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Expresso

Cultura

Côa em risco de entrar na lista do Património Mundial em perigo da UNESCO

RUI DUARTE SILVA

Especialistas alertaram esta quarta-feira, na audição da comissão parlamentar de Cultura, para “situação grave” no Parque Arqueológico do Vale do Côa

“Uma situação insustentável” e de “completa autogestão”. Foi assim que o presidente da Associação dos Arqueólogos Portugueses (AAP) classificou a situação do Parque Arqueológico do Vale do Côa (PAVC), que está sem administração e trabalhadores e sujeita a atos de vandalismo.

“Até ontem à tarde ainda não tinha sido indigitada qualquer pessoa para substituir o diretor do Parque do Vale do Côa [António Batista], que se aposentou, e a entidade encontra-se completamente à deriva”, expôs José Morais Arnaud na audição da comissão de Cultura, Comunicação, Juventude e Desporto de quarta-feira, proposta pelo PCP. Também a comissão de trabalhadores da Fundação Côa Parque expôs a sua preocupação em relação à falta de vigilantes e de recursos financeiros do parque.

José Zilhão, o arqueólogo que coordenou a criação do parque, alertou para o risco de este entrar na lista do património mundial em perigo da UNESCO. “A situação atual é suficiente para que um cidadão, um grupo de cidadãos ou um organismo da sociedade civil requeiram a integração do PAVC na lista do Património Mundial em perigo.” O que é, acrescenta, “demasiado desprestigiante para o Estado português, tendo em conta a forma como a UNESCO apoiou o projeto”.

A presidente da comissão portuguesa do Conselho Internacional de Monumentos e Sítios, Maria Ramalho, defendeu ainda a apresentação de um relatório sobre o estado de conservação do parque ao Comité do Património Mundial, propondo à UNESCO a abertura de um processo para avaliar a situação.

Como resposta, o ministério da Cultura disse ao jornal “Público” não ter conhecimento de “qualquer situação de risco”, embora se tenha mostrado disponível para o diálogo com a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura.

Na semana passada o ministro da Cultura, Luís Filipe Castro Mendes, declarou que a proteção das gravuras do PAVC deve passar pela instalação de um sistema de videovigilância. Uma medida que os especialistas consideram insuficiente.