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As audiências da Netflix começaram a ser medidas. E nunca mais acabam...

d.r.

A Nielsen tinha prometido e cumpriu: começou a medir as audiências da Netflix e, mesmo que só o faça parcialmente, apresentou resultados sobre a estreia da segunda temporada da série “Stranger Things”. Os resultados são meteóricos, mas a Netflix diz que não estão certos, de todo

Luís Proença

A empresa multinacional de estudos de mercado Nielsen não tinha como não usar as ferramentas de medição ao dispor para rastrear o consumo da Netflix e de outros distribuidores de vídeo por “streaming” nos Estados Unidos (Amazon, Hulu, YouTube, etc.), dado o elevadíssimo consumo presumido face ao número conhecido de utilizadores e subscritores, sob pena de perder a sua relevância enquanto “oráculo” das audiências.

O passo está dado, apesar das insuficiências, e, contas feitas, o primeiro episódio da segunda temporada de “Stranger Things” foi visto por 15,8 milhões de espectadores durante os primeiros três dias, após a estreia – ou disponibilização em catálogo. Não sendo rigorosamente comparável, mas fixando-nos apenas na ordem de grandeza, este episódio entra no top dos mais vistos, a rivalizar com “os campeões de bilheteira” dos últimos tempos no campeonato das séries: “Guerra dos Tronos” e “Walking Dead”.

Uma vez que o negócio da Netflix se funda no retorno que advém pelo pagamento das subscrições mensais pelos assinantes - e não pela exibição de publicidade, como tradicionalmente nas televisões lineares -, nunca foi política da casa revelar consumos e audiências, até porque estes resultados podem acabar por ter impacto, gerar modas, e influenciar as escolhas sobre o que ver.

d.r.

Sem necessidade de apresentar “shares” (quotas de mercado) e “ratings” (percentagem ou número de espectadores), a Netflix foi reservando as suas contagens para consumo interno e definição das suas estratégias de desenvolvimento de novos conteúdos. A Nielsen não tinha como não dar o passo; perante as audiências apresentadas, a Netflix já fez questão de dizer que não são rigorosas, nem de perto nem de longe.

A Nielsen recorreu ao sistema de “áudio matching” instalado nas “setup boxes” de milhares de espectadores que se deram como voluntários para apurar os resultados; a Netflix reclama. Na verdade, o sistema de medição é redutor para o efeito, já que exclui as medições do consumo feito através de dispositivos móveis, como os computadores portáteis, ‘tablets’ ou ‘smartphones’, bem como se restringe a contabilizar apenas o consumo nos Estados Unidos, quando a Netflix distribui para mais de uma centena de países e territórios.

Seja como for, e está bom de ver, os números da Nielsen põem a segunda temporada de “Stranger Things” nos píncaros. 15,8 milhões de norte-americanos viram o primeiro episódio da segunda temporada através da televisão de casa; mais de 360 mil assistiram aos primeiros nove episódios, em regime de ‘binge viewing’ -, nas primeiras 24 horas. A titulo de comparação – dados de audiência da Nielsen -, o primeiro episódio da mais recente temporada da “Guerra dos Tronos” foi visto em televisão linear por 12,2 milhões e quanto a “Walking Dead” fixou-se nos 15 milhões.