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Serralves dedica grande retrospetiva a Álvaro Lapa

Uma das obras de Álvaro Lapa a expor em Serralves

Seralves/Filipe Braga

Um dos grandes nomes e em simultâneo um dos grandes enigmas da arte contemporânea portuguesa verá reunida no Porto a maior mostra da sua obra de pintura e escultura alguma vez realizada, num ano com espaço para exposições de Anish Kapoor, Robert Mapplethorpe e Marisa Merz

Comissariada por Miguel von Hafe Pérez, a exposição retrospetiva da obra de Álvaro Lapa (Évora, 1939 - Porto, 2006) , intitulada “No tempo todo” será uma das grandes iniciativas do Museu de Arte Contemporânea de Serralves durante o ano de 2018.

Com inauguração marcada para 8 de fevereiro, reunirá pela primeira vez mais de 200 obras de vários períodos, na área da pintura e da escultura, muitas delas pertencentes a outros artistas, o que significa uma presença do pintor na vida e na produção cultural de grandes figuras da cultura portuguesa.

Apresentado por João Ribas, diretor-adjunto do Museu como “uma figura incontornável da arte portuguesa, em particular no período pós-revolucionário”, Lapa terá ali obras oriundas também de outros museus e instituições. Ribas realça em particular a circunstância de Álvaro Lapa ser “uma das figuras mais influentes em Portugal, mas ao mesmo tempo enigmáticas”.

Trata-se de um artista à volta do qual ainda circula algum mistério formal. Lapa tem a função, nos anos de 1970 e 1980, de, diz João Ribas, “aproximar várias tradições díspares da pintura portuguesa”, seja na componente artesanal, decorativa, abstrata ou literária. Trata-se, de resto, de um artista com uma grande influência da poesia e da literatura. Nesse sentido, sustenta o diretor-adjunto do museu, estamos perante “uma espécie de escrita de pintor e pintura de escrita. Esta relação entre as artes visuais e a literatura está muito presente nesta exposição”.

Antes, já Ana Pinho, presidente do Conselho de Administração da Fundação de Serralves falara dos contactos com outros artistas, curadores e críticos internacionais para quem, caso Álvaro Lapa tivesse outra nacionalidade, por exemplo norte-americana, eventualmente hoje teria uma projeção ao nível dos maiores nomes da arte contemporânea.

Marisa Merz e a Arte Povera

Num dia dedicado á apresentação da programação para o próximo Ano, o destaque ia para a próxima inauguração, marcada para sexta-feira, e dedicada a Marisa Merz. Intitulada “O céu é um grande espaço”, trata-se de uma retrospetiva da pintora e escultora italiana organizada pelos museus norte-americanos Metropolitan Museum of Art, de Nova Iorque, e hammer Museum, de Los Angeles.

Serralves é a primeira paragem europeia de uma mostra desenvolvida em colaboração com a Fondazione Marz, de Itália, e que seguirá depois para o Museum der Moderne Salzburg, na Áustria.

Marisa Merz, hoje com 91 anos, é a única mulher protagonista do movimento de Arte Povera. Em 2013 recebeu o leão d’Ouro de carreira da Bienal de Veneza.

O reconhecimento internacional de Marisa Merz dada do final da década de 1960, no contexto de um movimento muito identificado com atitudes radicais de alguns movimentos estudantis, que privilegiava a utilização de materiais ditos “pobres”, em oposição a uma certa riqueza material.

Sy Mirror

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D.R.

O programa de Serralves é de uma grande riqueza, mesmo do ponto de vista conceptual, com momentos de grande importância, como a exposição, em junho, do escultor indiano Anish Kapoor, a última comissariada por Suzanne Cotter, diretora do museu até o final de 2017.

Kapoor mostrará no Parque de Serralves uma seleção dos seus trabalhos e projetos mais recentes, alguns nunca antes realizados. Em simultâneo o interior do Museu recebe vários modelos e maquetes de trabalhos construídos e não construídos, desde os anos de 1990 até a atualidade.

Um ícone chamado Robert Mapplethorpe

Com a fotografia a ganhar cada vez mais relevância num museu que nem sempre deu o devido destaque a esta componente da criação artística, setembro chega com uma das mostras mais marcantes do programa para este ano. Pela primeira vez em Portugal será organizada uma exposição de Robert Mapplethorpe, apresentado como “uma das maiores e mais influentes figuras da fotografia no século XX”.

Com curadoria de João Ribas, será uma retrospetiva de uma obra carregada de imagens icónicas, muitas delas bem conhecidas do público fora do contexto dos circuitos artísticos. Desde logo a foto da célebre capa do álbum de Patti Smith, “Horses”, de 1975.

A exposição inclui retratos de estúdio, naturezas mortas líricas, nus eróticos e “assemblages” de início de carreira e polaroids íntimas.

Foto para a capa do álbum Horses. de Patti Smith

Foto para a capa do álbum Horses. de Patti Smith

Robert Mapplethorpe

Setembro ainda será tempo para visitar a obra de Pedro Costa, mais conhecido do público em geral pelas suas criações cinematográficas, mas que em Serralves terá em exposição pinturas, esculturas, desenhos, livros, poemas e diversa documentação que, como foi expresso por João Ribas, curador com Nuno Crespo, “revelam as fontes e as influências da linguagem poética que caracteriza a visão cinematográfica de Pedro Costa”.

Com espaço para os artistas emergentes, como a portuguesa Dayana Lucas ou a norte-americana Martine Syms, Serralves vai ainda explorar mais a sua própria coleção com a organização de exposições temáticas, prosseguirá o caminho da internacionalização, dedicará várias iniciativas à arquitetura, com mostras e debates.

As artes performativas, o jazz no Parque, as conferências ou grandes eventos como o Serralves em Festa, a Festa do Outono ou o Bio Blitz, são outras das iniciativas a merecer uma cuidada atenção ao longo do ano, á medida que forem divulgados mais detalhes sobre cada um dos eventos.