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Tropas especiais é o que vai dar

d.r.

Chegados a finais de maio, os estúdios de Hollywood convocam os clientes de todo o mundo, sobretudo os responsáveis das estações de televisão pelas aquisições de conteúdos internacionais e pela programação, para lhes apresentarem as novas séries (e alguns filmes, particularmente os candidatos a “blockbuster”) que chegam aos ecrãs no outono. Este ano, uma das apostas é a dos dramas embebidos no universo militar

Luís Proença, em Los Angeles

Especialmente focados nas séries que começam por alimentar os canais de televisão norte-americanos – sejam generalistas, por cabo ou com distribuição via internet, através das plataformas de “streaming”, os LA Screenings são a montra maior da florescente indústria da ficção norte-americana que corre mundo. E neste caldo de criatividade, talento, vendas, compras e audiências, há fractais do estado da nação americana, sob a presidência de Trump, que saltam à vista de todos. As opções pelos dramas embebidos no universo militar são um dos mais evidentes.

“No boots on the ground”. O capitão-piloto Leland Galo foi taxativo e não se ficou pelas entrelinhas quando o disse, alto e bom som, a Nora Madani, a seu jovem copiloto de helicóptero de combate e uma das primeiras mulheres a conseguir ingressar nesta especialidade. Para os Estados Unidos dos dias que correm, este não é mais o tempo das guerras abertas, das batalhas com cavalaria pesada e infantaria, apoiadas pelos raids aéreos. O capitão Galo, piloto de um helicóptero “Blackhawk” ao serviço das forças especiais norte-americanas (protagonista da série “Valor” produzida pela CBS para emissão num dos seus canais de cabo, a CW) veio enunciar, nesta fala, que as ações militares desta nova era se engendram em segredo e se desenvolvem “undercover”, camufladas e longe do escrutínio público, por indicação política. Até parece combinado, mas a concorrência entre canais dita que se trata do ar dos tempos. Pois muito bem, a CW vai estrear “Valor”, ambientada a uma unidade de elite de helicópteros ao serviço das operações especiais, hollywoodescamente designada “Shadow Raiders, cujo primeiro episódio tem o epicentro numa sequência de acontecimentos trágicos na Somália, a partir dos quais, a história se alicerça.

A CBS dedicou também arte, engenho e recursos a uma outra nova série militar a exibir na própria CBS (o canal-mãe “aerial”), intitulada “Seal Team”. A narrativa desenvolve-se em torno do “melhor pelotão” das tropas especiais da “US Navy”, das tensões e conflitos relacionais e familiares que decorrem da inconstância e do perigo de vida sempre presente pelo envolvimento em missões secretas de alto risco, antiterroristas e de resgate. O pelotão é encabeçado por Jason Hayes, o “team leader”, interpretado por David Boreanaz (“Buffy, a Caçadora de Vampiros” e “Ossos”).

Também a NBC ingressa nestes territórios com “The Brave”, para os serões de segunda-feira, a partir do próximo outono. E de novo, seguimos viagem com os heróis da tropa de elite “undercover”, plenos de recursos, a operar nos lugares mais inóspitos e mediaticamente mais referenciados do planeta – a começar no primeiro episódio em Damasco, na Síria, sob a direção de uma mulher, Patricia Campbell, interpretada por Anne Heche, no papel de diretora-adjunta, cujo centro de comando “high tech” se situa nos Estados Unidos e que dirige o esquadrão de especialista, baseado na Turquia, em todos os movimentos e operações à volta do globo para salvar a vida de inocentes ou executar os maus da fita.