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Casa da Música apresenta integral das sinfonias de Brukner e dos concertos para violino de Mozart

A Casa da Música terá a Áustria como País-Tema em 2018

alexandre_delmar

Áustria é em 2018, de novo, país tema numa programação que assinala o regresso de grandes pianistas como Sokolov e Alfred Brendel, ou concertos de jazz com John Scofield e Joshua Redman

A abrir, um jogo lúdico. O que podem ter em comum personalidades tão diversas como Freud, Stefan Zweig, Musil, Thomas Bernhard, Fritz Lang, Otto Preminger, Klimt, Schiele, Kokoschka, Romy Schneider, Helmut Berger, Haydn, Mozart, Schubert, Johann Strauss, Franz Lehár, Bruckner, Mahler, Schoenberg, Alban Berg, Webern, Karajan, Alfred Brendel ou Nicolaus Harnoncourt? Outros, ou outro, poderia ser citado, mas lançaria uma desnecessária mancha no que é apenas uma forma de chamar a atenção para a excelência da cultura produzida na Áustria ao longo de séculos. Um pequeno país, de dimensões similares às de Portugal, também católico, tem uma tão vasta e rica produção musical que, depois de já o ter sido em 2010, será no próximo ano de novo o País-Tema na programação da Casa da Música.

Há grandes concertos previstos. Desde logo a integral das sinfonias de Bruckner, com arranque marcado para 12 de janeiro. Sob a direção de Michael Sanderling, a Orquestra Sinfónica do Porto Casa da Música interpreta a sinfonia nº 7. Depois há a integral dos concertos para violino de Mozart. O início, a 21 de janeiro, fica a cargo da Orquestra Barroca e do Coro da CM, com direção musical de Paul McCreesh e Huw Daniel no violino. O programa incluiu ainda o “Te Deum haudamus”, de Mozart e a sinfonia nº 49 de Joseph Haydn. Este primeiro concerto é ainda uma obra muito de juventude de Mozart, pelo que a série arranca verdadeiramente a 10 de março, com o concerto nº 2. O violinista convidado é Benjamin Schmidt, um dos grandes virtuosos da atualidade.

As iniciativas relacionadas com o País-Tema ocupam, por norma, uns 30% da programação e espalham-se ao longo do ano, numa mistura necessária com o resto de uma atividade que vai sempre muito para lá do que possa ser sugerido pelas propostas musicais do país escolhido.

O Regresso de Sokolov e Brendel

Inserem-se aí os habituais ciclos da CM ou as iniciativas regulares, como o Invicta Música Filmes, com a exibição de "Há Lodo no Cais", com música interpretada ao vivo, o Música e Revolução, o Verão na Casa, o ciclo do Barroco, ou o dedicado ao piano, responsável pela presença no Porto dos maiores pianistas da atualidade. Em 2018 há um regresso sempre ansiado. O de Grigori Sokolov, a 10 de abril, às 21 horas. Com concertos esgotados mal são anunciados, Sokolov é um dos raros intérpretes mundiais a quem é reconhecida a faculdade de ser ele a escolher os locais onde aceita tocar. Não dá muitos concertos por ano, mas entre os que dá, tem reservado sempre espaço para uma deslocação à Casa da Música. EM 2018 surgirá um novo ciclo, dedicado à ideia de fantasia.

Outro gigante da interpretação pianística é Alfred Brendel. A idade e problemas de saúde já não lhe permitem recitais com as dimensões convencionais. Assim, a 21 de outubro fará uma palestra-recital intitulada “On playing Mozart”, durante a qual interpretará trechos daquele compositor austríaco e ao mesmo tempo comentará o modo como deve ser interpretada a sua música. Dos novíssimos pianistas, registo, ainda, para uma estrela em ascensão. O sul-coreano Yekwon Sunwoo, que anda a vencer os principais prémios internacionais de piano, estará no Porto a 17 de novembro.

Numa programação vastíssima, que abrange também os serviços educativos e atividades com todos os agrupamentos residentes da Casa, referência final ao ciclo de jazz. Não está ainda completamente delineado, mas é já possível assinalar vários concertos. O trompetista terence Blanchard com o “The E-ColLective” tem presença marcada para 14 de março. A 13 de maio será tempo para John Scofield, guitarrista, e um dos nomes maiores do jazz contemporâneo. Quanto ao saxofone do grande Joshua Redman, poderá ser escutado a 4 de julho, na companhia de Billy Hart, nateria, Ethan Iverson, piano, e Bem Street, baixo.

A Casa da Música mantém o sistema das assinaturas. São 15, no total, para diferentes programas. Em 2018 há três com características especiais: as dedicadas ao País-Tema, às Sinfonias de Bruckner e aos concertos para violino de Mozart. A oferrta alarga-se ao Ciclo de Piano, aos concertos das terças-feiras ao fim da tarde, ao jazz, às séries com a Orquestra, o Remix Ensemble e o Coro, ou aos concertos comentados de domingo de manhã.