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Como o homem dos dois circunflexos foi parar a “Narcos”: a nova vida de Pêpê Rapazote (perdão, Chepe Santacruz Londoño)

d.r.

Pêpê Rapazote é um dos nomes que se destaca na terceira temporada de “Narcos”, com estreia marcada para 1 de setembro no Netflix. O ator português vai interpretar Chepe Santacruz Londoño, um dos poderosos reis da cocaína do cartel de Cali. Pablo Escobar chamava-lhes ‘malparidos’

As audições são o tudo ou nada na vida de grande parte dos atores - e Pêpê Rapazote não é exceção. O ator, que no último ano estava a gravar “A Rainha das Flores” para a SIC, acabou por ter de dizer um adeus precoce à ficção nacional, naquela que viria a ser a entrada numa das produções mais secretas do universo Netflix. “Narcos”, que nas primeiras duas temporada se centrou na história de Pablo Escobar, vai seguir em frente — durante pelo menos mais dois anos — e o ator português é um dos nomes associados ao projeto.

Se os traficantes de droga são, não raras vezes, traídos pelos telefones, os atores só esperam que estes toquem com boas notícias. E de preferência para papéis interessantes em produções internacionais.

Chepe Santacruz Londoño não é o seu primeiro papel fora de portas — em 2013 teve uma participação especial na série norte-americana “Shameless”, por exemplo — mas dar vida ao narcotraficante que “dirige o império satélite de Nova Iorque da rede colombiana” pode abrir espaço para novos formatos de maior escala. Em conferência de imprensa aquando da saída da telenovela da SIC — até ao fecho da edição desta segunda-feira, o Expresso Diário não conseguiu contactar o ator através das suas páginas oficiais —, Pêpê Rapazote explicou que é mesmo através de audições que quase tudo acontece.

“Aquelas em que tenho tido mais sucesso são gravadas cá e enviadas”, pelo que “não há qualquer influência de qualquer espécie”, desmistifica. “O meu agente nos Estados Unidos diz-me: ‘Pêpê, grava aí isso’. Eu gravo, ele envia para o diretor de casting e, a partir daí, é com eles. Tudo o que tenho conseguido tem sido assim”, explica. Atualmente, Pêpê Rapazote é agenciado nos EUA por Guy Kochlani, CEO e fundador da Across the Board Talent Agency.

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DE MEDELLÍN PARA CALI

Agora, e com um valor estimado de sete milhões de dólares (quase seis milhões de euros) por episódio, “Narcos” está de volta, para contar o que se segue à morte de Pablo Escobar, com a DEA no encalço de uma nova organização. O cartel de Cali, dirigido “por quatro poderosos barões”, “funciona de forma muito diferente do de Escobar, preferindo subornar funcionários do governo e manter as suas ações violentas fora das manchetes dos jornais”.

d.r.

O que se conhecerá nos primeiros capítulos é ainda mistério — o Expresso ainda não teve acesso aos episódios disponibilizados à imprensa antes da estreia —, mas é já certo que o protagonismo será dado a personagens novas, que se juntam à de Pêpê Rapazote. Damian Alcázar será Gilberto Rodriguez Orejuela (líder do cartel de Cali, o “Chefe dos chefes”), enquanto Francisco Denis vai dar corpo ao irmão, Miguel Rodriguez Orejuela, considerado o cérebro por trás de toda a operação. Alberto Ammann dará vida a Pacho Herrera, homem que gere as ligações ao México, assim como a distribuição internacional.

Além do elenco principal, formado pelos quatro nomes maiores do cartel de Cali, a terceira temporada de “Narcos” conta ainda com outras personagens. A seu tempo se perceberá tudo o que estará em causa, mas já é certo que darão maior densidade à ação e que vão dificultar a vida ao agente da DEA Javier Peña (Pedro Pascal, que transita dos anos anteriores). Os atores Matias Varela, Michael Stahl-David, Matt Whelan, Miguel Ángel Silvestre, Kerry Bishe e Arturo Castro também já estão confirmados na produção.

PROLONGAR O SUCESSO

Em setembro do último ano, a Netflix confirmou que o seu “Narcos¨ original seria renovado para mais duas temporadas (a terceira e a quarta), depois de grande parte do público considerar que a série terminaria com a morte de Pablo Escobar. Não seria assim e José Padilha, showrunnner da série durante a segunda temporada, já havia dado a entender esse caminho. “A série não é sobre Pablo Escobar”, mas sim “sobre traficantes que vendem cocaína”.

Para o produtor-executivo Eric Newman, havia “um motivo para que se tivesse chamado ‘Narcos’- e não ‘Pablo Escobar’ à série” -, mas não era certo que o caminho fosse este. Para fugir ao estabelecimento de qualquer prazo para a conclusão da série, Eric Newman expressou, à época, que ainda teriam um grande caminho pela frente. “Vamos parar quando o tráfico de cocaína acabar”, disse em Los Angeles, num evento dedicado à série.

A terceira temporada de Narcos, composta por oito episódios, tem estreia marcada para 1 de setembro, no serviço de televisão por streaming Netflix.