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Há zombies no Quebeque

“Les Affamés” de Robin Aubert: a luta de uma mão cheia de sobreviventes contra o apocalipse zombie

D. R.

Filme canadiano de horror em destaque num dia de Fantasporto onde filipinos e egípcios também deram cartas

Desde que George Romero filmou “A Noite dos Mortos Vivos” em 1968 o tema dos zombies foi tratado no cinema das mais diversas e nem sempre bem conseguidas formas. “Les Affamés” que é como quem diz os esfomeados, passado quarta-feira à noite no cine-teatro portuense Rivoli foi uma das fitas mais interessantes que passaram pela 38ª edição do Fantasporto.

Realizado por Robin Aubert tem a graça de ser falado naquele divertido francês do Quebeque muito marcado perla vizinhança linguística anglo-saxónica e que dá coisas como “passe-moi le gun” ou “allons loader le truck” para dizer passa-me a arma ou vamos carregar a camioneta…

É simples, nitidamente feito por um grupo de amigos com poucos meios (como a série de TV “The Walking Dead” começou por ser) mas introduz alguma complexidade no argumentário deste género do fantástico: e se os mortos-vivos não fossem destituídos de raciocínio e estivessem a construir uma nova cultura?

Igualmente interessante o filme filipino “The Water Spirit” de Dan Villegas que, à semelhança doutros passados em anteriores edições do Fantas, remete para o tesouro sem fim que do ponto de vista antropológico representam as civilizações das ilhas do Pacífico. Um jornalista vai a uma aldeia remota fazer uma reportagem sobre o que parece ser um caso de possessão e quando parte leva consigo um antigo espírito das águas não necessariamente benévolo. Quando volta a pedir ajuda depois de ver a sua família assombrada o feiticeiro diz que nada pode fazer e confidencia ao filho: “agora que nos vimos livres do espírito não o queremos cá de volta…”

“Al-Asleyeen” de Marwan Hamed, um Big Brother na terra das pirâmides

“Al-Asleyeen” de Marwan Hamed, um Big Brother na terra das pirâmides

D. R.

A terminar uma referência a “Al-Asleyeen” do egípcio Marwan Hamed, uma comédia onde o realizador a páginas tantas se parece deslumbrar com a panóplia de efeitos especiais à disposição.

Contudo, remete para um problema bem real: os nossos telemóveis e computadores também servem para nos espiar. O problema é que no Egipto pós Primavera Árabe a vigilância não tem esse grau de sofisticação e se parece com a brutal e sangrenta que imperava no tempo de Mubarak. Interessantes alguns retratos de uma sociedade a duas velocidades: os que têm iphone e andam de fato e gravata e os fellahs miseráveis que lhes engraxam os sapatos ou vendem quinquilharias na rua.