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Maria Callas, 40 anos depois

Quando passam 40 anos sobre a morte da grande cantora lírica, uma grande exposição em Paris evoca a sua carreira e a sua vida agitada

Maria Cecília Sofia Ana Kalorgeropoulou nasceu em 1923 em Nova Iorque e tornou-se famosa como Maria Callas. Foi uma das maiores cantoras de ópera de todos os tempos e hoje, 16 de Setembro, quando passam 40 anos sobre a data da sua morte, a cidade onde passou os seus últimos dias homenageia-a: abriu nos arredores de Paris a exposição “Callas by Maria” patente no museu la Seine Musicale (na ilha Seguin, em Boulogne Billancourt, metro Pont de Sevres, a sul da capital francesa).

Ficará patente até 14 de Dezembro e incluirá, além de gravações de algumas das mais famosas aparições nos palcos, imagens de filmes pessoais da cantora feitos no formato Super 8, o vestido que usou na récita de Norma em Paris e o quadro fetiche que deixava sempre no camarim antes das actuações.

Callas teve o ponto alto da sua carreira na década de 50, começando a declinar, tanto em termos de voz como de saúde, a partir de meados dos anos 60, à medida que a sua vida pessoal se complicava, enredada numa desgastante relação com o milionário grego Aristóteles Onassis.

O que fazia a diferença nesta soprano não era o timbre, a beleza da voz ou a técnica, ainda que se preparasse para os papéis com um rigor absoluto. Era a sua tremenda capacidade de interpretação que fazia com que se fundisse com as personagens, ao ponto de, uma vez no Scala de Milão, ter tido um desaguisado com um maestro nas cenas finais da Traviatta. Este repreendeu-a por cantar um tom abaixo e a Callas respondeu que se a Violetta estava a morrer tuberculosa não se podia esperar que tivesse uma voz cristalina…

A tudo isto juntava a versatilidade, o que levou o grande maestro e compositor Leonard Bernstein a dizer “esta mulher é a Bíblia da ópera, consegue cantar tudo”.

Em 1964, separada de Onassis e já com problemas de voz, Callas voltou ao Covent Garden de Londres para a sua última grande aparição pública na Tosca de Puccini, encenada por Franco Zeffirelli. Uma versão filmada a preto e branco passou dia 10 de Setembro no canal francês Arte. Poucos meses antes tinha interpretado o mesmo papel no Metropolitan de Nova Iorque, com cujo director se incompatibilizara. Este, Rodolf Bing diria mais tarde: “Não é que tenha cantado bem, mas isso não interessa nada. Nunca tinha havido uma Tosca assim…”

Doente e deprimida pelo casamento de Onassis com Jacqueline ex-Kennedy, Maria Callas deixou este mundo aos 53 anos, rodeada por calmantes e anfetaminas, no seu apartamento da avenida Georges Mandel em Paris a 16 de Setembro de 1977. Se a quiser recordar no seu melhor oiça-a na ária Casta Diva da Opera Norma de Bellini.