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Livraria Lello recorda 93 anos de Mário Soares

Mário Soares numa das suas visitas ao Porto durante o S. João

Inácio Ludgero

Se fosse vivo, o antigo Presidente da República completaria esta quinta-feira 93 anos, que serão assinalados no Porto com a edição de 93 exemplares do livro “Soares sempre fixe!”, com sobrecapa especial concebida por Álvaro Siza para livro de fotografias de Inácio Ludgero

O pretexto é mais um aniversário de Mário Soares. O local de encontro é a livraria Lello, no Porto, onde, a partir das 18h desta quinta-feira, serão postos à venda 93 exemplares do livro “Soares sempre fixe!”, com fotografias de Inácio Ludgero e uma sobrecapa concebida para este evento por Álvaro Siza. Todas as sobrecapas são numeradas e assinadas pelo arquiteto.

Em simultâneo estarão expostas as fotografias de Inácio Ludgero e os esquissos de Álvaro Siza Vieira. A sessão contará com intervenções de Isabel e João Soares, José Jorge Letria, pela Sociedade Portuguesa de Autores, parceira desta iniciativa, Eduardo Lourenço e Guilherme d’Oliveira Martins, autores dos textos que acompanham o livro.

Aí, Oliveira Martins fala de um Mário Soares “profundo conhecedor da história portuguesa, filho de uma personalidade marcante da I República e do mundo pedagógico”, que pôde, “antes da Revolução democrática de 25 de abril de 1974, preparar o terreno para uma ‘República moderna’ onde todos pudessem ter lugar, para além das oposições tradicionais”.

Eduardo Lourenço, num texto intitulado “Retrato de um homem sem pose”, escreve sobre o que imagina possa ter sido a dificuldade de Inácio Ludgero ao “confrontar-se com a imagem de um Homem tão naturalmente sem Pose como Mário Soares, a figura da nossa geração que entraria viva na memória do nosso século como encarnação civil do regresso ao ideal democrático que desde a sua juventude lhe serviam de modelo e de paixão”.

Soares em Paris com Maria Barroso

Soares em Paris com Maria Barroso

Inácio Ludgero

Já José Jorge Letria, presidente da direção da Sociedade Portuguesa de Autores, recorda o longo trabalho do fotojornalista, colaborador da SPA, com obra reconhecida “em Portugal e internacionalmente”. Inácio Ludgero fotografou Mário Soares ao longo de quatro décadas, em campanhas eleitorais, visitas de Estado, “em momentos de reflexão e convívio, dentro e fora da vida política e partidária”. Foi um trabalho intenso, feito à volta de “um otimista que nunca os desaires da política transformaram num cético e num cidadão descrente. A sua imagem pública foi sempre a de quem, com energia e vitalidade, se colocou ao serviço do seu povo e das grandes causas coletivas”, escreve o presidente da SPA.

Nascido na Amadora em 1950, Inácio Ludgero, muitas vezes premiado com os mais importantes galardões na área da fotografia ou do fotojornalismo, ingressou nos quadros do já extinto vespertino “A Capital” em junho de 1972. Dali passou para o também já extinto semanário “O Jornal”. Repórter-fotográfico desde o primeiro número do semanário, para onde entrou no dia 1 de maio de 1975, manteve-se até à sua extinção, em novembro de 1992. Chegou a trabalhar na revista “Visão” e é atualmente “freelancer”.