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“Sempre gostei mais de livros do que brinquedos”: O depoimento de uma escritora que não esquece os contos da sua infância

O Dia Internacional do Livro Infantil assinala-se esta segunda-feira. E porque os escritores de literatura infanto-juvenil tambémforam crianças que sonharam com as ‘estórias’ que leram - e as que lhes leram - publicamos o “Obrigada” da escritora Ana Maria Magalhães aos autores que marcaram a sua infância

Há precisamente 213 anos, no dia 2 de abril, nascia H. C. Andersen, o homem que mostrou às crianças que existe um mundo de possibilidades infinitas por trás de cada palavra escrita e que é por isso considerado o ‘pai’ da literatura infanto-juvenil. Em 1967, a Board on Books for Young People (IBBY) decidiu transformar o dia do nascimento de Hans Christian Andersen, no Dia Internacional do Livro Infantil.

E, porque os escritores de contos infantis também já foram crianças que sonharam com as ‘estórias’ que leram (e lhes leram), publicamos o depoimento da escritora portuguesa de literatura infanto-juvenil Ana Maria Magalhães, cuja obra mais memorável é a coleção “Uma aventura” - publicada pela primeira vez em 1982, em parceria com Isabel Alçada -, que certamente terá sido a companhia de milhares de crianças portuguesas:

“Releio esta ou aquela página para viajar no tempo”

“Os livros infantis foram uma presença constante desde que me lembro de mim. A minha mãe, que era uma grande leitora, tinha o cuidado de me enriquecer a biblioteca com os mais variados tipos de estórias e de ilustrações para me por em contato com realidades e estéticas diferentes. Enquanto eu não soube ler lia-me em voz alta, e se lia bem! Depois, conversávamos a respeito do tema e das personagens, para mergulhar bem fundo no enrendo, o que representou um desafio permanente para a imaginação.

Sempre gostei mais de livros do que brinquedos, que permitiam viver outros mundos, conhecer outras pessoas, participar em aventuras que se desenrolavam num ambiente fantástico em que não há limites, ou noutros países, ou noutras épocas. Guardo comigo até hoje alguns dos livros que mais me encantaram na infância: “A casa de vidro”, “Menina entre dragões”, “As férias”, “O corsário de vides”...

Por vezes, quando me sinto cansada ou triste, vou buscar um e reeleio esta ou aquela página para viajar no tempo, recuperar a voz da minha mãe e os anos leves e fáceis em que fui criança. No Dia Internacional do Livro Infantil, o que me ocorre é homenagear a memória dos autores dos livros que fizeram as minhas delícias com uma só palavra: OBRIGADA” — é a mensagem de Ana Maria Magalhães aos autores da sua infância