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Porto vai ter uma bienal internacional de design

A Galeria Municipal do Porto será um dos palcos da Bienal Internacional de Design

Divulgação

Chama-se Porto International Design Biennale, é organizada pelas cidades do Porto e de Matosinhos e tem a primeira edição marcada para o último quadrimestre de 2019

O Porto vai ter uma Bienal Internacional de Design, já batizada como Porto International Design Biennale. O evento, hoje anunciado pelos presidentes das Câmaras do Porto e de Matosinhos, que vão trabalhar juntos na sua organização, arranca no último quadrimestre de 2019 e terá como tema o Post-Millennium Tension.

Os palcos serão vários, do Matadouro de Campanhã, a Casa do Design de Matosinhos, ao Palácio dos Correios do Porto, Casa da Arquitectura - Centro Português de Arquitectura, Galeria Municipal do Porto, Galeria Municipal de Matosinhos, Mercado Municipal de Matosinhos, Museus Municipais do Porto, Teatro Municipal do Porto - Rivoli, Cinema Batalha no Porto, Museu Quinta de Santiago, Teatro Municipal de Matosinhos Constantino Nery, Terminal de Cruzeiros do Porto de Leixões e Parque de Estacionamento Matosinhos Sul.

Até 2019, um conjunto de iniciativas nesta área prometem ir ocupando o calendário para preparar o terreno para a bienal que terá Rui Moreira, presidente da Câmara do Porto, na presidência da comissão organizadora, e Eduardo Pinheiro, autarca de Matosinhos, na vice-presidência. Nomes do design nacional e internacional como Eduardo Aires, Emanuel Barbosa, José Bártolo e Maria Milano, ligados à Faculdade de Belas Artes do Porto e à ESAD, em Matosinhos, também darão o seu contributo para este evento anunciado antes da entrega dos prémios europeus de design, no Rivoli.

De acordo com a informação divulgada pela Câmara do Porto, a sede da organização será na ESAD- Idea, Associação para a Investigação em Design e Arte e o conselho consultivo da bienal já conta com nomes como os de Andrew Howard, Clarisse Castro, Fernando Rocha, Francisco Providência, Guilherme Blanc, Mariana Pestana e Demetrios Fakinos, Sérgio Afonso será o diretor-geral e José Bártolo o curador geral.

Quanto à escolha do tema da edição inaugural, a organização diz ter como objetivo "analisar e pensar a atual configuração disciplinar do design" numa reflexão que considera a perspetiva histórica e as relações de tensão, afastamento e proximidade, entre o design contemporâneo e o modelo do projeto moderno que vigorou até ao fim do Milénio. As formas e as funções do design produzido nas duas primeiras décadas do corrente século e milénio também estarão em destaque nesta iniciativa que quer problematizar a eficácia social do design e as novas ligações que "sucedem com a dimensão económica, tecnológica, cultural e ambiental".

No documento de apresentação aos jornalistas desta Bienal que é do Porto, mas tem todo o território nacional e internacional no seu horizonte, a organização considera que "talvez nunca como nos últimos 20 anos o pensamento em design tenha estado tão focado em questões identitárias. A crise dos modelos financeiros e políticos dominantes gerou um certo trauma pós-colonial que, por sua vez, suscitou uma demanda reflexiva sobre uma identidade radical, autêntica, honesta. Alguns valores do Projeto Moderno (como a 'adequação ao propósito' ou a 'moralidade social') são retomados num contexto de reincidência pós-moderna, que abre campo para a releitura de propostas teóricas e a recuperação de experiências originárias das movimentações de neo-vanguarda e das contraculturas dos anos 60 e 70".