Siga-nos

Perfil

Expresso

Cultura

Dicionários Português-Chinês e Chinês-Português pela primeira vez disponíveis online

A partir desta sexta-feira, dia de celebração do Ano Novo Chinês, a Porto Editora torna acessível o dicionário bilingue publicado em 2010

Através do serviço Infopédia será possível, a partir desta sexta-feira, aceder online aos dicionários Português-Chinês e Chinês-Português. Estas obras lexicográficas foram trabalhadas a partir do dicionário bilingue publicado em papel, em maio de 2010, pela Porto Editora.

Numa nota da editora, refere-se que "quase oito anos depois estas obras refletem o apuro linguístico feito ao longo do tempo", num processo que contou com o apoio de Ana Cristina Alves, autora do dicionário.

Doutorada em Filosofia da História e da Cultura Chinesa na Universidade de Lisboa em 2005, Ana Cristina Alves está atualmene a colaborar com várias instituições, como a Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa e o Creative Learning Center. Além disso, tem realizado traduções de chinês para português, como aconteceu com a obra de Tang Hio Kueng, "Almas Transviadas", vencedora do 1º Concurso de Novela de Macau.

Os dicionários agora disponibilizados incluem mais de 25 mil entradas e exemplos e perto de 36.500 traduções. Na infopedia.pt passa assim a ser possível aceder a 24 dicionários, através dos quais a língua portuguesa é relacionada com sete idiomas: inglês, francês, espanhol, alemão, italiano, neerlandês e chinês.

O primeiro dicionário Português-Chinês ficou concluído no início da década de 1580. O manuscrito foi descoberto em 1934 por Pasquale D'Elia, escritor e investigador jesuíta, nos Arquivos da Sociedade de Jesus, em Roma. Não tem referências ao autor nem data. Porém, segundo Luís Filipe Barreto, professor catedrático de História da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa e presidente do Centro Científico e Cultural de Macau, citado numa brochura do Museu de Macau, "o primeiro dicionário Português-Chinês, de cerca de 1582, foi coordenado pelo jesuíta italiano M. Ruggiero mas resultante de um trabalho coletivo em que pontifica o luso-chinês macaense Sebastião Fernandes (1561-1621)".

A obra – 198 fólios escritos em papel chinês – é atribuída muitas vezes aos padres jesuítas Matteo Ricci, Valignan e Michele Ruggiero, com a indicação de que terá sido redigida em Zhaoqing, na Missão da China, entre os anos de 1583 e 1588. O Museu de Macau dedicou mesmo, em 2012, uma exposição a um dos homens tidos como autores do primeiro dicionário Português-Chinês, o missionário jesuíta Rugieri, que como Ricci conseguiu o estabelecimento de uma missão cristã no continente chinês, em Zhaoqing. Numa brochura então elaborada pelo próprio museu referia-se que "Ricci e Ruggiero (italianos) não dominavam a língua portuguesa e muito menos a língua chinesa, pelo menos o suficiente para criarem um universo de cerca de seis mil termos"

Os termos mais utilizados naquele primeiro dicionário centram-se na náutica-geografia, na atividade comercial e no relacionamento político-diplomático. Quase não existem palavras eruditas ou de carácter religioso. Assim, o mais provável é que o dicionário Português-Chinês tenha sido uma obra coletiva feita em Macau por portugueses, macaenses, chineses, italianos, e outros, como o parece confirmar a diversa caligrafia com que foi escrito, acrescenta o folheto do Museu de Macau.