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A Guerra dos Tronos: o que está a mudar

A sétima e penúltima temporada de “A Guerra dos Tronos” — série criada por David Benioff e D. B. Weiss a partir da saga “As Crónicas de Gelo e Fogo” de George R. R. Martin — estreou na segunda-feira (SyFy). À medida que a trama avança e se distancia do guião original (esta é a primeira temporada completamente independente dos volumes escritos por Martin, uma vez que “Os Ventos de Inverno” continuam por terminar), as dúvidas sobre o caminho a seguir crescem e é preciso um cuidado redobrado na construção do argumento. Que nada se tema: George R. R. Martin continua a supervisionar toda a história.

As informações sobre a nova leva de episódios ainda são escassas (voltou a não ser enviada qualquer cópia do capítulo inaugural para a imprensa, por culpa das fugas de informação), mas há alterações de relevo na produção que merecem ser explicadas. Pelo sétimo ano na grelha de televisão norte-americana, a série-âncora da HBO mudou de formato e foi obrigada a alterar também a data de estreia (adiada de abril para julho, fruto de alterações nos períodos de rodagem). Ambas as decisões foram tomadas por opção criativa.

Esta sétima temporada será composta por apenas sete episódios de uma hora, em vez dos 10 a que os telespectadores estavam habituados, mas começam também a abrir-se portas para o final, a acontecer na oitava temporada. A última temporada da série terá ainda menos episódios (seis), mas estes terão uma duração superior a 80 minutos, próxima da de algumas longas-metragens.

Na verdade, pouco se sabe sobre o que esta sétima temporada reserva, mas as sinopses curtas dos primeiros três capítulos já foram divulgadas e estão em linha com os filmes promocionais. Pelo que até agora foi mostrado, parece que Daenerys (Emilia Clarke) será uma das personagens principais das próximas semanas, mas nos bastidores há um nome em falta. Miguel Sapochnik, realizador da épica ‘Batalha dos Bastardos’ da última temporada, ainda não figura na lista de realizadores deste ano.

A entrada nesta nova fase da história faz-se com um episódio escrito pelos criadores David Benioff e D. B. Weiss e realizado por Jeremy Podeswa e cujo título ‘Dragonstone’ é bastante familiar. A antiga base Targaryen e que esteve sob domínio de Stannis Baratheon (Stephen Dillane) foi o lugar de nascimento de Daenerys. É tempo de regressar à terra-natal, enquanto Jon Snow (Kit Harington) estará a “organizar a defesa do Norte” e a agora rainha Cersei Lannister (Lena Headey) terá de provar de que fibra é feita. Segue-se ‘Stormborn’, um episódio escrito por Bryan Cogman e com realização de Mark Mylod que remete para um dos nomes pelo qual a Mãe dos Dragões — nascida durante uma tempestade — é conhecida. De acordo com a HBO, vai receber um “visitante inesperado”. Quanto a ‘The Queen’s Justice’ (argumento de David Benioff e D. B. Weiss, realização de Mark Mylod), nome do terceiro episódio da temporada, é o que levanta mais questões. Estaremos perante o desfecho da história de alguma personagem? Ainda é cedo para perceber, mas terá Daenerys, Cercei Lannister e o irmão Jaime (Nikolaj Coster-Waldau) como protagonistas.

Aos atores fixos, que se mantêm no elenco a cada novo ano, juntam-se agora novas participações especiais e uma delas já foi mesmo confirmada. Os produtores executivos de “A Guerra dos Tronos” chegaram a acordo com Ed Sheeran para que este participasse na série e o seu papel já é conhecido. O músico britânico, ídolo de Maisie Williams (que interpreta Arya Stark, também em destaque nesta temporada), vai contracenar com a atriz numa cena musical em que canta para ela. O nome do episódio em que tal acontecerá ainda não foi divulgado, mas a participação deverá seguir os moldes do passado. Esta não é a primeira vez que a série conta com performances musicais (com os islandeses Sigur Rós, o baterista dos Coldplay, Will Champion, ou o vocalista e guitarrista dos Snow Patrol, Gary Lightbody, a já terem figurado entre os convidados).

Numa altura em que se discute o final da série e o que poderá suceder-lhe, George R. R. Martin está já a trabalhar em soluções para dar continuidade às suas histórias no pequeno ecrã. O canal norte-americano HBO já revelou que tem uma equipa de argumentistas a estudar possíveis spin-offs de “A Guerra dos Tronos” e o criador da saga literária avançou que já existem cinco conceitos em desenvolvimento. Certo é que não passarão por sequelas centradas em determinada personagem da série televisiva, com as atenções a virarem-se para histórias autónomas e anteriores. De acordo com George R. R. Martin, que prefere o termo ‘programa sucessor’ a ‘prequela’, a nova produção (ainda sem qualquer data de estreia divulgada) pode nem sequer passar-se em Westeros. A cada série que morre há outra que nasce.

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