Siga-nos

Perfil

Expresso

Cultura

Marty Byrde meteu-se com as pessoas erradas. “Ozark” é o seu último recurso

Jackson Davis/Netflix

A série, com assinatura de Bill Dubuque e Mark Williams, conta a história de um consultor financeiro de Chicago obrigado a abandonar a cidade com a família. O drama criminal estreia-se na próxima sexta feira no Netflix

A família é como uma microempresa. E uma microempresa às vezes precisa de fazer uma transição. E quando se faz uma transição, não se deve gastar nem exagerar.” É assim, em poucas palavras, que Marty (Jason Bateman) explica aos filhos o momento pelo qual estão a passar. Abandonaram Chicago e a vida estável que tinham por um local que nada lhes dizia — estão a viver num motel quando poderiam estar hospedados num Marriott, como sempre tinham feito — mas a razão da mudança não foi contada às crianças. Acabarão por a descobrir.

Os pais disseram-lhes apenas que tinha de ser, que não havia outra opção, e rumaram a sul tão rápido quanto possível. Em causa estaria uma oportunidade na carreira do pai, mas no fundo todos sabiam que essa não podia ser a verdade. Entretanto, haviam feito uma viagem de mais de sete horas em que percorreram 450 milhas (mais de 720 quilómetros) de carro e já tinham chegado à região do lago de Ozarks, no Missouri, sem que a verdade subisse à tona.

Jackson Davis/Netflix

A garantia de que a vida dos Byrde nunca mais seria a mesma estava dada e Marty sabia disso como ninguém. Para trás ficava o bulício da grande cidade, onde trabalhava como consultor financeiro, e a calma próxima dos arredores, onde os quatro viviam. Para a frente, só havia incerteza. Era preciso que Charlotte (Sofia Hublitz) e Jonah (Skylar Gaertner), os filhos que o executivo partilhava com Wendy (Laura Linney), se adaptassem à nova vida enquanto o chefe de família lutava pela sobrevivência. Não será fácil, mas a realidade e as escolhas feitas por Marty ao longo dos tempos assim ditaram. O lago de Ozarks é mesmo o seu último recurso.

Há muito que Marty vivia entre a luz e a sombra (ao trabalho como consultor financeiro tinha juntado a tarefa de lavar dinheiro para um barão da droga), mas foi depois de Del Rio descobrir que o seu sócio Bruce Liddell (Josh Randall) o estava a enganar que tudo se complicou. Liddell foi eliminado e Marty salvou a pele com uma condição. Terá de recuperar os oito milhões de dólares desviados pelo antigo colega e devolvê-los a Del Rio, sem deixar qualquer rasto. A missão é arriscada e só num local remoto seria possível agir sem ser notado. A região rural do lago de Ozarks acaba de revelar-se o lugar ideal para entrar em ação.

Regresso às origens

Bill Dubuque, o cocriador de “Ozark”, sabia que havia algo de especial naquela zona dos Estados Unidos e conhecia-a como ninguém. Foi junto ao lago que passou a sua juventude e a relação com a região mantém-se até hoje. O argumentista, a viver em St. Louis, também no Missouri, teve casa no lago de Ozarks durante 25 anos e alguns dos cenários da série também lhe são familiares. A título de exemplo, conta o showrunner Chris Mundy, “o Blue Cat Lodge é na verdade baseado num local em que o Bill e o irmão trabalharam”. O The Alhana Resort era um pequeno motel junto ao lago — com um restaurante e um ancoradouro onde os barcos se abasteciam —, mas era lá que Bill ganhava algum dinheiro todos os verões, durante a faculdade.

Foi à sua vida que o argumentista foi buscar parte da inspiração para a série, mas houve outros nomes a contribuir para a história, a começar pelo showrunner. O responsável pela série foi convidado para o projeto em outubro de 2015, mas na altura Mundy ainda estava a trabalhar em “Bloodline” (cancelada pela Netflix ao fim de três temporadas) e não podia dedicar-se a “Ozark” como pretendia. Entretanto, o argumentista acabou por conseguir espaço na agenda para a nova série e começou a desenvolvê-la. Na equipa de argumentistas contou com alguns dos nomes mais reconhecidos do argumento televisivo. Ryan Farley (de “Justified”), Whit Anderson (de “Marvel — Demolidor”), Alyson Feltes (de “The Firm”), Martin Zimmerman (de “Narcos”) e Paul Kolsby foram os escolhidos de Mundy.

Tina Rowden/Netflix

Ainda em declarações a propósito da série, o showrunner conta como esta relação que a série estabelece com o dinheiro não passa de um retrato de “uma condição bastante humana” e explica qual o interesse da temática para uma produção como esta. Não queriam “ficar muito presos à mecânica do dinheiro”, uma vez que o interesse principal era “desejo emocional” de ter mais. “O que motiva as pessoas para isso?”, pergunta o responsável, respondendo com outras questões.

“Ozark”, com estreia marcada para a próxima sexta-feira no Netflix, é uma das novas apostas do serviço de streaming. A série, que conjuga o drama familiar com o thriller criminal, é composta por 10 episódios e conta com Jason Bateman, Laura Linney, Sofia Hublitz, Skylar Gaertner, Julia Garner, Jordana Spiro, Jason Butler Harner, Esai Morales, Peter Mullan e Lisa Emery no elenco.

A produção da Media Rights Capital e da Aggregate Films para a Netflix contou com realização de Jason Bateman, Daniel Sackheim, Ellen Kuras e Andrew Bernstein. Até ao momento, a produção de uma segunda temporada ainda não foi confirmada por nenhuma das partes envolvidas no projeto criado por Bill Dubuque e Mark Williams e que contou com Chris Mundy como showrunner.