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As sete questões que preocupam os fiéis da Guerra dos Tronos

Daenerys (Emilia Clarke) será uma das personagens-chave dos primeiros episódios de “A Guerra dos Tronos”

“A Guerra dos Tronos” está de volta à televisão portuguesa — por enquanto com maratonas das últimas temporadas —, mas o Expresso responde já a sete questões que não saem da cabeça dos fãs da história dos sete reinos. Para ler antes que a sétima temporada regresse, na próxima segunda-feira, com sete episódios que se esperam inesquecíveis. Aviso importante: há alguns (mas muito poucos) spoilers no texto que aí vem

“Venha a nós o vosso reino. Seja feita a sua vontade, assim em Westeros como nos céus.” Podia ser esta a oração dos fiéis à série “A Guerra dos Tronos”, mas não é esse o caso. Mesmo que a lealdade à produção televisiva — que adapta a saga criada por George RR Martin — pareça inabalável e sem fronteiras, a HBO optou por não prolongar a série de televisão para lá do razoável. E até já definiu o seu fim, que poderá não ser tão verdadeiro como se julgava à partida. Lá chegaremos.

Por enquanto, “A Guerra dos Tronos” está prestes a estrear a sua sétima e penúltima temporada (segunda-feira, pelas 22h15), mas é possível matar saudades da produção norte-americana mais cedo. O SyFy, canal que tem os direitos da série em Portugal, começou esta terça-feira a transmitir as temporadas anteriores (uma por dia, sempre a partir das 17h). Para marcar a semana em que todos os caminhos vão dar a este mundo fantástico, o Expresso responde a sete das questões que mais preocupam os fãs da série.

1 A sétima temporada vai começar mais tarde e tem menos episódios. Porquê?

Este ano, “A Guerra dos Tronos” está a estrear-se mais tarde do que em 2016 (16 de julho em vez de 24 de abril, nos Estados Unidos) e essa opção não foi clara desde o início. Claro que há muito tempo se ouvia “Winter is coming”, mas desta vez vai mesmo acontecer. David Benioff e D.B. Weiss, criadores e produtores-executivos da série, optaram por adiar as gravações desta temporada e filmarem a série em pleno inverno.
A aposta arriscada (as condições climatéricas adversas podiam levar a atrasos na produção) acabou por ser ganha, com o canal a concordar com a visão dos responsáveis e a agenda a ser cumprida. Espera-se que a vastidão de campos gelados cresça, sem que seja necessário recorrer à tecnologia para criar lugares impossíveis de filmar. Afinal, eles estavam lá para serem filmados. O mínimo que se pede é que a espera tenha valido de alguma coisa.

2 O que levou a produção a diminuir o número de episódios

Sim, são sete em vez de 10 os episódios que compõem esta temporada, mas os verdadeiros fãs já sabiam desta alteração há algum tempo. Este ano, a espera foi maior e o proveito vai ser menor — pelo menos em termos de horas de televisão —, mas tudo tem uma explicação lógica e não está relacionada com a poupança. Cada episódio da última temporada teve o custo estimado de 10 milhões de dólares e é expectável que a fatura tenha voltado a crescer. Em causa estão, uma vez mais, questões criativas.

É verdade que os fãs mais acérrimos não estavam preparados para ver o número de episódios a descer, mas é tudo por um bem maior. Basta uma pergunta para que a opção da HBO passe a ser unânime: preferem uma temporada mais curta ou preferiam que a série terminasse já este ano?

Na verdade, era exatamente disto que se tratava (mesmo que o lançamento dos livros já tenha sido ultrapassado pela chegada das temporadas). A saga literária “As Crónicas de Gelo e Fogo”, na qual a série é inspirada, deverá ter apenas sete volumes e foi com isso em mente que o número de episódios desceu. De acordo com várias fontes ligadas à produção, consultadas pela imprensa norte-americana, esta já era a intenção dos produtores “há vários anos”, mas acabaram por ceder sempre ao canal e aos fãs. Até que a mudança, agora tornada pública, se tornou inevitável. O inédito sétimo volume — até o sexto, “Os Ventos de Inverno”, teima em não sair da pena de George R.R. Martin — foi dividido em dois e a segunda parte só será conhecida na temporada final.

3 Já há informações sobre algum episódio da nova temporada?

A pergunta pode parecer estranha, mas tem o seu fundamento. Até agora não era um exercício impossível tentar adivinhar o que se poderia passar a cada nova temporada, mas chegados a este momento tudo mudou. A sétima leva de episódios é a primeira a distanciar-se, desde o início, da saga de George R.R. Martin e tudo é possível. Neste momento, não há qualquer material publicado que indique um caminho — mesmo que nem tudo tenha acontecido exatamente como nos livros até este ano. A história está por inteiro nas mãos dos argumentistas de David Benioff e D.B. Weiss, sempre sob a supervisão de Martin. A informação sobre o que vai acontecer é escassa (“A Guerra dos Tronos” é uma das produções mais envoltas em secretismo), mas já é possível perceber o rumo dos acontecimentos nos primeiros três capítulos, que terão uma hora de duração.

Na próxima segunda-feira, o tão aguardado primeiro capítulo da sétima temporada conta com um título que remete para um regresso a casa de Daenerys (Emilia Clarke). “Dragonstone”, que conta com argumento dos criadores David Benioff e D. B. Weiss e é realizado por Jeremy Podeswa, foi o nome escolhido para o episódio 61 e lembra-nos algo do passado. Era uma antiga base Targaryen e pertenceu a Stannis Baratheon (Stephen Dillane), irmão do rei Robert Baratheon (Mark Addy) e de Renly Baratheon (Gethin Anthony), personagem da qual nos despedimos na quinta temporada. Deverá ser este o principal aspeto a tratar no episódio inaugural, mas ainda haverá espaço para “Jon [Snow] (Kit Harington) organizar a defesa do Norte” e Cersei (Lena Headey) perceber até que ponto pode ir. O sistema de alianças dos Lannister tem de ser reforçado, mas o que poderá acontecer ainda está fechado a sete chaves. Os segredos estão sempre bem guardados.

Na semana seguinte será a vez de conhecermos “Stormborn”, um episódio escrito por Bryan Cogman e Mark Mylod que se espera mais imprevisível (é tudo um jogo de suposições, uma vez que o canal não disponibiliza episódios à imprensa) que o primeiro. O título não deixa grandes dúvidas: estamos perante mais um capítulo centrado em Daenerys. Foi logo à nascença que a também mãe dos dragões ganhou o seu primeiro cognome, fruto da tempestade que se sentia no dia do seu nascimento (Stormborn), mas desta vez “Daenerys recebe um visitante inesperado”.

A HBO não avançou com qualquer nome para este conviva sem convite, mas são várias as hipóteses em cima da mesa. Melisandre (Carice van Houten) — a sacerdotisa vermelha, que aparece num dos trailers a espreitar das muralhas em Dragonstone — ou Jorah Mormont (Iain Glen), o antigo guardião de Daenerys que teve de se afastar depois de ser infetado com greyscale, são dois dos candidatos mais fortes. É que há um braço muito semelhante ao de Jorah a aparecer num dos vídeos promocionais da série. Na pequena sinopse da HBO, destaca-se ainda a existência de uma revolta, com a qual Jon (Kit Harington) terá de lidar, e uma possível mudança na história. De acordo com o canal, o anão Tyrion Lannister (Peter Dinklage) “planeia a conquista de Westeros”.

Quanto ao terceiro episódio, intitulado “The Queen’s Justice”, é até agora o mais enigmático. David Benioff e D. B. Weiss, que escreveram o episódio realizado por Mark Mylod, decidiram deixar quase tudo em aberto para o capítulo a exibir no último dia de julho em Portugal e os fãs ainda não perceberam o que quererá isto dizer. Será que as rainhas se vão digladiar? Em que moldes? Haverá um tribunal? Não falta muito para que se perceba que justiça é esta e o que está em causa.

4 Quem é que se mantém no elenco e quem são as participações especiais deste ano

Descansem os mais nervosos, porque os nomes mais importantes estão cá todos. Por enquanto. Depois de 150.966 mortes ao longo de seis temporadas, o melhor é não esperar que o ritmo de mortandade baixe mas ainda há esperança para algumas personagens. Kit Harrington regressa ao papel de Jon Snow, agora Rei do Norte, e Sophie Turner mantém-se na pele de Sansa Stark, enquanto Maisie Williams — que parece também vir a ganhar protagonismo nesta temporada — continua a mostrar-nos a evolução de Arya Stark. Isaac Hempstead Wright também permanece nesta sétima temporada como Bran Stark.

Mais do que confirmada estava também a presença de Emlia Clarke, na cada vez mais importante para a história Daenerys Targaryen, com a lealdade de Tyrion Lannister (personagem interpretada Peter Dinklage) a manter-se de pedra e cal. É mesmo o que lhe poderá valer, uma vez que os gémeos Lannister — a agora Rainha Cercei (Lena Headey) e o seu irmão Jaime (Nikolaj Coster-Waldau) — pretendem manter-se no poder (depois da conquista da sexta temporada) a todo o custo.

Num mundo povoado por tantas personagens ao longo dos anos, nem sempre é fácil identificar todos os atores que participaram (ou participam) em “A Guerra dos Tronos”, mas todos os anos há surpresas. Pelo que até agora foi escrito pela imprensa britânica, poderá haver alguns regressos — de personagens que já não apareciam desde as temporadas iniciais —, mas importa olhar também para as novas entradas. Jim Broadbent (o Professor Horace Slughorn de “Harry Potter e o Príncipe Misterioso” e “Harry Potter e os Talismãs da Morte: Parte 2”) é um dos nomes confirmados, sem que seja conhecida a personagem que vai interpretar.

No entanto, há outras personalidades prestes a estrearem-se na série. Algumas a estrearem-se mesmo na representação televisiva. É o caso de Ed Sheeran, ídolo da atriz Maisie Williams (que interpreta Arya Stark) e que terá uma participação especial na nova temporada de “A Guerra dos Tronos”, ao qual se junta o atleta irlandês de MMA Conor McGregor. Ainda sem confirmação oficial está a participação musical dos Bastille (que atuam esta sexta-feira no festival MEO Marés Vivas, em Gaia). Até agora, a série já contou com performances musicais dos islandeses Sigur Rós, do baterista dos Coldplay Will Champion e de Gary Lightbody, vocalista e guitarrista dos Snow Patrol.

5 O que já sabemos da próxima temporada?

Com episódios da sétima temporada ainda em afinação, não é fácil saber o que reserva a temporada final. Não foi sequer divulgada qualquer informação sobre os episódios finais da que está prestes a estrear-se, mas começam a surgir alguns detalhes da derradeira produção. Embora a oitava temporada de “A Guerra dos Tronos” ainda não tenha sequer data para o início das filmagens, sabe-se já que o formato dos episódios vai sofrer alterações.

De acordo com Paula Fairfield, a engenheira de som responsável pela série, a oitava temporada — que será composta por apenas seis episódios — contará com episódios tão longos que se assemelharão a longas-metragens. Fairfield deu as novidades durante a primeira convenção de fãs de “A Guerra dos Tronos”, na cidade norte-americana de Nashville, e foi ainda mais longe. Segundo a responsável, todos os episódios da oitava temporada terão mais de 80 minutos (embora tudo não passe de uma estimativa, uma vez que nada está gravado) e o primeiro capítulo a alcançar essa marca será já o último da sétima temporada. O melhor é esperar para ver.

6 E das supostas histórias paralelas, os spin-offs, o que é que já se sabe?

A HBO já confirmou que tem George RR Martin e uma equipa de guionistas a trabalhar no guião de possíveis spin-offs para a sua série de maior sucesso e não se fala apenas numa história. Serão já cinco, tantos como os argumentistas a tratar do novo projeto secreto da HBO. Ao grupo liderado por Martin e constituído por Max Borenstein (“Kong: Ilha da Caveira”), Brian Helgeland (“Mystic River”), Jane Goldman (“Kingsman: Serviços Secretos”) e Carly Wray (“Mad Men”) ter-se-á juntado um novo elemento, mas o criador da saga literária “As Crónicas de Gelo e Fogo” não quis revelar o nome da mais recente entrada.

“Tínhamos quatro guiões em andamento quando cheguei a Los Angeles na semana passada, mas no final [da semana] já eram cinco”, escreveu o autor no seu blogue pessoal, confirmando a existência de um novo nome na equipa. “Acrescentámos um quinto argumentista aos quatro que já estavam a trabalhar. Não, não vou revelar o nome dele aqui. A HBO anunciou o nome dos quatro primeiros e sem dúvida que vai anunciar o quinto quando estiver tudo fechado”, avançou.

Quanto às histórias, não terão nenhuma das personagens que se conhecem de “A Guerra dos Tronos”, como garantiu George R.R. Martin, demarcando-se de outros programas em que personagens ganham séries autónomas. “Cada um dos conceitos que está em discussão é uma prequela, não uma sequela. Alguns podem nem sequer passar-se em Westeros. Em vez de lhe chamar ‘spin-off’ ou ‘prequela', prefiro o termo ‘programa sucessor’. É o que lhe temos chamado.” Quem estará menos envolvido nesta nova vida da série são os criadores da produção original. Embora se mantenham como produtores-executivos, David Benioff e D. B. Weiss deixarão de participar na escrita do guião dos futuros episódios.

Quanto a datas, ainda não existe qualquer previsão para a estreia destas novas histórias. “Vamos demorar o tempo que os escritores precisarem, como em todos os nossos projetos. Vamos avaliar o que temos quando chegarem os guiões”, explicou um porta-voz da HBO ao britânico “The Guardian”. É ao canal norte-americano que cabe a palavra final, mas fala-se da possibilidade de a prequela estrear ainda antes da última temporada de “A Guerra dos Tronos”.

7 Onde é que as temporadas anteriores estão disponíveis?

O sucesso de “A Guerra dos Tronos” fez dela uma das séries mais pirateadas de sempre — embora a situação tenha melhorado à medida que os episódios passaram a estrear em todo o mundo na mesma altura —, mas agora é tempo de lembrar os episódios anteriores e não há desculpas. Estão todos disponíveis de forma legal, em diversos formatos e plataformas, da televisão aos serviços de streaming, passando pelos mais físicos DVD e blu-ray.

Para os que preferem ver em televisão, o SyFy preparou uma emissão especial para os próximos dias. À primeira temporada, exibida esta terça-feira, juntam-se as seguintes até domingo. As maratonas televisivas — onde cada temporada será exibida na íntegra — começam sempre a partir das 17h e prolongam-se até à uma da madrugada. Quem gosta de ter tudo disponível em streaming pode ver as temporadas 1 a 5 através do NPlay e os que não resistirem ao formato físico podem comprar os packs completos de todas as temporadas AQUI através da Loja Impresa.