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Filme canadiano de zombies vence Fantasporto 2008

“Les Affamés” de Robin Aubert venceu o Grande Prémio do Cinema Fantástico da 38º Edição do Fantasporto

O realizador canadiano Robin Aubert repetiu a vitória alcançada na edição de 2006 do Festival Internacional de Cinema do Porto (na altura com o filme “Saint Martyrs des Damnés”), vendo distinguida com o grande prémio a sua obra “Les Affamés”, um filme sobre o apocalipse zombie numa zona remota da província canadiana do Quebeque. Recria e amplia o argumentário do género, introduzindo alguma complexidade ao nível do quem, de facto, são os mortos-vivos e tem a graça de ser falado em francês do Canadá.

O júri não esqueceu “November”, de Rainer Sarnet, atribuindo-lhe um prémio especial. O filme representou a Estónia nos Óscares e baseia-se nos contos tradicionais daquele país báltico. Para sobreviver a um Inverno gelado os aldeões roubam os seus senhores, roubam-se uns aos outros, roubam os espíritos, o diabo e Deus, num mundo estranho onde as fronteiras com o reino dos mortos são difusas. Como escrevi há dias, uma bela fotografia a preto e branco remetendo para Bergman ou Tarkovsky.

Foi igualmente distinguido o filme coreano “A Day”, de Cho Sun-ho, uma espécie de versão oriental do “Feitiço do Tempo”. O filme filipino “Illyawod, Espírito da Água” e o filme canadiano “The Hollow Child”, um e outro tomando como tema espíritos ancestrais da natureza não necessariamente amigáveis, receberam os prémios para o melhor actor (Ian Veneracion) e melhor actriz (Jessica McLeod).

No que respeita à Semana dos Realizadores o filme vencedor foi “True Fiction” do coreano Kim Jin-mook, uma parábola sobre os bastidores do poder, algo particularmente actual depois dos escândalos envolvendo a ex-presidente sul-coreana e alguns altos dirigentes de multinacionais. Um prémio especial distinguiu o filme “Bikini Moon” do norte-americano Micho Manchevski que fala no drama dos veteranos regressados do Iraque com stress pós-traumático. O melhor actor foi o português Eric da Silva (“Uma Vida Sublime” de Luis Diogo) e o melhor realizador o egípcio Marwam Hamed com “Al-Asleyeen”, uma releitura do Big Brother orwelliano em função das possibilidades de intromissão na vida privada abertas pelo advento dos smartphones e tablets.

O Prémio do Público foi para o filme de horror canadiano baseado numa história verídica “The Child Remains” de Michael Melski (Canadá) e o da Crítica para “O Carniceiro, a Puta e o Zarolho” do húngaro Janos Szasz.

Falando aos jornalistas no final do festival (que encerra esta noite, sábado, com a projecção do filme belga “Les Fidéles”) Mário Dorminski da direcção do Fantasporto disse que os objectivos do festival tinham sido cumpridos, fosse na vertente da presença do público, fosse na de realizadores, produtores e actores estrangeiros os quais, não obstante o corte do subsídio do ICA, se deslocaram ao Porto por sua própria conta. Referiu a importância da existência de um circuito de cinema paralelo ao comercial e anunciou a data do próximo festival: 1 a 9 de Março de 2019.