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Open House Porto: 60 edifícios a visitar e uma aventura noturna no cemitério

Fernando Guerra

A terceira edição do Open House Porto regressa para transformar as cidades do Porto, Matosinhos e Vila Nova de Gaia num museu de arquitetura a céu aberto. O roteiro é composto por 60 espaços de portas abertas para calcorrear ao longo deste fim de semana

André Manuel Correia

Durante este fim de semana, 1 e 2 julho, 60 edifícios do Porto, Matosinhos e Vila Nova de Gaia vão estar de portas abertas, numa autêntica odisseia gratuita pelo património do edificado destas três cidades da Frente Atlântica, transformadas num museu arquitetónico a céu aberto. Um passeio noturno pelo cemitério ou a oportunidade de deambular pelos corredores do Hospital Conde Ferreira são algumas das propostas para aguçar a curiosidade. Esta é a 3.ª edição do Open House Porto, organizado exclusivamente pela primeira por parte da Casa da Arquitetura, em Matosinhos. No total, são 156 visitas comentadas por 75 especialistas. Prepare-se para a celebração da arquitetura, uma festa feita em trânsito entre os diversos locais, mas pensada para fazer parar e pensar os atuais contextos urbanos.

Às obras arquitetónicas já habituais nas anteriores edições, juntam-se nove espaços ao roteiro que vai colocar especialistas e entusiastas a conhecer “in loco” algumas das mais importantes obras arquitetónicas das três cidades. Workshops para crianças, programas pensados para as famílias e a aposta numa programação mais inclusiva são outras das novidades, assim como a expansão a visitas noturnas.

“O Open House é uma festa da arquitetura em que se abrem 60 espaços num só fim de semana e as pessoas tentam visitar o máximo possível a qualquer hora. Quisemos ampliar o horário, porque era ótimo se o fim de semana tivesse 36 horas por dia”, começa por dizer, entre risos, Nuno Sampaio, diretor executivo da Casa da Arquitetura.

A Casa de Chá da Boa Nova, a Piscina das Marés, o Terminal de Cruzeiro de Leixões, as primeiras quatro casas assinadas por Siza Vieira em Matosinhos, a Casa de Serralves, a Casa da Música, o Estádio do Dragão, o Palácio do Bolhão, o Teatro Nacional São João ou a inclusão do Mosteiro da Serra do Pilar são alguns dos pontos de maior interesse, em visitas orientadas e comentadas, em certos casos, pelos próprios arquitetos, especialistas ou por uma equipa de voluntários. “As pessoas conhecem esses edifícios, não conhecem é os meandros”, frisa Nuno Sampaio.

Uma aventura noturna no Cemitério do Prado do Repouso

Entre os novos pontos de interesse acrescentados a este roteiro encontram-se o Hospital Conde Ferreira, a Torre de Retransmissões do Monte da Virgem, em Vila Nova de Gaia, ou até mesmo uma aventura noturna no cemitério do Prado do Repouso, este sábado, às 22h. “Pensamos que fazer uma visita noturna ao cemitério seria interessante. Há um lado histórico importante, com uma visita guiada por um especialista, mas também há o lado de poder visitar um cemitério à noite que é sempre uma curiosidade”, explica ao Expresso a arquiteta Paula Santos, responsável pela curadoria desta iniciativa, em conjunto com Ivo Poças Martins.

Performances de dança na Casa da Arquitetura (Real Vinícola) – descrita como o “cabeça de cartaz” desta edição – ou melodias de piano a ecoar na estação de metro do Campo 24 de Agosto serão outros dos atrativos desta terceira edição, num programa mais abrangente à procura do cruzamento com outras disciplinas artísticas.

Além de chegar a novos locais, o Open House Porto alcança também novos públicos, através de uma oferta pensada para o público de palmo e meio, na qual se incluem workshops para crianças. Em acréscimo, a programação aposta na acessibilidade para pessoas com mobilidade reduzida e também em performances para dar a conhecer a cidadãos com incapacidades auditivas e visuais os meandros de algumas obras arquitetónicas, tal como irá acontecer no Palácio do Bolhão.

Um dos espaços mais procurados pelos curiosos é o Terminal de Cruzeiros de Leixões, local que na edição de 2016 recebeu 14 mil visitas, quase metade das 30 mil que o Open House Porto registou no ano passado.

Parafraseando o arquiteto Álvaro Siza Vieira, o comissário Ivo Poças Martins assegura que “a melhor exposição de arquitetura é as pessoas meterem-se num autocarro e irem visitar as obras”.

A programação integral pode ser consultada aqui.