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“Preparem-se porque tenho algumas coisas a dizer”: o discurso que quebrou a monotonia dos óscares

MARK RALSTON/ Getty Images

Foi já perto do final da cerimónia da entrega dos óscares que o momento mais agitado da cerimónia aconteceu: Frances McDormand venceu o galardão de melhor atriz e o discurso que proferiu colocou grande parte das atrizes dentro do Dolby Theatre a aplaudirem de pé as suas palavras

Vinte anos depois, Frances McDormand voltou a ganhar um óscar - é o segundo da carreira. O primeiro foi em 1997, pela sua prestação em “Fargo”. Agora, com “Três Cartazes à Beira da Estrada”, voltou vencer o óscar de melhor atriz - e até aqui não existe surpresa. O que surpreendeu foi o seu discurso que, embora curto, começou logo com um alerta: “preparem-se porque tenho algumas coisas a dizer”. E tinha. E fez-se ouvir.

Depois de confessar que estava a hiperventilar devido ao nervosismo, começou a proferir o que tinha guardado. “Posso ter a honra de ter aqui no palco todas as mulheres indicadas para este óscar?”, pediu. E assim elas o fizeram. Depois fez uma recomendação: “As atrizes, compositoras, figurinistas, homens… Todos, olhem à vossa volta. Todas nós temos histórias para contar e projetos para serem financiados. Não vale a pena falarem connosco na festa desta noite, mas podem convidar-nos para irmos aos vossos escritórios falar do que realmente importa”.

E foi neste momento que chegaram os aplausos de todos os presentes que assistiam ao discurso. E a atriz norte-americana aproveitou para lemmbrar algumas palavras: “Tenho três palavras para vos deixar esta noite, senhoras e senhores: cláusula de inclusão”. E o que é isto? É uma cláusula que os atores podem colocar nos contratos e que exige que a equipa e o elenco dos filmes tenha igualdade de género e racial.

E também houve espaço para os agradecimentos: “Quero agradecer ao Martin McDonagh [realizador do filme] pelo que ele fez. Somos um bando de hooligans e anarquistas mas até nos portámos bem”.