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Cultura

Nuno Rodrigues: “Soubemos reinventar-nos!”

Lucília Monteiro

Nuno Rodrigues, da direção do Festival Internacional de Curtas Metragens de Vila do Conde. Este ano o festival celebra 25 anos e é já uma referência a nível mundial

25 anos depois o que se faz para não estagnar?
Soubemos reinventar-nos. Desenvolvemos novos projetos paralelos ao festival, como a Agência da Curta Metragem, a Solar — Galeria de Arte Cinemática, o projeto educativo Animar e, recentemente, o Campus, ligado à produção de cinema. Cada projeto tornou-se autónomo e evitou essa estagnação. Procuramos constantemente construir o futuro do festival.

Quando começaram eram muito novos. Houve convicções que foram caindo?
Nessa altura éramos muito novos e algo ingénuos. Não gosto de ser nostálgico. As novas convicções são muito mais estimulantes!

Vila do Conde também mudou 
por causa do festival?
A recuperação do Teatro Municipal e a Solar são alguns exemplos da mudança, mas o Curtas trouxe também uma nova visão do cinema e outras artes.

Nunca te condicionou ser de uma cidade pequena?
Bem pelo contrário. Para mim seria praticamente impossível envolver-me em tantos projetos se vivesse numa cidade grande e agitada. Tenho qualidade de vida, chego ao aeroporto em 20 minutos e sem dificuldade posso fazer uma das coisas que mais gosto que é viajar.

Há uma geração de novos realizadores que começou por 
se evidenciar aí?
Eu diria mesmo várias gerações.

Depois das longas, poucos querem voltar às curtas. Ou já é diferente?
Agora começa a ser menos assim. Gosto particularmente de Apichatpong Weerasethakul e de João Pedro Rodrigues, que regressam, com grande sentido de liberdade, à curta.

Difícil é contar bem em pouco tempo?
Difícil é contar bem! O fascínio da curta é o facto de se tratar de um espaço de liberdade e de experimentação.

O cinema pode ser só evasão 
ou nunca deve perder a consciência social e política?
Mesmo quando o cinema se manifesta enquanto evasão, contém sempre essa consciência. Prefiro o cinema que se situa na fronteira.

A marca do cinema português 
é mesmo a liberdade?
Sim, esse é o caminho. Não devemos imitar modelos internacionais, com os quais não podemos concorrer. O modelo de financiamento do cinema português permitiu o aparecimento de realizadores muito especiais. Temo que a implementação das atuais decisões políticas possam vir a afetar o rumo do nosso cinema, catalogando e banalizando-o. Não podemos deixar que isso aconteça, apoiando as novas gerações que tão bem têm projetado o país e o cinema português.

Se o tempo fosse curto para 
uma sessão apenas nesta edição, 
qual sugerias?
“The General”, de Buster Keaton. Poesia, humor e contemporaneidade com música ao vivo pela Atlantic Coast Orchestra.