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Justiça pelas próprias mãos

Jon Bernthal interpreta Frank Castle em “Marvel — O Justiceiro”

Jessica Miglio/Netflix

A nova série da Marvel não estava nos planos da Netflix, mas o sucesso da personagem de Jon Bernthal levou 
a plataforma de streaming 
a ceder ao gigante 
da banda desenhada. 
“Marvel — O Justiceiro” estreia-se na sexta-feira da próxima semana

A sua sede é de vingança, ou quando muito de justiça, embora a sua noção desta seja bastante diferente da dos demais. Não é um super-herói como os outros. Nem podia ser. “O Justiceiro” até quase podia ser um vilão ou um anti-herói, mas também não era isso que a Marvel procurava quando o criou. A editora de banda desenhada queria uma personagem capaz de transportar as histórias para um tempo mais presente e foi exatamente isso que aconteceu. Estávamos no ano de 1974 e se na altura “O Justiceiro” marcou uma nova etapa nos comics, agora é tempo de “Marvel — O Justiceiro” mostrar a sua força na televisão.

Para Jeph Loeb, produtor de televisão e diretor da Marvel Television, “o estereótipo tradicional de herói ou anti-herói da Marvel era alguém cuja vida tinha sido tocada por uma tragédia ou por um acontecimento inesperado e que voltava para lutar contra a injustiça”, algo diferente do que acontecia agora com o Justiceiro. “Considerando a época em que foi criado, era uma personagem para quem matar seria normal.” Contra o que muitos esperavam, esta grande barreira da ficção da Marvel acabava de ser ultrapassada com sucesso, com a comunidade de fãs desta BD a crescer de forma rápida e a consolidar-se. Embora noutros moldes, foi o que aconteceu no serviço de streaming Netflix.

A personagem interpretada por Jon Bernthal na segunda temporada de “Marvel — Demolidor” ganhou importância e rapidamente se percebeu que havia espaço para uma série centrada apenas em Frank Castle. Não estava nos planos iniciais — é preciso voltar a 2013 para perceber como o universo Marvel se tornou maior do que seria esperado —, mas era preciso mudá-los para responder à realidade. Em marcha estavam apenas as temporadas iniciais de “Marvel — Demolidor”, “Marvel — Jessica Jones”, “Marvel — Luke Cage” e “Marvel — Punho de Ferro”, à qual se seguiria “Marvel — Os Defensores” (com os quatro super-heróis a atuarem em conjunto), mas o universo televisivo da Marvel acabaria por expandir-se.

Jon Bernthal integrou o elenco da segunda temporada de “Marvel — Demolidor” como Frank Castle/O Justiceiro e o impacto da sua personagem levou a que Jeph Loeb voltasse à mesa de negociações com o gigante do streaming. “Assim que esta personagem apareceu, e depois de termos começado a ver a interpretação de Jon, tornou-se evidente para nós que existia espaço para que tivesse a sua própria série, pelo que apresentámos esta ideia à Netflix. Ficámos felicíssimos por a Netflix ter concordado.” A história do homem que perdeu a família e que jurou vingança àqueles que a assassinaram será agora contada de forma autónoma, numa produção onde a ação não vai faltar.

Em “Marvel — O Justiceiro”, Frank Castle (Jon Bernthal) continua a ser um homem sem poderes especiais, o que faz dele um dos super-heróis mais próximos do público, mas isso não o vai impedir de agir. Há uma conspiração, muito maior do que alguma vez imaginara, em curso e é preciso evitar que esta tome Nova Iorque como um todo. É por esse caminho que a série seguirá, sem que Castle alguma vez se confunda com outras personagens dos Defensores da Marvel.

“A nossa intenção não foi criar uma personagem que tenta libertar Hell’s Kitchen dos criminosos. Isso nem sequer é importante para ele. Assim como também não é importante para ele salvar o dia. O seu único objetivo era encontrar quem matou a sua família e vingar-se.” É com estas palavras que, em declarações enviadas ao Expresso, o protagonista Jon Bernthal descreve a personagem, mas o ator vai além disso e levanta o véu sobre o que se seguirá. “Nesta série vamos descobrir que ele tem uma missão e que tem um objetivo vital a atingir. Porém, ele vê-se confrontado com o que terá de fazer para o conseguir” e isso vai pô-lo em dúvida. Também Jon Bernthal teve de enfrentar alguns desafios durante a produção.

AÇÃO E MUITO SANGUE

“Marvel — O Justiceiro” é uma série ainda mais física do que as anteriores e não havia forma de fugir às cenas de ação protagonizadas pelo ator norte-americano. Frank Castle não usa máscara e, embora houvesse um duplo para as cenas mais arriscadas, Bernthal acabou por participar em todas elas. “Tenho de dar muito mérito ao Jon pela forma como ele se envolveu com os aspetos físicos da série”, expressa Loeb, que já havia percebido a entrega do ator em “Marvel — Demolidor”.

Foram necessárias muitas horas de treino, ou não fosse Castle um miliciano popular com formação militar, que tem na sua força e agilidade os seus trunfos na hora de matar. Será também aí, nessa capacidade de criar arte a partir da violência, que reside parte do entretenimento da série e quem o confirma é Steve Lightfoot, showrunner de “Marvel — Demolidor”. “Neste tipo de série, e porque temos uma personagem que atua como milícia popular, existe um certo gozo dos filmes de ação em ver como é que ele elimina os seus inimigos.”

Para dar uma ideia do que se pode esperar da série, Loeb prefere fugir aos pormenores do argumento e lançar antes as imagens de filmes que terão inspirado a produção. “Podemos dizer que esta série é uma mistura entre os filmes ‘Jason Bourne’, ‘Sniper Americano’ e ‘Os Três Dias do Condor’, o que se traduziu numa excelente oportunidade para mostrar muito mais do que apenas um thriller sobre conspirações ou um filme de tiroteio e de mortes.”

Com produção executiva de Steve Lightfoot, Jim Chory e Jeph Loeb, “Marvel — O Justiceiro” é uma coprodução da Marvel Television e dos ABC Studios, criada em exclusivo para a Netflix. A série tem estreia marcada para a próxima sexta-feira, com os 13 episódios da primeira temporada a ficarem disponíveis em simultâneo no Netflix.