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Como é ser arquiteto em África? E na Oceânia?

Issa Diabaté, da Costa do Marfim, é um dos grandes nomes da arquitetura feita em África

Joana Chaumali

Issa Diabaté, um dos nomes maiores da arquitetura de África, abre esta quarta-feira na Faculdade de Arquitetura do Porto o Ciclo Internacional de Conferências Contexto(s) na Arquitetura Contemporânea, com arquitetos oriundos dos cinco continentes

Quais são os desafios inerentes ao exercício da arquitetura num continente como África? São especialmente diferentes dos vividos na Oceânia? E na Ásia, há ou não ou outro olhar sobre o modo como nos devemos relacionar com o construído? Na Europa e nos EUA vive-se um excesso de regulamentação que coarta a liberdade criativa dos arquitetos? Algumas destas perguntas poderão ter resposta no ciclo de conferências que esta quarta-feira se inicia na Faculdade de Arquitetura da Universidade do Porto (FAUP).

A abrir o ciclo estará Issa Diabaté. Mestre em arquitetura pela Universidade de Yale, uma das instituições da elite universitária dos Estados Unidos da América,este arquiteto de 48 anos, nascido em Abidjan, Costa do Marfim, estará quarta-feira, a partir das 17h, no auditório Fernando Távora daquela faculdade. Inicia um conjunto de conferências que, até abril, permitirão uma aproximação ao pensamento e às propostas de arquitetos oriundos de cinco continentes.

Issa Diabaté disse um dia, numa entrevista a uma publicação especializada, que “a arquitetura africana é a arquitetura feita em África para proporcionar soluções para questões locais de África… Tem pouco a ver com estilo”.

Embora seja hoje um arquiteto de dimensão internacional, responsável pelo ateliê Koffi & Diabaté Architects e cofundador do Koffi & Diabaté Group, baseados na Costa de Marfim, Diabaté trará um ponto de vista que parte da experiência e da vivência do trabalho nas concretas condições de um continente como África. Contudo, carrega consigo uma sólida formação e importantes intervenções no contexto europeu e dos EUA.

Entre os anos de 1991 estagiou em vários locais de prestígio em diferentes continentes, com destaque para a permanência no escritório de Jean Nouvel e Catani.

Les Résidences de Chocolat, complexo habitacional com preocupações ecológicas construído na Costa do Marfim

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Koffi & Diabaté Architectes

A experiência permite-lhe constatar, como já afirmou, que “a arquitetura no Ocidente trabalha a partir de um ambiente formal. Há códigos a respeitar e consequências quando não se respeitam”. Em contrapartida, no contexto africano, acrescentou, “estamos ainda a lutar para estabelecer alguma formalidade. Isto acontece porque a maior parte da construção aqui produzida é informal e não concebida por arquitetos profissionais. O nosso grande desafio é colocar o ato de construir no âmbito do arquiteto profissional. Para o conseguir, a arquitetura tem de se tornar mais política. Tem de se transformar numa responsabilidade social; algo que é ensinado e assimilado desde tenra idade, a começar pela escola”.

O ciclo de debates prossegue a 22 de março com Paul Owen, de Oceânia. Dos EUA vem Rick Joy, a 11 de abril, enquanto o chinês Li Xiaodong representará a Ásia uma semana depois. Por fim, e em data ainda a anunciar, o europeu David Chipperfield.

Numa nota sobre a inciativa, os coordenadores deste projeto, Ana Neiva e José Cabral Dias, ambos professores na FAUP, sustentam que “a reflexão a realizar tem por base uma ideia de Arquitetura que mantém a ambição de ser universalista no que respeita aos temas-chave disciplinares, sem que deixe de vincular-se ao contexto que lhe dá origem, expressando-o direta ou subtilmente. Ou seja, a ideia de Arquitetura que se deseja debater atribui um papel central à dimensão sensorial e fenomenológica como um dos seus ‘materiais’ centrais, dimensão essa fundada num local e cultura concretos, e sempre centrada tanto no Homem, como na vida”.