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Rivoli celebra 86 anos e faz a festa com espetáculos gratuitos

"El Baile"

D.R.

A sala de espetáculos portuense comemora o aniversário, este sábado, com um conjunto de espetáculos gratuitos, numa programação onde há lugar privilegiado para o teatro, a música, a dança, a literatura e a performance

André Manuel Correia

Já foi uma sala de ópera. Já foi um cinema. Já foi uma danceteria. Já foi barriga de aluguer para os espetáculos de Filipe La Féria, durante o executivo de Rui Rio. Desde 20 de janeiro de 1932, dia em que abriu portas, já teve diversas vidas e marcou a vida de várias gerações de portuenses. Aos 86 anos, o Teatro Municipal Rivoli, é um espaço rejuvenescido, uma “eterna fénix renascida” - como classifica o diretor artístico Tiago Guedes, responsável por conduzir, desde 2014, o rumo de um teatro apostado, atualmente, na internacionalização. A sala de espetáculos comemora, este sábado, o 86.º aniversário e oferece ao público uma programação multidisciplinar e gratuita, com teatro, música, dança, literatura e performance. A festa, pensada para todas as idades, tem início às 11h e prolonga-se pela noite dentro.

“O objetivo é que o público possa, num só dia, ter contacto com todas as áreas artísticas que habitualmente apresentamos. São dez diferentes projetos, que vão desde a dança até à literatura, música, teatro e performance. Serve para dar um concentrado daquilo que é a nossa programação ao longo do ano”, explica Tiago Guedes, em entrevista ao Expresso.

A festa tem início na Sala de Ensaios, às 11h, momento em que o Rivoli chama pelo público de palmo e meio, com a peça de teatro para a infância intitulada “Do pé para a mão”, interpretada por Sandra Salomé, numa encenação de Joana Providência, a partir de poemas de Regina Guimarães. Este será um espetáculo para, tal como é descrito na sinopse, “viajar de palavra em palavra para descobrir a história da menina que não queria dormir nunca e da palavra que queria casar, dos cinco dedos que são filhos da mão e da palavra que dava uma imensa alegria a um certo rapaz”.

A programação celebrativa prossegue, às 12h, no foyer, com a inauguração da instalação “Soará a silêncio, o som de uma revolução dentro de um Bunker”, da artista plástica Maria Trabulo. Trata-se de uma obra que apresenta uma “reflexão em torno da possibilidade de ainda se poderem fazer revoluções, face às alterações que a revolução digital introduziu na sociedade e comunicação, e face ao isolacionismo praticado pelos estados”, lê-se no texto informativo.

Uma viagem até aos bastidores do teatro

Depois do almoço, a festa continua a partir das 15h, no Auditório Isabel Alves Costa, com a apresentação do musical “Coro”, um espetáculo encenado por André Murraças e com a participação de colaboradores do Rivoli, protagonistas de uma viagem teatral que leva o público a conhecer as rotinas daqueles que, habitualmente, ficam atrás da cortina.

Às 15h30 é lançada a sexta edição dos “Cadernos do Rivoli”, com coordenação de Gabriela Vaz Pinheiro e edição em parceria com a Imprensa Nacional-Casa da Moeda. Era um “projeto âncora”, explica Tiago Guedes, no tempo em que o teatro era dirigido por Isabel Alves Costa, tendo sido interrompido em 2005 e retomado no ano passado. “É uma publicação temática, lançada quando se comemora o aniversário do Rivoli. Estes cadernos emanam sempre da programação. É importante perceber como é que a nossa programação gera reflexão, discurso crítico e promove relações interdisciplinares”, sustenta o programador.

“Um solo sobre Brother” é a criação que o bailarino Marco da Silva Ferreira apresenta, às 16h30 e às 18h, no Piso 5 do Rivoli. Nos mesmos horários, o ator e encenador Jorge Andrade, cofundador da companhia “Mala Voadora”, leva-nos a conhecer a história deste grupo teatral portuense criado em 2003, numa viagem temporal proporcionada pelas fotografias de José Carlos Duarte. Esta será uma oportunidade para o público conhecer alguns recantos da sala de espetáculos a que normalmente não tem acesso. “A ideia é que as pessoas possam também percorrer os vários espaços do Rivoli, descobrindo espaços inusitados que normalmente não estão abertos ao público, como é disso exemplo a apresentação de Jorge Andrade, feita na sala de pingue pongue - a mais secreta do teatro. É uma oportunidade para descobrir os bastidores”, frisa Tiago Guedes.

Às 19h, a cantora Ana Deus instala-se no Piso 5 do Rivoli, acompanhada pelo multinstrumentista francês Nicolas Tricot, para a apresentação de “Bruta”, um concerto lapidado a partir de poemas musicados de diversos autores, todos eles caídos no abismo da loucura ou do suicídio, como por exemplo Mário de Sá Carneiro, António Gancho, Ângelo de Lima, Stela do Patrocínio ou Sylvia Plath.

De França chega também o espetáculo da coreógrafa Mathilde Monnier, a quem se juntou neste trabalho o escritor argentino Alan Pauls. Juntos preparam “El Baile”, uma peça em que, no palco, os bailarinos remetem o público para Buenos Aires, acompanhando a história da cidade desde 1978 até aos dias correntes. Esta criação é apresentada às 21h30, no Grande Auditório do Rivoli.

A partir das 23h, a música dos Gala Drop encontra-se harmoniosamente com as artes gráficas, para uma expedição sensorial pelo universo musical e visual. Neste concerto, as paisagens sonoras psicadélicas do trio lisboeta vão ganhar outro colorido com as peças produzidas pela Oficina Arara.

A festa prossegue depois pela noite dentro, até às 4h, com dj sets de André Tentúgal, Affreixo e Pedro Tudela. A programação completa pode ser consultada AQUI.