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Ministro da Cultura sobre Convento de Cristo: “São apenas algumas telhas e uns fragmentos pétreos”

MÁRIO CRUZ / Lusa

Luís Filipe Castro Mendes não quis dar grandes explicações sobre os recentes acontecimentos no monumento Património da Humanidade, em Tomar. Esta terça-feira, na audição na Comissão de Cultura, Comunicação, Juventude e Desporto, na Assembleia da República, defendeu que só os resultados do inquérito já aberto poderão dizer o que se passou e avaliar os danos alegadamente provocados pela rodagem do filme do Monty Python Terry Gilliam. As respostas serão dadas daqui a 20 dias. Até lá o ministro deixa escapar que a situação não deverá ser tão grave como aparenta

"Continuamos a trabalhar mais e melhor. O sector atravessa uma fase de maior estabilidade fruto de um diálogo permanente e aberto com todos os agentes culturais", assim abriu o ministro da Cultura, Luís Filipe Castro Mendes, a audição da Comissão de Cultura, Comunicação, Juventude e Desporto, na Assembleia da República (AR).

E, de facto, começou pelos pontos positivos da sua governação, enunciando as novas conquistas da Cultura: um museu nacional na Fortaleza de Peniche, a inauguração da museografia do Museu dos Coches e o grande passo para a democratização do acesso à cultura que é o início da gratuitidade dos museus em todos os primeiros domingos de cada mês já a partir de 2 de julho, a disponibilização de um local em Xabregas para acolher o acervo arqueológico nautíco e subaquático, a renovação do contrato entre a RTP e a Euronews, as novas 12 bolsas de criação literária, cujo concurso abre na próxima semana, e dentro do Plano Nacional de Leitura o nascimento do Programa das Literacias e da Cidadania.

Tudo parecia ir bem no reino da cultura em Portugal até os deputados dos vários grupos parlamentares com assento na AR começarem a questionar Luís Filipe Castro Mendes sobre os assuntos mais quentes que estão na ordem do dia. A encabeçá-los a situação danosa a que o Convento de Cristo, em Tomar, terá sido alvo durante as filmagens de "O Homem que Matou D. Quixote", de Terry Gilliam.

"O Convento de Cristo é Património da Humanidade, o Convento de Cristo é um dos grandes monumentos de Portugal, não foi nem vai ser votado ao abandono", afirmou o ministro, que se escusa a apontar responsabilidades seja a quem for, escudado pelo inquérito urgente que abriu segunda-feira. "Só com os resultados que teremos em 20 dias é que nos podemos pronunciar sobre a matéria." De qualquer modo, Castro Mendes sabe que do que já foi apurado "são apenas algumas telhas e uns fragmentos pétreos" a estarem danificados. É isto que lhe diz o primeiro exame da situação realizado no monumento pela equipa técnica da Direção-Geral do Património Cultural, que tutela o convento. "Isto se é que se passou alguma coisa", continua o ministro da Cultura.

Castro Mendes avisa que há planos de segurança para todos os edifícios nacionais e que neles se mantêm as boas práticas da salvaguarda e recuperação, não sendo o Convento de Cristo uma exceção. O monumento, adianta, foi alvo de uma recuperação em 2016, com um orçamento de 1,3 milhões de euros. Castro Mendes acredita que a concessão à produção de filmes em monumentos e sítios históricos tem de ser feita com rigor e fiscalização extrema, mas que em si mesma "não constitui uma ameaça aos monumentos, sendo sim uma ferramenta de divulgação e valorização dos seus elementos estéticos, históricos e patrimoniais".

O ministro, continuamente questionada sobre a situação do Convento de Cristo durante a audição parlamentar, explicou ainda que "não houve abate de árvores, elas não eram mais do que um efeito colocado há pouco tempo no monumento", e que por decisão dos técnicos do convento "será substituído por ervas de cheiro".

E termina a dizer que não está menos preocupado que os deputados que o questionam com a salvaguarda e preservação do monumento. No entanto, "não faço juízos de valor antes de ter conhecimento dos factos". Mas não deixa de adiantar que "os números contradizem a imagem de uma situação catastrófica".

O ministro da Cultura diz saber que os efeitos especiais, leia-se fogueira de 20 metros, decorreram com controlo dos bombeiros e obedeceram às regras. Acabando por confirmar que os prejuízos estão estimados em 2900 euros, tal noticiara o Expresso na manhã de terça-feira. Castro Mendes diz que os danos aconteceram não no Claustro da Hospedaria mas sim no Claustro dos Corvos e garante que aí a "erosão da pedra já se verifica há anos e que decorre do tempo".

A aguardar resultados de inquéritos está também o aluguer do Mosteiro dos Jerónimos a festas privadas. O ministro diz que houve denúncias e queixas e que por isso foi feita uma auditoria. Mas é o Ministério Público que deve investigar o que se passou. "Respeitamos o segredo de justiça e a presunção da inocência", concluiu.