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O frio a chegar

Por aqui, voltamos a ter canções. Não são playlists como antigamente, gravadas em cassetes saudosas, mas vêm com o mesmo amor e devoção dessas playlists de outrora

Uma playlist de Cristina Margato

Tinha de começar com um dos meus deuses. Um daqueles que está comigo desde o tempo em que começamos a achar que somos gente. David Sylvian com quem faria várias listas, abordando as suas múltiplas vidas, desde os Japan do final dos anos setenta e do início dos anos 80, altura em que os ouvi, passando pelos seus cruzamentos com Ryuichi Sakamoto, Robert Fripp, King Crimson até algo tão diferente como “There's a Light That Enters Houses with No Other House in Sight” (uma longa e única composição onde colabora com o poeta Franz Wright).

David Sylvian tem quase tantos anos de carreira como eu de vida, e nunca parou de se reinventar. Os meus ouvidos seguiram naturalmente essa tendência, e é, por isso, que posso dizer que nunca fiquei presa a uma época. As minhas canções, as minhas músicas, nunca poderão caber numa lista tão curta, e tão afunilada como esta que escolho fazer aqui. Mas é dessa herança de David Sylvian que parto para chegar a paixões mais recentes, como é o caso dos dinamarqueses Efterklang, dos quais escolho uma das composições de “Piramida”, um álbum inspirado numa recolha sonora feita num dos lugares mais áridos do mundo.

Seguem-se os London Grammar, Ásgeir Trausti, que tanto pode cantar em islandês como em inglês, Benjamin Clementine, a dispensar quaisquer palavras, ou Peter Broderick que me ajuda sempre a viajar, mesmo, de olhos abertos.

Podia haver também um tema de Scout Niblett, mas o Spotify tem pouco dela para nos oferecer. Podia incluir tantas coisas mais, como The National, The XX, Alt-J, Daughter, Sharon Van Etten, The War on Drugs...

Decido, porém, voltar aos mais antigos (deixando de fora nomes como os de Portishead, Nick Drake, Low, Tortoise e mais umas quantas bandas do chamado pós-rock cujos CD's gastei) para lembrar a nostalgia de ‘Katy Song’ dos Red House Painters, a vertigem de Goldfrapp, com o belíssimo tema 'Drew', ou a irrepetível e inesquecível Lhasa de Sela, a anunciar-nos a chuva, como som de fundo.

Acabo, finalmente, com os Lamb, ao vivo, como teremos oportunidade de os ver por cá nos Coliseus de Lisboa e Porto, em novembro.

São eles que nos embalam neste fim de lista que já não é de verão. E é só uma pequena lista, uma 'listinha', que antecipa o frio a chegar.