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A televisão por internet está em ‘boom mode’ na Europa. Portugal é o mais brando

d.r.

O mercado europeu de SVOD (Subscritption Video On Demand) online cresce a olhos vistos e as receitas dos distribuidores quase duplicarão nos próximos cinco anos. No fecho de contas de 2017 rendeu cerca de 3,15 mil milhões de euros no total

Luís Proença

A Kagan, uma empresa de estudos de mercado especializada em media, estudou o fenómeno da televisão por internet num grupo de catorze países do Velho Continente e antecipa que chegados a 2022, o SVOD vai gerar um retorno de 5,52 mil milhões. A presença reforçada da Netflix país a país, a expansão da Amazon Prime Vídeo na região com catálogos dedicados, a entrada de novos serviços internacionais, como a HBO (Turner) e o Showmax (Nasper), bem como o reforço da oferta das plataformas europeias existentes – vide Now Tv da cadeia britânica Sky, ou Maxdome, da ProSiebenSat.1, alemã), por exemplo -, são fatores críticos a considerar na equação.

O número total de subscritores pagantes, de acordo com as estimativas da Kagan, vai trepar dos 39,3 milhões em 2017 para os 60,8 milhões em cinco anos (ver quadro), o que significa um crescimento médio acima dos 9% em cada ano.

d.r.

Trocados os grandes números por miúdos, conclui-se que a Netflix lidera em praticamente todos os países neste campeonato, exceção feita à Alemanha, Polónia e Rússia. A Amazon Prime Vídeo colhe os louros do investimento dedicada ao mercado alemão, pelo que tem a preferência dos subscritores germânicos. Na Europa de Leste, os serviços locais impuseram-se sobre os ‘players’ internacionais.

De entre os países considerados, a maior concentração atual de subscritores de SVOD verifica-se no Reino Unido, com tendência evidente de crescimento nos próximos anos, seguida pela Alemanha. França, atualmente no quarto lugar do ranking, atrás da Holanda, deverá tomar a terceira posição no ano que vem. A explicação é simples: a taxa de penetração da banda larga está pouco acima dos dez por cento em França, enquanto na Holanda já ultrapassa os 45%.

Os nórdicos são os mais aficionados das plataformas de OTT (Over The Top) TV. Arredondando, as taxas de penetração variam entre os 76% e os 86% entre dinamarqueses, noruegueses e suecos. A maioria das populações fala fluentemente inglês e a disponibilidade de rendimentos é mais alta do que na média dos restantes países.

Portugal, Rússia e Espanha são os três países menos onde o impacto dos SVOD online é menor. A Kagan estabeleceu um índice de acessibilidade dos agregados familiares aos serviços de SVOD, para verificar as diferenças país a país. Cruzou os níveis de poder de compra, baseados no PIB de 2017, com o custo mensal médio de uma subscrição. Conclusão: Portugal lidera o grupo. É o país onde a adesão a estes serviços é a menos acessível.