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Audiências televisivas dos Óscares em queda livre nos Estados Unidos

d.r.

A transmissão televisiva dos Óscares nunca teve tão poucos espectadores na terra natal como nesta edição. Os resultados preliminares indicados pela Nielsen, a empresa de estudos de mercado que mede as audiências norte-americanas, apontam para uma audiência média de 25,6 milhões de telespectadores ao longo da emissão de quase quatro horas

Luís Proença

Apesar de ter batido a concorrência no horário nobre da noite de domingo, com 32% de “share” (quota de mercado), e de ter feito melhor “performance” do que as restantes transmissões de cerimónias de entregas de prémios e galardões desta temporada televisiva nos Estados Unidos, os Óscares fizeram a pior audiência desde que há medições (ver quadro).

Comparando com a edição do ano passado, a transmissão da cerimónia pela ABC teve uma queda de 19%. Trata-se, aliás, do quarto ano consecutivo em que a exibição televisiva dos Óscares perde telespectadores. Uma tendência que se verifica igualmente com as transmissões em direto das restantes cerimónias de atribuição de prémios da indústria do entretenimento norte-americano. Fazendo uma retrospetiva sobre os últimos dez anos, facilmente se verificam os altos e baixos. Até agora, 2008 tinha sido o ano com pior audiência (32 milhões) e 2014 o melhor de todos (43,7 milhões).

Fácil de ver que esta linha descendente de ‘performance’ se pode atribuir, nem que seja parcialmente, à emergência do vídeo “streaming online” e à consequente mudança de hábitos de consumo, sobretudo dos públicos mais jovens. Mesmo um “monumento” da produção e da programação televisivas ancorado no cinema de Hollywood como os Óscares não significam automaticamente um “ter de ver”, em tempo real, sentado no sofá da sala de frente para o televisor quando se trata de públicos da era digital.

A prática da instantaneidade, do contacto curto e rápido, do “toca e foge”, da vertigem acelerada da interpretação mediática típica do léxico das redes sociais impacta igualmente na frente da audiência televisiva linear. Os espectadores mais jovens tendem a ficar-se pela experiência dos “highlights”, dos melhores momentos vídeo, editados, difundidos pelos “social media”.

À semelhança dos Óscares, também os Grammy Awards, difundidos pela CBS, perderam uma boa fatia de espectadores. A edição deste ano (19,8 milhões de espectadores) afundou-se 24% face à do ano passado, tendo feito a pior audiência dos últimos nove anos. Espreitando os resultados da transmissão em direto do Super Bowl, pela NBC, o padrão de consumo é semelhante: menos 7% de audiência quando comparado com o ano anterior, para um total de 103,4 milhões de espectadores e o pior resultado desde 2009.

d.r.

No caso dos Óscares, a perda acentuada de espectadores pode estar também relacionada com as escolhas dos nomeados pela Academia a quem alguns críticos apontam o dedo por optar continuadamente pela seleção de obras de baixo valor de produção, excluindo e resistindo em nomear os ‘blockbusters’, campeões de popularidade.

O “LA Times” lembra que as audiências televisivas dos Óscares são melhores quanto mais grandiosos são os filmes em competição e dá o exemplo de quando, há vinte anos, “Titanic”, um herói de bilheteira, ganhou o Óscar para melhor filme. A ABC fez história nesse ano, alcançando 55,2 milhões de espectadores – a melhor safra de audiências alguma vez atingida com a emissão dos Óscares.

Apesar da pior audiência de sempre neste domingo, a ABC dominou largamente as audiências do ‘prime-time’ nos Estados Unidos, tendo obtido sozinha uma quota de mercado superior à soma dos resultados conseguidos por toda a concorrência direta, ou seja, o “share” total dos restantes quatro canais abertos.