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Westway Lab: parar, escutar e pensar a música para imaginar futuros

Manel Cruz apresenta-se no Westway Lab, no dia 14 de abril, com o seu mais recente projeto musical a solo

D.R.

O festival que transforma a Cidade-berço numa incubadora musical está de regresso, entre 11 e 14 de abril, com 28 concertos, conferências, apresentações de residências artísticas e um foco dedicado à nova música austríaca. Manel Cruz e Leyya são os grandes atrativos do cartaz

Os dias primaveris chegaram e os festivais de música já aquecem as expectativas de muitos melómanos. A quinta edição do Westway Lab regressa a Guimarães, com epicentro artístico no Centro Cultural Vila Flor, mas com lastro em vários outros pontos da cidade, entre os dias 11 e 14 de abril. O cartaz conta com 28 concertos, com destaque para as atuações do incontornável e independente Manel Cruz - com novo trabalho discográfico na calha -, a quem se juntam os Dear Telephone para apresentar “Cut”, título do mais recente registo discográfico da banda. A aposta na prata da casa fica garantida com a banda vimaranense Toulouse, com o álbum de estreia “Yuhng” (2016) na bagagem.

O evento conta também, pela primeira vez, com um foco dedicado a um país, a Áustria, representada por uma comitiva de cinco projetos artísticos, com destaque para o indie pop do duo Leyya. “É um festival de primavera para descobrir o que o futuro trará”, refere o programador Rui Torrinha.

A nova secção do festival, intitulada "Country Focus", tem como objetivos, por um lado, “mostrar em Portugal uma parte da cena musical austríaca e, por outro, no final de setembro, o festival Waves Vienna reverte a simpatia e dedica um foco à música portuguesa”, explica, ao Expresso, o diretor artístico do Centro Cultural Vila Flor (CCVF), Rui Torrinha. “É uma estratégia de permuta para a internacionalização”, acrescenta o responsável.

Da Áustria para Guimarães, no dia 13 de abril (sexta-feira) sobem ao palco do CCVF os Cari Cari - apelidados como “filhos” melódicos dos The Kills e dos The XX -, o duo Molly que levará o público numa odisseia por paisagens sonoras etéreas, a delicadeza da pop minimalista de uma jovem compositora de 22 anos, de nome incógnito, conhecida no meio artístico por AVEC, e ainda o músico Valerio Dittrich com o projeto Motsa, influenciado pela eletrónica britânica.

No leque de austríacos a atuar no Westway Lab, o destaque vai para o indie pop dos Leyya, aquecendo o festival, no dia 14, pelas 22h30, com “Sauna”, o segundo longa duração da banda, analisado pelo Expresso. “O objetivo, com este foco, foi procurar a diversidade, sempre com um critério apertado de autoria. O festival preocupa-se sempre muito com isso, em abrir a janela, não tomando o caminho fácil de concentrar determinados códigos”, frisa Rui Torrinha.

Manel Cruz como símbolo máximo da independência

A lógica de permuta e a consolidação de um trabalho em rede, reforçados pela presença de várias referências da indústria musical internacional, não descura a divulgação da música portuguesa, um dos pilares fundadores do Westway Lab, membro da rede “Innovation Network of European Showcases”, que interliga o certame a outros oito festivais europeus. Na opinião de Rui Torrinha, trata-se de uma “oportunidade de mostrar ao mundo muitas bandas portuguesas e mostrar que a música nacional nada deve nem teme, quando comparada com a produção musical de outros países”.

O nome português mais sonante no cartaz é o de Manel Cruz, ex-integrante de bandas como Ornatos Violeta, Pluto ou Supernada. Depois do projeto a solo “Foge Foge Bandido”, o emblemático vocalista, detentor de uma poética patente nas letras trabalhadas num exercício de autêntica filigrana, está de regresso com um novo trabalho, prestes a ser editado, do qual já são conhecidos os singles de avanço “Ainda não acabei” e “Beija Flor”.

“O Manel Cruz, para nós, é o símbolo máximo da independência. É o exemplo flagrante de alguém que gere a carreira como bem entende. Apresenta um enorme caráter autoral, foge à massificação e torna-o num artista diferenciado”, define o programador do Westway Lab, para quem o festival reflete uma emancipação face à vertente mais comercial da música e “traça um caminho mais desafiante” para o público.“Não queremos ter apenas uma assemblagem de bandas para vender muitos bilhetes. Aquilo que pretendemos é a afirmação de um caráter autoral. Este festival é mais uma maratona do que um sprint”, classifica Rui Torrinha.

O artista portuense sobe ao palco do Grande Auditório do Centro Cultural Vila Flor, à meia-noite do dia 14 de abril, após o concerto dos Toulouse no café-concerto do CCVF.

Durante o festival será também estreado um trabalho artístico encomendado pelo Westway Lab, fruto de uma parceria entre os músicos Valter Lobo e André Barros, que fundem os seus estilos para dar origem ao projeto “Lobos de Barro”, apresentado no dia 13, no Pequeno Auditório do CCVF, pelas 23h15.

Stereossauro, Isaura, Omiri, Moonshiners, Gobi Bear, Daily Misconceptions, Joana Guerra, Time For It e Nery são outros dos nomes nacionais em evidência nesta montra musical, também com a função de ágora para debater vários temas e desafios emergentes na indústria musical contemporânea. Através de um vasto ciclo de conferências, onde marcarão presença responsáveis do Eurosonic, Rui Torrinha defende que o festival tem como “função imaginar futuros”, “apontar caminhos e possibilidades”, gerando um “manancial de conhecimento inacreditável”.

Os horários, preços dos bilhetes e a programação completa da 5.ª edição podem ser consultados AQUI.