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O comando é deles

“O Gato das Botas — Preso num Conto Épico” é uma das primeiras produções interativas da Netflix

FOTO Dreamworks Animation/Netflix

A tecnologia ditou que as séries de animação infantil ganhassem funcionalidades interativas e os primeiros títulos já estão disponíveis em streaming. Greg Peters, diretor de produto na Netflix, falou ao Expresso sobre a importância de produções como “O Gato das Botas — Preso num Conto Épico” para a plataforma

João Miguel Salvador

João Miguel Salvador

em Berlim

Jornalista

A possibilidade de se escolher o rumo da história já fazia parte dos contos infantis há muito tempo, mas a funcionalidade só agora chegou à televisão. Criada a partir da série “As Aventuras do Gato das Botas”, “O Gato das Botas — Preso num Conto Épico” é uma das primeiras produções interativas infantis da Netflix e abre caminho a um novo segmento dentro da plataforma de streaming. A par com “Buddy Thunderstruck: A Pilha Talvez” e “Kong: O Rei dos Macacos”, a história produzida pelos estúdios da Dreamworks deixa aos mais novos a tarefa de decidirem o rumo dos acontecimentos.

Para Greg Peters, diretor de produto na Netflix, um dos principais objetivos da Netflix é “fornecer uma grande experiência de utilização da plataforma em qualquer um dos diferentes dispositivos” e a partir de agora isso também será notado através da diferenciação dos conteúdos apresentados. “Queremos tomar partido do que cada um desses dispositivos pode fazer de diferente, o que podem trazer de melhor”, conta ao Expresso durante um evento do serviço de streaming em Berlim, exemplificando de seguida. “No telemóvel o input é muito fácil por causa do ecrã tátil, mas na televisão, com o comando, já não é tão prático.”

A ideia da multinacional é tirar partido de cada um dos formatos, “oferecendo a melhor experiência possível”, pelo que estão a testar novas formas de interação com os utilizadores. “É essa a direção que queremos continuar a explorar”, afiança, numa altura em que o sistema já permite que as crianças consigam utilizar o serviço sem ajuda parental — dentro do Netflix Kids, onde apenas estão disponíveis conteúdos próprios para os mais novos.

FOTO Dreamworks Animation/Netflix

“Há formas completamente diferentes de contar a mesma história e isso é algo que já estamos a testar ao lançarmos vários títulos com a ideia de interatividade incluída. Para isso, pegam numa história com uma narrativa linear (disponível para ver na televisão ou no computador) e juntam-lhe novos conteúdos quando a série é reproduzida num telemóvel, tablet ou televisão inteligente. “Paramos a história em determinado momento e damos ao telespectador o poder de decidir”, explica Peters à imprensa enquanto mostra algumas imagens de “O Gato das Botas — Preso num Conto Épico”.

AO SERVIÇO DOS MAIS NOVOS

Nesta fase experimental das narrativa interativa, a Netflix está também concentrada em perceber quais são as dinâmicas dos utilizadores e se será esta uma boa aposta para o futuro da plataforma. Por enquanto, Peters avança que os resultados estão a ser positivos e que os utilizadores mais jovens se revelam mais interessados nestas histórias interativas do que nas lineares. É o que mostram os dados analisados pelo gigante do entretenimento, agora apostado em perceber “qual será o papel da personalização na criação de narrativas diferentes” das tradicionais.

FOTOS Dreamworks Animation/Netflix

De modo a captar a atenção de utilizadores com perfis de utilização diferentes, a Netflix optou por não mostrar apenas as séries interativas numa linha de conteúdos dedicada, apresentando-as também entre outros títulos e identificando-as através de um símbolo específico. A opção prende-se com o facto de o elemento visual (um cadeado aberto, neste caso) ser de mais fácil perceção para o público-alvo destas primeiras séries interativas. Basta um pequeno pormenor para que todos saibam onde estão as novidades.

FOTOS Dreamworks Animation/Netflix

Não são apenas os pequenos utilizadores que estão a responder bem a esta nova categoria narrativa e é também do lado dos argumentistas que já se notam algumas diferenças, com Greg Peters a descrever o movimento ao Expresso como “uma oportunidade para explorarem novas formas de construírem uma história”. “Há muito entusiasmo por poderem experimentar estas ferramentas.” Às três histórias já apresentadas (“O Gato das Botas — Preso num Conto Épico”, “Buddy Thunderstruck: A Pilha Talvez” e “Kong: O Rei dos Macacos”) juntar-se-á uma quarta nos próximos meses, mas a data de estreia de “Stretch Armstrong: The Breakout” ainda não foi anunciada.

O Expresso viajou a convite da Netflix