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De Zeus a Monteverdi: o que promete o no CCB para a próxima temporada

“O Jardim das Delícias”, de Marie Chouinard

DELÍCIAS ©SYLVIE-ANN PARÉ

Um vasto cardápio artístico para todos os gostos e todos os públicos. A temporada de 2017/2018 foi apresentada, revelando que o CCB voltará a ocupar o mapa da cidade com 40 iniciativas “espetaculares”

Depois de anunciada a programação para a temporada de 2017/2018, uma coisa podemos constatar: de setembro a junho, o Centro Cultural de Belém (CCB) volta a entrar no mapa, tornando-se numa rota obrigatória na geografia cultural da cidade.

Este geografia, traça-se em quatro eixos centrais - Festival Monteverdi; De Zeus a Varoufakis, Tirai os Pecados do Mundo e No Fundo Portugal é Mar. A programação 2017/2018 assinala o regresso do CCB ao formato “temporada”, o que permite uma maior clareza das opções programáticas que nos indicam quais as referências e a bússola com que uma fundação cultural se quer orientar. Esta opção é também marcada pelo regresso à casa de Luísa Taveira, que entre 2002 a 2011 foi programadora de dança, teatro e ópera, e é agora vogal Conselho de Administração da Fundação com o pelouro da programação.

Assim, durante oito meses decorrem cerca de 400 iniciativas, distribuídas por concertos, espetáculos de teatro e dança, exposições de arte e arquitetura, debates, festivais, noites de cinema, jantares temáticos que darão ao público vastíssimo cardápio de escolhas entre a cultura clássica e contemporânea.

"Orfeu", pelo La Venixiana

"Orfeu", pelo La Venixiana

Os 450 anos do grande compositor italiano da transição do renascimento para o barroco, Cláudio Monteverdi considerado o “pai” da ópera, tal como a entendemos a partir do século XVII, é uma das grandes figuras de destaque desta programação, contaminando-a com pérolas como "As Vésperas de Nossa Senhora", pelo Ludovice Emsemble (14 de setembro) ou "Orfeu", pelo La Venixiana (16 de setembro) ou o ciclo de madrigais (entre 16 e 17 de setembro).

Outra figura do renascimento e a da cultura europeia, tem destaque na programação. O pintor holandês Hieronymus Bosch e seu tríptico delirante, “O Jardim das Delícias”, é um leit-motive para o ciclo Tirai os Pecados do Mundo. Entre o número de ações que abrangem o universo artístico, projeta-se o documentário de José Luís Lopes-Linares, que numa coprodução com o Museu do Prado - onde está a obra de Bosch - realizou um filme sobre o sonho e esta pintura onírica. Outro "pecado", imperdível é o espetáculo de dança da coreografa canadiana Marie Chouinard que novamente a partir do tema do jardim das delícias, e dos 500 anos da morte do pintor, traz ao CCB a sua companhia de dança (18 e 19 de maio). E como a dança é sempre um dos pratos fortes da casa, tome-se nota da presença da companhia berlinense Sacha Wash & Guest que apresenta em estreia mundial a sua última coreografia visceral, Kreatur e de o “Grande Domador”, o espetáculo de dança circense do ateniense Dimitris Papaioannou (2 e 3 de março).

“No fundo Portugal é Mar”

“No fundo Portugal é Mar”

Ana Castanheira

No ciclo de Zeus a Varoufakis, tal como o nome indica é a Grécia que estará debaixo de fogo em Lisboa. Partindo dos princípios fundadores da cultura europeia “A Grécia nos destinos da Europa”, é uma proposta que abrange teatro, música, dança e poesia com destaque para grandes obras das tragédias gregas como “Oresteia”, de Ésquilo (de 17 a 24 de fevereiro); “Elektra”, de Richard Strauss, pela Orquestra Sinfónica Portuguesa e o Coro do teatro nacional de São Carlos. “No Fundo Portugal é Mar”, propõe um conjunto de trabalhos artísticos que abrange públicos das escolas e adultos, e, tal como os oceanos, cruza uma série de linguagens artísticas com o universo da ciência e do ambiente. A programação que integra este ciclo, gira em torno da exposição com o mesmo nome, e que foi criada em colaboração com a Fábrica das Artes e a Estrutura de Missão para a Extensão da Plataforma Continental (EMEPC) que cedeu imagens captadas por um robot que desce a seis mil metros de profundidade e nos mostra os fundos marinhos e as suas paisagens sonoras onde a terra e o mar comunicam e também todo o lixo plástico que o mar agarra e nos devolve.