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Planos para o Batalha: € dois milhões para dar nova vida

O emblemático espaço portuense, fechado há 17 anos, terá uma sala secundária para 150 pessoas, um elevador a facilitar a acessibilidade e será recuperado um dos frescos de Júlio Pomar que a censura salazarista mandou tapar. As tardes de cinema devem regressar em 2019

André Manuel Correia

O emblemático Cinema Batalha está de portas encerradas há 17 anos, mas a Câmara Municipal Porto apresentou, esta quinta-feira, o projeto arquitetónico, liderado por Alexandre Alves Costa, para dar uma nova vida ao edifício e transformá-lo na nova casa do cinema da Baixa na Invicta. O investimento será de € 2 milhões e as obras de requalificação devem começar já no verão do próximo ano, com um prazo de execução que aponta para um ano e meio.

O apoio da Cinemateca Portuguesa era considerado preponderante para os novos planos do Batalha, nomeadamente para a futura exibição de cinema de arquivo, mas as reuniões entre Rui Moreira e a direção da instituição resultaram infrutíferas.

O edifício com 70 anos, projetado por Artur Andrade, passará por várias alterações espaciais. Desde logo, destaque para a criação de uma sala secundária com lotação para 150 espectadores, a juntar-se à sala principal que será reduzida para uma capacidade máxima de 600 pessoas, face às 950 do passado. A implementação de um elevador a facilitar a acessibilidade é outra das novidades, além de uma sala de estudo e investigação, um espaço expositivo e a vontade de aproveitar o terraço para criar uma zona de esplanada, com vista para a Praça da Batalha.

Recuperar um dos dois frescos de Júlio Pomar que abrilhantavam o edifício, tapados em 1946 por serem considerados subversivos no período do Estado Novo, é outros dos objetivos principais e ponto de honra.

“Temos vindo a dialogar com o artista e temos falado sobre possíveis formas de intervenção plástica a partir do mural original, num trabalho em articulação com o designer Henrique Cayatte que está a dar apoio a Júlio Pomar do ponto de vista artístico”, explicou Rui Moreira durante a apresentação do projeto para o Cinema Batalha.

Já o arquiteto Alexandre Alves Costa reconhece que a execução “não será fácil, porque o edifício está muito degradado”, mas frisa que “preservar património não é mantê-lo calado” e que se devem procurar “soluções integradas” na coerência formal existente do edificado. Isso levará a transformações espaciais e também técnicas, como por exemplo em aspetos relacionados com a segurança, insonorização ou o conforto térmico, mas principalmente uma melhoria das acessibilidades. “O espaço não está preparado para pessoas com mobilidade reduzida, está cheio de degraus por todo o lado”, vincou o arquiteto.

A fase de licenciamento do projeto deverá ficar pronta até agosto e as obras deverão arrancar no verão do próximo ano, disse Rui Moreira à comunicação social, estimando que o prazo de conclusão ronde os 18 meses, mas garantindo que, antes disso, começará a ser trabalhada a programação, que até poderá vir a ter dois responsáveis. “Ainda a avaliar o modelo e a programação pode ser bicéfala, dada a diversidade de linguagens do cinema”, admite o edil, adiantando que pretende uma programação “musculada” e para a qual serão disponibilizados 250 mil euros por ano.

O projeto, explica Rui Moreira, assenta em três eixos basilares: conhecimento, inovação e memória. A juntar isto, o autarca realça que o serviço educativo será uma das componentes primordiais no novo figurino que está a ser desenhado para o Cinema Batalha.“O apoio da Cinemateca seria incontornável neste projeto”, reconhece o presidente da Câmara Municipal do Porto.

“A verdade é que a reunião que ocorreu com a direção de Cinemateca, há cerca de três meses, deixou claro que não há qualquer tipo de abertura para que possamos exibir, dizem eles, cinema de arquivo internacional no Porto. Argumentaram que, em segurança, isso só poderia ser feito em Lisboa”, explicou o autarca, confiante ainda assim de que isso não irá travar a vontade de fazer cruzar no Cinema Batalha cinematografias contemporâneas com cinematografias de arquivo.

“Quem manda no arquivo não é a Cinemateca e estamos seguros de que, quando chegar o momento próprio, o ministro [da Cultura] apoiará a exibição de cinema de arquivo internacional no Porto”, afirmou Rui Moreira.

Para fazer a gestão do Cinema Batalha será constituída uma empresa municipal composta por um corpo diretivo de 18 elementos e contará com 136 colaboradores.