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Cultura

Num antigo armazém portuense nasce o condomínio com a cultura como senhoria

Antigo armazém em Campanhã, no Porto, vai tornar-se uma fábrica onde a criação musical e audiovisual estarão permanentemente em linha de montagem. Chama-se Plataforma Campanhã e começará a trabalhar a todo o vapor no início de 2018

André Manuel Correia

Através de uma iniciativa inteiramente financiada por fundos privados e à qual a Câmara Municipal do Porto se associa como “cliente”, nasce num vetusto armazém a Plataforma Campanhã, projeto que irá reconverter o espaço, de forma a albergar vários agentes culturais ligados à criação musical e audiovisual, como editoras e produtoras.

Numa artéria particular e escondida da rua Pinto Bessa, mas próxima dos acessos principais, funcionarão quatro salas de gravação, escritórios, espaços de convívio para os artistas, camarins e ainda a Fonoteca Municipal de Vinil, com um acervo de 34 mil discos.

A Plataforma Campanhã assume-se igualmente como um local de portas abertas ao público, no qual a cultura é senhoria e a música nunca está demasiado alta. O Estúdio A será o maior do complexo. Com uma área de 250 m2, será constituído por seis salas independentes e uma câmara técnica, vocacionado para acolher, por exemplo, uma orquestra ou um grupo de jazz.

As obras de requalificação do antigo espaço operário terão início este trimestre, segundo foi anunciado esta manhã, e deverão ficar concluídas nos primeiros três meses de 2018, altura em que os estúdios deverão ficar operacionais. Com uma área estimada de 1200m2, distribuída num complexo com dois pisos, o núcleo criativo “é um sítio perfeito” e “parece que foi feito por encomenda”, afirma o coordenador da plataforma, João Brandão.

Ali vão coabitar produtoras audiovisuais, músicos, compositores ou produtores. Em suma, “tudo o que faça mexer esta indústria”, explica o responsável e fundador da Arda Recording Company, dinamizadora deste projeto com um investimento de 700 mil euros. “Podemos ter músicos e compositores a trabalhar baseados aqui, com acesso a uma estrutura técnica e tecnológica muito interessante”, vinca João Brandão.

Um dos artistas que ali radicará a sua produtora é o músico e videasta André Tentúgal, para quem este “é um casamento feliz entre pessoas que levam o trabalho muito a sério”. O artista portuense, ligado também a projetos culturais de índole comunitária como o “Oupa!”, manifesta a expectativa de que a plataforma possa “criar um núcleo que sirva para descentralizar a produção de conteúdos audiovisuais”.

Um convívio saudável entre condóminos

A esta iniciativa associa-se a Câmara do Porto, que há um ano procurava um local para instalar a Fonoteca Municipal de Vinil de forma a poder disponibilizar o vasto espólio discográfico. “Quando há um ano recebemos o acervo da RDP, que se juntava ao que já temos há muitos anos da Rádio Renascença e que está na Biblioteca Municipal Almeida Garrett, começámos a pensar que era preciso que este acervo fosse utilizado para fins educativos, culturais e para todos aqueles que estão a produzir música e que, atualmente, se interessam pelo vinil”, disse Rui Moreira aos jornalistas após a conferência de imprensa de apresentação da Plataforma Campanhã.