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Apesar de tudo, o futuro ainda é extremamente longínquo

Movie Poster Image Art/ Getty Images

Uma nave que dança, as videochamadas, o turismo espacial: “2001: Odisseia no Espaço” mostrou em 1968 muito que não parecia ser possível, pelo menos naqueles tempo. Hoje, algumas coisas tornaram-se reais, outras ainda estão por acontecer e outras são do domínio do sonho. Foi precisamente há 50 anos que Stanley Kubrick nos fez olhar para cima

Quem sabe diz que, apesar dos 50 anos, “2001: Odisseia no Espaço” é um dos filmes mais realistas sobre a experiência espacial: não há naves com asas, voltas e mais voltas ou explosões. Porque isso não acontece lá em cima. A física usada é extremamente realista, garante ao Expresso Rui Agostinho, diretor do Observatório Astronómico de Lisboa.

“Contrariamente àquilo que se faz hoje em dia em filmes como “A Guerra das Estrelas”, em que as pessoas andam normalmente nas naves como se estivessem numa sala, a física colocada em todos os movimentos de ‘2001: Odisseia no Espaço’ é extremamente realista, muito bem feita.” Para Rui Agostinho o realismo àquela aproximação da realidade apenas se encontra em dois filmes bem mais recentes: “Interstelar”, de Christopher Nolan (2014), e “Perdido em Marte”, de Ridley Scott (2015). “Mas, claro, também têm os seus barretes e muita fição à mistura.”

Em 1968, o filme de Kubrick chegava ao cinema pouco tempo antes de o Homem chegar à Lua. Ainda não havia uma estação espacial, só bem mais tarde os telemóveis começariam a ser usados em massa e fazer turismo no espaço não parecia ser possível. Mas algumas coisas que ali se viram e pareciam ser impossíveis aconteceram.

“O desenho de uma estação em forma tubular que roda sobre si para dar uma força centrípeta, que comprime a pessoa contra a parede para lhe dar o peso que sentimos aqui na Terra, aparece no ‘Odisseia do Espaço’. Esta é uma previsão maravilhosa, mas que ainda não temos. O que temos é um coisa muito mais pacata e pequenina, que é estação Espacial Internacional”, explica Rui Agostinho. “A dança é perfeitamente linda: a nave aproxima-se da estação que está a rodopiar e, para conseguir aterrar, tem de rodopiar à mesma velocidade. A Estação Espacial Internacional (ESI) - o maior objeto alguma vez colocado no espaço - não faz essa dança nem está preparada para o fazer.”

Hoje, a ESI já tem uma coleção de divisões agregadas mas nada que se compare com aquilo que Kubrick, com a ajuda do engenheiro aeroespacial Wernher von Braun, idealizaram. “A ESI já deu um trabalho diabólico, mas fazer uma estrutura grande e redonda exige construção no espaço, como iríamos inventar pessoas a soldar as peças no espaço? E isso não vai ser tão cedo, embora seja uma imagem de marca e impressionante.”

Movie Poster Image Art/ Getty Images

Mas é sobretudo nas telecomunicações que estamos muito próximos daquilo que o filme previa. A cabine telefónica da estação em órbita, além da voz mostrava a imagem com quem se estava a falar. Ou seja, aquilo que hoje conhecemos como videochamada. “As comunicações hoje são corriqueiras para as pessoas, na altura não eram. A videoconferência é possível, mas só muito recentemente passamos a ter essa capacidade nos telemóveis, embora em meados dos anos 90 já se conseguisse fazer nos computadores em sítios com boa rede.

Por último, Rui Agostinho sublinha a ideia do turismo espacial. “Recentemente, tornou-se mais possível de fazer, através da firma Space X de Elon Musk, cujo o objetivo é fazer turismo espacial e uma viagem à Lua. Três dias para lá, tirar uma selfie com a lua, três dias para voltar.

Fora isso, diz Rui Agostinho, “2001: Odisseia no Espaço” entra no campo da ficção cientifica, com coisas que ainda hoje são impossíveis de concretizar. “Por exemplo, no filme viaja-se até Júpiter. Atualmente, nem conseguimos enviar uma pessoa para Marte, quanto mais pensar em enviar alguém para Júpiter. Isso é um futuro extremamente longínquo.”