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Cultura

Bonecos de Estremoz já são Património da Humanidade

Já é oficial: a arte de construção dos Bonecos de Estremoz é Património Imaterial da Humanidade. A decisão foi conhecida na reunião intergovernamental da UNESCO, que decorre na Coreia do Sul

A UNESCO classificou esta quinta-feira como Património Cultural Imaterial da Humanidade a produção dos Bonecos de Estremoz, em barro, uma arte popular com mais de três séculos.

A classificação da "Produção de Figurado em Barro de Estremoz", vulgarmente conhecida como Bonecos de Estremoz, foi decidida na 12.ª Reunião do Comité Intergovernamental da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO) para Salvaguarda do Património Cultural Imaterial, que decorre na Ilha Jeju, na Coreia do Sul, até sábado.

A decisão, que ocorreu pelas 1h05 (hora de Lisboa), foi bastante celebrada pela comitiva portuguesa, que durante os festejos exibiu exemplares de Bonecos de Estremoz.

Presente na sessão, o embaixador de Portugal na Coreia do Sul, Manuel Gonçalves de Jesus, mostrou-se "bastante satisfeito" com o reconhecimento da UNESCO. "Foi uma vitória e desta vez nem foi no futebol, foi numa área muito importante que é preservar aquilo que é muito nosso", disse.

O diplomata saudou ainda os responsáveis da candidatura portuguesa, principalmente os artesãos que produzem os Bonecos de Estremoz.

Na área de Património Cultural e Imaterial da Humanidade estavam inicialmente a concorrer 49 candidaturas, das quais 35 foram aprovadas, tendo no final recolhido parecer negativo 11.

Os Bonecos de Estremoz pertencem a uma arte de carácter popular, com mais de 300 anos de história, tendo sido o primeiro figurado do mundo a merecer a distinção de Património Cultural Imaterial da Humanidade, na sequência da candidatura apresentada pela Câmara Municipal de Estremoz, no distrito de Évora.

A candidatura teve como responsável técnico o diretor do Museu Municipal de Estremoz, Hugo Guerreiro.

Com mais de uma centena de figuras diferentes inventariadas, a arte, a que se dedicam vários artesãos do concelho, consiste na modelação de uma figura em barro cozido, policromado e efetuada manualmente, segundo uma técnica com origem pelo menos no século XVII.

Em Estremoz, trabalham atualmente nesta arte emblemática Afonso e Matilde Ginja, Célia Freitas, Duarte Catela, Fátima Estróia, Irmãs Flores, Isabel Pires, Jorge da Conceição, Miguel Gomes e Ricardo Fonseca.

(Lusa)