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Danos provocados pela rodagem de filme no Convento de Cristo totalizam €2900

Claustro do Convento de Cristo

DR

Pandora da Cunha Telles, responsável pela produtora Ukbar, que levou a cabo a rodagem do filme de Terry Gilliam no monumento classificado como património da Humanidade, em Tomar, retrata-se em comunicado e assume a responsabilidade pelas danificações causadas ao edifício. Ao todo, a produtora vai pagar 2900 euros para a recuperação do que estragou

"Verificaram-se, de facto, alguns danos, que foram devidamente contabilizados, pela equipa de peritagem associada ao Convento de Cristo", afirma em comunicado Pandora da Cunha Telles. A produtora revela que o monumento foi avaliado antes e depois da rodagem do filme "O Homem que Matou D. Quixote", de Terry Gilliam, um dos mais famosos elementos dos Monty Python.

"Para que conste, esses danos saldaram-se em seis (convencionais e de fabrico recente) telhas partidas e quatro fragmentos pétreos de dimensões reduzidas e variáveis, de aproximadamente oito centímetros, no máximo", adianta Pandora da Cunha Telles. A produtora esclarece também que, segundo um perito independente, "nenhum destes danos foi causado por algum tipo de uso indevido ou excessivo, mas poderia ter ser provocado por qualquer visitante".

A recuperação do monumento será célere e nela serão "aplicadas as mesmas técnicas que se aplicam habitualmente para este tipo de construção e que o convento utiliza ano após ano para tratar a deterioração habitual do mesmo".

Os danos a reparar estão contabilizados num orçamento total de 2900 euros.

Já no que toca ao corte de árvores, explica Pandora da Cunha Telles, "ele ocorreu durante a limpeza no final da rodagem, tendo os serviços do Convento de Tomar justificado a decisão com o facto de não se tratarem de espécimes autóctones (e que foram plantados há alguns anos para a rodagem de outro filme), que deveriam ser substituídos".

A produtora assegura ainda que a utilização do fogo não pôs em causa, de forma nenhuma e em momento algum, a integridade do edifício, nem dos presentes na rodagem. "Sob a supervisão do comandante do Corpo dos Bombeiros Municipais de Tomar e de elementos da Proteção Civil, os bombeiros foram convocados, fizeram-se presentes e estavam alerta para qualquer eventualidade. Mas a sua intervenção não foi necessária, uma vez que tudo se processou dentro da normalidade e com o profissionalismo que a situação exigia."

Desde o primeiro momento, continua a produtora, "tivemos consciência da responsabilidade de estar a utilizar um espaço histórico, que para além de Monumento Nacional é Património Mundial, e nunca nos passaria pela cabeça desvirtuar. Alertámos todos os participantes na rodagem para esse facto de forma a que se movimentassem com delicadeza e respeito". De acordo com a responsável da Ukbar, foram cumpridas todas as condições estipuladas nos termos do aluguer do espaço. "Houve sempre acompanhamento técnico por parte dos profissionais do Convento, tanto nos períodos diurnos como noturnos; e foi também nossa preocupação que o seu normal funcionamento fosse afetado o mínimo possível."

Pandora da Cunha Telles alerta ainda para a importância turística de rodagens como estas em monumentos nacionais. "Quando o filme estiver concluído, teremos um grande orgulho em mostrar ao mundo inteiro um edifício com a riqueza cultural milenar do Convento de Tomar, que será projetado em ecrãs à escala planetária. E contribuirá, esperamos, para incrementar o interesse em Portugal, trazer mais turistas ao país e chamar a atenção para o cinema – e a cultura – que aqui se produz.