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Óscares: se há heroínas em vez de heróis, o lucro é maior

Jennifer Lawrence

REUTERS

Apesar das estrelas femininas resultarem mais em bilheteira, apenas 28% dos filmes nomeados para os Óscares desde 2013 tiveram uma mulher como cabeça de cartaz, conclui um estudo da BBC

O papel das mulheres na indústria de Hollywood está a marcar a atualidade enão é só pelas campanhas contra o assédio sexual: segundo um estudo da BBC, os filmes nomeados para os óscares que têm uma atriz no papel principal são 33% mais lucrativos que aqueles em que há um herói masculino.

Em média, por cada dólar investido na produção, um filme em que a figura principal é uma mulher dá um retorno em bilheteira de 2,12 dólares, mais 33% que o retorno de 1,59 dólares das produções de cinema que têm um homem no papel principal, calcula o estudo.

Entre os múltiplos exemplos de filmes com heroínas femininas que deram mais retorno em bilheteira do que o previsto, destacam-se 'Elementos Secretos' (Hidden Figures), que viu o retorno aumentado em 6,8 vezes face ao orçamento original, além de Cinquenta Sombras de Grey ou Lady Bird, que tiveram 4,2 mais vezes em resultados.

Os exemplos alargam-se a filmes como O Meu Nome é Alice (Still Alice), Brooklyn, a Bela e o Monstro ou Philomena, cujos resultados ultrapassaram em três vezes os orçamentos iniciais.

Para este estudo, a BBC analisou a informação relativa a 155 filmes nomeados para Óscares desde 2013 e que constam na base de dados Internet Movie Database (IMDB), e que exclui documentários ou curtas metragens.

Produtores não querem a campanha anti-assédio a ofuscar os filmes premiados nos Óscares
A cerimónia de entrega anual dos Óscares que vai decorrer este domingo, 4 de março, naquela que é a festa mais icónica e o ponto alto da produção de cinema de Hollywood. A cerimónia será previsivelmente marcada por atrizes vestidas de negro, numa posição contra o assédio sexual no âmbito do movimento ‘#Metoo’ e pelo projeto ‘Time's Up’, após as denúncias de assédio e abuso sexual iniciadas com o produtor Harvey Weinstein.

Segundo frisou produtora Jennifer Todd ao jornal norte-americano The New York Times, que tem dado ampla cobertura aos casos de atrizes vítimas de assédio, os Óscares devem ser "um espectáculo respeitoso, mas também divertido e emocional".

também Channing Dungey, presidente da cadeia de televisão ABC (que vai assegurar a transmissão televisiva da cerimónia de entrega dos óscares), garantiu ao mesmo jornal querer "honrar e respeitar a campanha da Time's Up e permitir que a mensagem seja escutada", mas frisou que numa cerimónia tão mediática isso não pode vir a ofuscar o essencial dos Óscares: os atores e os filmes premiados.