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O coração do Porto a bater ao som bem alto das guitarras

Os britânicos The Prodigy estão de regresso a Portugal, fazendo desembarcar na Alfândega do Porto as sonoridades do novo álbum de originais

D.R.

O cartaz do North Music Festival conta com The Prodigy, Gogol Bordello ou Guano Apes, às quais se juntam os portugueses Mão Morta, Linda Martini, Slow J, First Breath After Coma, Ermo, entre outros. O evento realiza-se entre 25 e 26 de maio na Alfândega do Porto

A segunda edição do North Music Festival (NMF), nascido em Guimarães, troca a Cidade-berço pela “efervescência” da Invicta, atracando na Alfândega com um conceito “urbano, arrojado e transversal”. Assim o descreveu o diretor artístico Jorge Veloso, durante a conferência de imprensa de apresentação realizada esta quinta-feira. O NMF realiza-se entre 25 e 26 de maio e aos nomes confirmados anteriormente - The Prodigy, Gogol Bordello, Guano Apes, Linda Martini, Slow J, Da Chick e First Breath After Coma - juntam-se agora os emblemáticos Mão Morta. Fora do palco principal, os sons mais eletrónicos ficam assegurados com o anúncio das atuações de Ermo, Xinobi e DJ Ride no palco Dance.

As honras de abertura, no dia 25 de maio, ficam a cargo do funk e da soul de Teresa de Sousa, mais conhecida musicalmente por Da Chick. Também no dia inaugural, o rock eletrizante dos Linda Martini promete contagiar a Alfândega do Porto, com letras de fino corte feitas à medida de uma sonoridade indomável, caracterizada por momentos mais crus e diretos, entrecruzados com introspetivas viagens sónicas. O quarteto formado por André Henriques, Pedro Geraldes, Cláudia Guerreiro e Hélio Morais apresentará o álbum homónimo editado recentemente, de onde foram extraídos os singles “Gravidade” e “Boca de Sal”.

O primeiro dia será pontuado com o gipsy punk dos nova-iorquinos Gogol Bordello, uma banda com quase duas décadas de atividade, entrelaçando harmoniosamente o punk rock com influências folclóricas eslavas. Já os alemães Guano Apes - a celebrarem os 20 anos da edição do primeiro trabalho discográfico “Proud Like a God” - vão presentear o público com alguns dos ‘hits’ que os levaram a vender mais de quatro milhões de discos em todo o mundo, com temas como “Open Your Eyes” e “Rain”.

O grande destaque vai para o regresso a Portugal dos The Prodigy, com a formação britânica, pioneira do “big beat”, a trazer na bagagem o novo e sétimo álbum de originais para apresentar ao vivo no segundo dia do festival, num concerto que também revisitará alguns dos maiores sucessos. Ainda no dia 26 de maio sobem ao palco principal os Mão Morta, liderados pelo irreverente Adolfo Luxúria Canibal, numa atuação especial alusiva aos 25 anos sobre a edição de um dos mais icónicos álbuns do rock português, “Mutantes S21”. O rap de Slow J, as paisagens sonoras do rock progressivo que os First Breath After Coma trazem de Leiria e o scratch de DJ Ride completam a programação do último dia do NMF.

Num país onde se organizam anualmente mais de 200 festivais de música, o certame pretende ser mais do que isso e assumir-se como uma “experiência”, tirando partido da localização privilegiada no “coração” da Invicta, junto ao Rio Douro. “Não havia melhor cenário”, considera Jorge Veloso, da produtora “Vibes & Beats”. Sem receio de vincar uma orientação programática mais “comercial”, onde vários estilos coabitam - com espaço para artistas consagrados e emergentes, na tentativa de chegar a um público mais vasto -, o organizador traça a identidade de um festival “mais rock e arrojado”, no qual se pretende “ouvir o som das guitarras bem alto”.

A mudança do certame de Guimarães para o Porto é justificada por Jorge Veloso com o facto de o número de público - 15 mil pessoas em 2017 - ter ficado “aquém das expectativas” e também com o facto de que, nota o organizador, “só nos grandes centros é que aparecem os grandes patrocínios”. A hipótese de o North Music Festival ser levado para a Galiza chegou a estar em cima da mesa, mas a Invicta acabou por vencer na corrida para receber o evento, realizado duas semanas antes do Primavera Sound, algo que não preocupa a promotor por se tratarem de “públicos completamente diferentes”.

Ainda sem localização confirmada para o próximo ano, o responsável pela organização deixa, ainda assim, uma garantia: “Se a Alfândega quiser e nós pudermos fazer mais edições, ficaremos por cá”.

Os bilhetes diários têm o preço de €35, enquanto os passes gerais podem ser adquiridos por €59. Os horários, o alinhamento e outras informações úteis podem ser consultadas AQUI.