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Cultura

O Porto à varanda

O Festival Varandas está de regresso ao Porto até ao final do mês Foto Pedro Figueiredo/Porto Lazer

Pedro Figueiredo/Porto Lazer

A capacidade inventiva da cidade para criar eventos singulares tem-se revelado um importante fator de diferenciação no tocante à oferta cultural. Há projetos moldados por grande originalidade e já bem embrenhados no imaginário do comum dos cidadãos.

Um dos casos paradigmáticos é o festival “Nos em Debandada”. Realiza-se há vários anos nos primeiros dias de setembro e tem proporcionado um reencontro muito feliz entre a cidade e quem a visita por aquela altura, com concertos de acesso livre nos mais inesperados locais, como um carro elétrico, igrejas, ou espaços menos convencionais, nunca antes imaginados para um espetáculo. Costumam participar os principais artistas portugueses ligados a todos os géneros musicais. A festa arrasta multidões e espalha-se pelas ruas e praças da cidade.

Este ano não haverá “Debandada”. As explicações dadas pela Câmara Municipal do Porto, parceira da NOS na organização, são, no mínimo inusitadas.

A autarquia justifica esta tomada de decisão com a “ausência de datas que não colidam com uma série de outros eventos para a cidade e que atirariam a realização do evento para o período de campanha eleitoral para as autárquicas 2017.” A explicação dada é de uma enorme fragilidade e difícil de entender, tanto mais que o executivo portuense não deixa de reconhecer a “grande importância para a cidade” do festival. Mesmo assim considera “prudente a sua não realização em 2017.”

As varandas da cidade são o palco dos espetáculos Foto Nuno Fangueiro/Porto Lazer

As varandas da cidade são o palco dos espetáculos Foto Nuno Fangueiro/Porto Lazer

Nuno Fangueiro/Porto Lazer

Insondáveis são os caminhos contidos numa nota camarária. A mesma atitude de extrema prudência parece não ter afetado ainda um outro festival de características únicas, até por aproveitar uma das marcas de identidade do Porto, em particular no centro histórico: as varandas.

Está já em marcha uma nova edição do “Festival Varandas”. Além de por o público a olhar para espaços tão nobres e tão ignorados como são as varandas, oferece até o próximo dia 25 um conjunto de iniciativas subordinadas ao tema “Lusofónico”. A língua portuguesa, contada e cantada nas suas variantes, será o ponto de união entre todas as iniciativas, mesmo quando estão envolvidos cavaquinhos, cante alentejano, ou cantares africanos e brasileiros.

Com exceção deste fim de semana, que inclui uma sessão para os mais novos no sábado de manhã, nas restantes datas haverá sempre uma sessão dupla. Inclui um conto às 19 horas e um tempo para o canto a partir das 22 horas.

Ao contrário do sucedido no ano passado, com toda a programação concentrada na zona de Miragaia, o festival volta a espalhar-se por várias ruas da baixa. Abriu esta sexta-feira na Praça Filipa de Lencastre, 175, com Magano, um grupo com Sofia Ramos (voz e percussão), Nuno Ramos (voz e viola) e Francisco Brito (contrabaixo), apostado em valorizar o cante alentejano.
O certame regressa a 11, 18 e 25 de agosto e, se outras vantagens não tivesse, impor-se-ia sempre pelo desafio contido na ideia de por o Porto à varanda. Além de ser uma outra forma de olhar a cidade é, também, um modo diverso de colocar a cidade a olhar para si própria. À varanda.