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Consumidores duplicam todos os anos o tempo que passam a ver YouTube no televisor da sala

O YouTube anuncia ter alcançado 1.500 milhões de utilizadores por mês. Grosso modo, um em cada cinco habitantes do planeta acede pelo menos uma vez por mês à mais popular plataforma digital de vídeos, propriedade da Google. Utilizadores ligam-se cerca de 60 minutos por dia através dos telemóveis e dos tablets

Luís Proença

O YouTube anuncia ter alcançado 1.500 milhões de utilizadores por mês. Grosso modo, um em cada cinco habitantes do planeta acede pelo menos uma vez por mês à mais popular plataforma digital de vídeos, propriedade da Google. Sundar Pichai, o Chief Executive Officer (CEO) da Google, esclareceu durante a mais recente apresentação de contas que os utilizadores se ligam cerca de 60 minutos por dia através dos telemóveis e dos tablets.

A via de acesso ao YouTube que mais rapidamente cresce por estes dias é, porém, o ecrã maior que habita na sala de estar, em geral: o televisor. “O tempo de visionamento do YouTube através dos ecrãs de televisão quase que duplica de ano para ano”, esclarecem os responsáveis do YouTube.

O incremento foi de 90% em 2016, quando comparado com 2015, e a estimativa de crescimento para 2017 situa-se na mesma ordem de grandeza percentual. O fenómeno deve-se sobretudo à conjugação combinada da popularização global do YouTube com o crescente número de casas que dispõem de televisores ligados à internet e eletronicamente habilitados para ativar apps diversificadas, o que vem facilitar o streaming.

A tecnologia não é razão que baste, no entanto. Este ano, o YouTube entendeu virar a agulha e já não depender apenas dos “short form vídeos” (vídeos de curta duração) para fazer vida e capitalizar receitas publicitárias. A aposta no recurso aos criadores e talentos de conteúdos da “velha escola” televisiva, com padrões de qualidade exigentes e elevados, é cada vez mais alta.

O sucesso deste investimento na guerra pelos espectadores face aos gigantes do streaming já instalados, como a Netflix ou a Amazon, por exemplo, e aos novos “players” nesta contenda, como a Apple TV (recém-chegada) e o Facebook e o Twitter (a caminho a passos largos), ainda está por provar.

O aumento dos acessos e do consumo do YouTube na sala de estar poderá ajudar a sustentar este movimento em direção aos conteúdos profissionais. A sala de estar e a experiência do visionamento através do televisor gera mais conforto e, portanto, maior tempo de consumo comparativamente com os dispositivos móveis, logo permite criar mais e maior retorno financeiro na difusão de publicidade.

Americanos passam a medir audiências do YouTube TV

Nos Estados Unidos, os anunciantes do universo digital já estão a reagir a esta mudança e a canalizar mais investimento. Para “ajudar à festa”, a Nielsen, a empresa que mede as audiências televisivas dos norte-americanos, anunciou que vai passar a incluir o YouTube TV (bem como a Hulu) na contabilização diária de quem vê o quê, através da televisão da sala, uma ferramenta crítica para aferir os “ratings” dos novos distribuidores de vídeo que cada vez mais estão dentro de portas.

“All in one”, a plataforma de vídeo passou a incluir um serviço de mensagens e de partilha, na versão para dispositivos móveis, que permite trocar vídeos e mensagens escritas entre amigos (ou grupos de amigos). A nova função trabalha de forma muito semelhante ao serviço de mensagens do sistema operativo Android: ao partilhar um vídeo com um ou vários dos contactos, é possível “conversar” (por escrito) sem ter de desligar a aplicação.

Os utilizadores também podem responder a uma partilha de vídeo com outro vídeo, clicando simplesmente num ícone de pesquisa para encontrar o filme que desejam enviar. Esta função estava apenas disponível no Canadá desde o início do ano. Passa agora a poder ser utilizada em todo o mundo.

Mais do que acrescentar um novo serviço de mensagens para fazer frente aos principais concorrentes neste território, a Google terá optado por desenvolver esta solução para reter e manter os utilizadores do YouTube ligados o maior tempo possível à plataforma, a ver e partilhar o maior número de vídeos possível.