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Magia no meio da serra

Ruínas de um mosteiro beneditino nos contrafortes do Monte do Facho a dois passos de Valença

Descobri Sanfins de Friestas um dia ao fim da tarde, depois de uma deambulação de jipe pelas serras a sueste de Valença do Minho. Vim a perceber depois que nem era preciso uma viatura 4x4 para lá chegar, pois havia caminho asfaltado, fosse a partir da estrada Valença-Monção, fosse da ladeira que leva ao Monte do Faro. Mas como no poema “Ítaca”, de Constantino Kavafis (1863-1933), o importante não é tanto a viagem em si mas o que esta nos ensina sobre nós próprios e sobre o mundo.

Estacionada a viatura junto a um arco em granito, sinal de uma antiga porta fortificada, descobri, banhado pela suave luz do pôr do sol, um conjunto de ruínas no meio de um bosque de carvalhos e castanheiros, um lugar especial onde só o vento e o piar dos pássaros quebravam um silêncio mágico. A peça central, felizmente restaurada, era uma igreja românica, austera e serena, cuja sobriedade apenas era quebrada pela decoração do pórtico de entrada ou pelas figurações de animais fantásticos nos cachorros da cornija, sobretudo na cabeceira. Dominava os restos das poucas edificações conventuais que restavam do mosteiro beneditino aqui construído no século XII com autorização de D. Afonso Henriques, caso dos claustros, das cozinhas, quase todas com paredes e tetos a assinalarem as marcas dos séculos.

A carta de couto assinada pelo primeiro rei luso estabelecia que, anualmente, o primeiro veado, javali ou corço apanhado nestas terras, ou o primeiro salmão pescado no rio Minho fossem para o abade de Sanfins. Restos de uma cerca em granito aparelhado e de um aqueduto testemunham o esforço milenar dos monges de São Bento para tornar esta encosta serrana minimamente habitável e à sua volta espalharem alguma coisa de civilização nos tempos árduos das lutas com leoneses e mouros.

O melhor caminho de carro para Sanfins consiste em, à saída de Valença para Monção, tomar a direção Monte do Faro. A meio da subida, numa curva larga, não perca as indicações para Eiras/Convento. Segue-se um troço a descer onde aparecerá nova indicação para o convento, devendo cortar à esquerda e subir sempre, até ao parque de estacionamento. Se é amante dos passeios a pé, saiba que há uma rota pedestre, o Trilho entre Mosteiros (12 km, circular) com partida das imediações do Mosteiro de Ganfei e ligação a Valença pela Ecopista do Rio Minho (antigo troço da Linha do Minho entre Valença e Monção).