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O “Último Da Vinci” já tem novo dono. E custou uma fortuna monumental

PETER FOLEY

Era o único quadro de Da Vinci fora dos museus. A partir da noite desta quarta-feira, e pela maquia recorde de 381,6 milhões de euros, o “Salvator Mundi” mudou de mãos. A sala da Christie's em Nova Iorque foi pequena para tanta comoção. A disputa, entre cinco compradores, durou 19 minutos.

A eletricidade estática parecia sentir-se na sala. Casa cheia para assistir ao leilão do quadro que foi considerado a descoberta do século, quando em 2005 foi revelado ao mundo, após dois séculos sem se lhe conhecer o paradeiro. O "Salvator Mundi", pintura do mestre Leonardo Da Vinci, saltou do ano 1500 para o século XXI como a última jóia escondida da História da Arte.

O facto teve tanta importância no mundo artístico, que na noite desta quarta-feira, quando o quadro foi vendido pelo valor mais alto de sempre (450 milhões de dólares, 381,6 milhões de euros), na Christie's de Nova Iorque, integrava um lote de arte contemporânea de alto nível, em vez de estar remetido para o expectável leilão dos Mestres.

A venda desta obra de arte despertou tamanho interesse que a leiloeira lhe dedicou uma ação de marketing sem precedentes. O "Último Da Vinci", como lhe chamaram, foi disputado por cinco requerentes - quatro ao telefone e um presente na sala. Os maiores "players" norte-americanos do mercado da arte estavam presentes – Eli Borad e Michael Ovitz vieram de Los Angeles, Martin Margulies de Miami, e Stefan Edlis de Chicago.

"O Salvador do Mundo" de da Vinci era o único quadro do Mestre nas mãos de um colecionador privado.

"O Salvador do Mundo" de da Vinci era o único quadro do Mestre nas mãos de um colecionador privado.

JUSTIN LANE

O vendedor, um fundo da família do colecionador russo Dmitry E. Rybolovlev, tem razões para estar contente (tinha comprado o quadro em 2013 por 127 milhões de dólares, 107,5 milhões de euros). Nem o estado da pintura, alvo de vários restauros, nem algumas dúvidas sobre se teriam sido os assistentes de Da Vinci a ultimar o quadro, impediram o "Salvator Mundi" de alcançar o maior recorde de sempre num leilão de arte.

A identidade do comprador é que ainda não foi revelada. Continua-se sem saber se a peça se mantém na velha Europa, onde foi encomendado por Luís XII de França, ou se vai para cruzar oceanos.