diretora de análise de conteúdos da Eurodata TV Worldwide, informou que “as produções locais são hoje em dia mais populares do que alguma vez foram” e recomenda, portanto, a criação de conteúdos que seja capaz de impactar sobre audiências particulares, mais do que procurar desesperadamente por alcançar audiências em massa.