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As famílias do rock

ana baião

De onde vieram as nossas estrelas rock e pop? Que histórias têm para contar os pais e as mães destes roqueiros sobre a infância dos filhos e como eles foram parar à música? Com baterias e guitarras elétricas pelo meio, uns e outros revelam segredos, braços de ferro e cumplicidades. Reproduzimos o artigo publicado na revista no dia 16 de fevereiro de 2013

Maria do Amparo e Hélder, pais de Tim

"Fiquei surda durante dois dias"

"Ai filho, a vida é sempre a perder." Este foi um prenúncio que Tim ouviu vezes sem conta ser proferido pela mãe, Maria do Amparo, de 74 anos. A lareira crepita e aquece a memória. "Tive uma juventude muito boa. Comecei a namorar o meu marido aos 13, casei-me aos 20. Vivi em pleno o fascínio da juventude, num mundo cor de rosa. Daí para a frente começaram a surgir as dificuldades da vida, em crescendo."

Palavras sábias que inspiraram o filho Tim, nascido António Manuel Lopes dos Santos, a compor 'O Homem do Leme', uma das mais emblemáticas letras dos Xutos & Pontapés, incluída no segundo álbum do grupo, "Cerco", de 1985. "E uma vontade de rir nasce do fundo do ser/ E uma vontade de ir/correr o mundo e partir/a vida é sempre a perder". Bebe-se chá a pretexto da música, do rock e do nascimento de Tim para a música.

O destino parecia traçado. Conta-se lá em casa que, ainda no berço, o vocalista dos Xutos parava o berreiro quando era colocada uma telefonia junto dele. Os pais percebem a queda e estimulam-no. Oferecem-lhe primeiro uma harmónica, depois uma pequena viola e, aos 15 anos, uma guitarra elétrica construída pelo pai, Hélder Baptista, um ex-bancário com talento especial para as artes manuais, que faz hoje 75 anos. O barulho das guitarradas não eram problema. "Era uma casa aberta aos amigos dos nossos filhos. E quando dávamos conta o barulho estava no ar. Portanto, mais viola menos guitarra, não fazia diferença", esclarece a mãe.

Nada contra a música, mas um curso superior é que tinha de ser, achavam os pais. E Tim condescendeu. Licencia-se em Engenharia Agrónoma e, na tarde em que chega a casa com o "canudo", enche um copo de whisky para celebrar e diz: "Mãe já lhe fiz a vontade, agora faça a minha." Referia-se ao apoio incondicional deles para a sua escolha de vida, a música. Em 1982, com 22 anos, grava o primeiro trabalho como vocalista dos Xutos&Pontapés. Os pais não aplaudiram de imediato. "Vimos essa decisão com apreensão.

A vida de artista estava fora do nosso ambiente e era um risco", explica o pai. Mesmo assim quis ver com os próprios olhos o segundo concerto dos Xutos, no Liceu D.Pedro V. E não se esquece dessa noite. "Eu estava lá encolhido a um canto para ninguém me ver. O ambiente era intimidante. Era só malta com correntes, cabelos em pé e blusões pretos. A sorte foi que às tantas apareceu um amigo meu a quem me juntei." A mãe ri-se, e lembra como ficou surda quando foi ao Rock Rendez Vous ver o filho. "Encostei-me a uma coluna e levei com o concerto em cheio.

Fiquei sem ouvir durante dois dias. Mas gostei. Quando o meu filho está em palco o meu coração bate mais forte."

Emília e Aureliano, pais de Rui Veloso

UMA CARREIRA LANÇADA PELA MÃE

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O seu a seu dono. A maternidade do rock português deve ser atribuída a Emília Veloso. Esta senhora vivaça, mãe de três filhos, que foi durante uma vida inteira explicadora de inglês, revela ainda uma memória e energia invulgar para os seus 89 anos.

Emília recorda-se bem dos tempos em que andava desassossegada com o futuro incerto do seu filho mais velho, Rui. Ele não se ajeitava com os estudos e, no final da adolescência, passava tardes e noites inteiras enfiado na cave da moradia, acompanhado de amigos em sessões de cantorias e guitarradas. "Como eu não ia lá abaixo não sabia do seu talento e avanço na música. Andava demasiado atarefada com as aulas e atividades domésticas", recorda a senhora.

Na porta dessa cave, Rui chegara a colar uma fotocópia com a imagem da palma da sua mão. Como que a dizer "interdito a pais". Rui começara aos seis anos a tirar sons da harmónica que existia lá por casa. Aprende depois sozinho a tirar acordes da guitarra do pai, Aureliano, que durante anos fora presidente da Câmara Municipal do Porto. Já que era música o que o filho queria, Emília fez questão que aprendesse a fundo. Chega a pagar-lhe aulas de acordeão e a dar-lhe dinheiro para se inscrever no Conservatório.

Mas Rui não se inscreveu, nem devolveu o dinheiro. Preferia a sua banda de cave à sala de aulas.

Contra a vontade de Emília, dá entrada lá em casa o piano do avô.

A casa passa a encher-se de amigos de Rui, que o visitavam para o ouvir e tocar com ele. O letrista Carlos Tê é um deles. "Era uma colmeia de rapazes e raparigas.
Começo a ouvir, daqui e dali, vozes a referirem-se com entusiasmo à habilidade da minha criança." Emília decide pôr-se em campo. À revelia do filho, pega numa bobina de gravação dos ensaios da cave e viaja até Lisboa direta à editora Valentim de Carvalho. Determinada a fazer daquela visita um tira-teimas musical, aborda António Avelar Pinho, letrista da formação Banda do Casaco e responsável pelo contrato de novos artistas, dizendo-lhe: "Tenho um filho que faz música. Dizem que é muito dotado, mas eu não percebo nada de música. Diga-me, por favor, ele é tão bom como a Lara Li?" O responsável da editora acha graça, ouve a gravação e entusiasma-se.

"Isto é mesmo muito bom. Pena que ele não cante em português".

Acabam juntos por descobrir que, no final da gravação, estava o mais tarde famoso tema 'Chico Fininho'.

A Valentim quer gravar um disco com o rapaz. Emília fá-los prometer que nunca contariam ao filho que fora ela a dar este passo. Pouco tempo depois, através de amigos, convencem Rui de que a editora estava à procura de novos músicos.

O resto é história: "Ar de Rock" lançou Rui Veloso, aos 23 anos, como o pai do rock português, e fez de 'Chico Fininho' um dos seus maiores êxitos e de Carlos Tê seu fiel letrista.


ANA MARIA E FERNANDO, PAIS DE FERNANDO RIBEIRO
UMA GUERRA POR CAUSA DO CABELO

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Este é um beijo que vale uma família. Fernando orgulha-se de poder juntar os pais na mesma sala, na casa da irmã, apesar de estarem divorciados há muitos anos. "Os nossos filhos e netos não devem pagar pelos nossos erros.

Ultrapassado o passado, somos mais unidos que nunca", resume emocionada a mãe, Ana Maria.

Recuemos no tempo. Fernando Ribeiro tem apenas 12 anos quando compra os primeiros discos de heavy metal. Maravilha-se de imediato com a imagem sombria e alternativa dos músicos "metaleiros", com a batida pesada das melodias e o conteúdo das letras, "que remetiam para o universo dos livros". É quando se começa a vestir de preto, com rasgões na roupa, lenços no braço, brincos e a deixar o cabelo crescer muito além dos ombros. O assunto capilar passa a ser uma guerra aberta com os pais. A pressão dos vizinhos e dos familiares não ajudava à discórdia.

Nesse corta-não-corta, ganhou o filho Fernando. Os pais sonhavam que ele se tornasse professor de filosofia, pelas boas notas que tinha em Letras. Mas Fernando não foi na cantiga e, aos 20 anos, informou os pais que iria partir pela Europa durante oito meses numa carrinha, para tocar com a sua banda de black metal, os Moonspell. Os progenitores assustaram-se. "A cultura heavy metal esteve associada durante muito tempo aos toxicodependentes e aos marginais", lembra a mãe.

Só anos mais tarde, em 1986, quando Fernando e Ana Maria assistem no Coliseu de Lisboa a uma atuação da banda do filho, convidada para fechar um concerto dos Xutos e Pontapés, é que se rendem às evidências, perante uma multidão aos pulos. O pai Fernando, de 66 anos, ainda hoje se arrepia sempre que ouve o filho. "Fico sem saber de onde vem toda aquela voz.

Mexe cá dentro." E espanta-se com a forma violenta como o vê a abanar a cabeça em palco. "Parece que se vai desencaixar do pescoço." A mãe, de 61 anos, gosta de ver o filho atuar nos Moonspell, mas é mais aficionada do projeto pop Amália Hoje. Desta formação, criada em 2009 por ocasião do 10º aniversário da morte da diva do fado, fazem parte o filho, a mulher, Sónia Tavares, e Nuno Gonçalves, ambos dos The Gift.

MARIA DA LUZ E ALDIRO, PAIS DE CARLOS E JOÃO NOBRE
"BARULHO? COMIGO TINHAM RESPEITO"

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Há grogue (aguardente cabo-verdiana de cana-de-açúcar) na mesa da sala, porque é tempo de recordar. Na casa desta família crioula de Almada fervilhou sempre música. Os irmãos João e Carlos, conhecidos durante quase duas décadas como Jay-Jay e Pacman, quando pertenciam ao grupo Da Weasel, entretinham-se em miúdos a fazer baterias com grandes embalagens de detergente para a roupa, improvisavam as baquetas com colheres de pau e faziam das vassouras os microfones.

Do fundo da garganta faziam soar as letras roubadas aos Police, Dire Straits ou Michael Jackson.

"Mas tudo cantado num inglês macarrónico". Uma algazarra só permitida na ausência do pai, Aldiro Neves, 71 anos, que exigia silêncio e sossego quando estava presente. "Comigo tinham respeito, porque eu exigia. Com a mãe eram mais libertinos. Faziam barulho e tocavam o que queriam".

João, o mais velho e mais traquinas dos irmãos, recorda-se das pistolas de plástico confiscadas pelo progenitor no Natal e do insólito par de bonecas que um dia receberam do pai, como lição.

Com a mãe a cantiga era outra.

Maria da Luz, 64 anos, foi desde sempre sensível aos anseios musicais dos filhos e com jeitinho lá foi convencendo o marido a comprar-lhes instrumentos. Aos 15 anos, João recebe a sua primeira guitarra elétrica e forma o grupo de metal rock Braindead.

"Foi o primeiro disco que a editora Valentim de Carvalho editou em inglês. Passou a tocar guitarra.

Mas muito mal", recorda João. "Eh pá! Isso não prestava para nada", comenta o pai, sem papas na língua. Todos riem. Na época, Carlos aproveita a boleia e adquire o seu primeiro baixo, aos 13 anos, juntando-se à banda Incesto.

Almada era na época um viveiro de grupos rock de garagem.

"E nós éramos putos com guitarras e muita vontade de tocar". Em 1993 formam os Da Weasel, no início um projeto 100% em inglês e com uma sonoridade experimentalista entre o pop, o hip-hop e o rap. A mãe passa a seguir-lhes os passos, a estar presente na primeira fila dos concertos e a ser uma das primeiras a ouvir as suas novas músicas. É conselheira, confidente e entusiasta. Aldiro, ex-tesoureiro, só se apercebe da popularidade dos filhos quando as suas colegas de trabalho lhe começam a pedir que lhes traga autógrafos dos filhos. "Ele passou a ficar todo inchado", conta a mãe. O pai comenta: "Gosto de os ver bem.
Só não aprecio concertos. Não gosto de estar de pé, nem de apertos." Carlos revela que a mãe foi a inspiração direta para o tema 'O Real', dos Da Weasel, que canta o verso: "O amor da minha mãe e todo o seu respeito é mais real que qualquer medalha que ponham no peito". "A nossa mãe fez-nos sempre sentir o seu bafo quente na nuca, para nos acarinhar, acompanhar e guiar."

ISABEL E CARLOS, PAIS DE AUREA
"ESMORECI. FALTAVA POUCO PARA ELA ACABAR O CURSO"

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Gooffy, o pequeno Yorkshire, ladra como um cão de guarda a desafiar os acordes da guitarra de Carlos Sousa. A filha ri-se com o embaraço.

"Quanto tempo passa até conseguirmos ter uma oportunidade destas todos juntos? Muito.

Demasiado. E dói." Isabel Sousa, 48 anos, auxiliar de educação, comove-se enquanto afaga as melenas douradas de Aurea, a filha mais nova, com 25 anos. Desde que o seu nome disparou para o top da música nacional que os concertos se acumulam, restando pouco tempo para reuniões familiares. De visita a casa dos pais, em Silves, Algarve, a cantora estivera dias antes a atuar em Ho Chi Minh, no Vietname.

O pai resgata a guitarra do armário apenas para a fotografia, mas enquanto faz figura acaba por relembrar o prazer antigo que tinha em tocar fado e canções populares portuguesas. E durante umas horas ouve-se naquela sala o tão tradicional e português tema 'Oh rama, oh que linda rama', pelo vozeirão de Carlos.

O rock não é para ali chamado. Durante 12 anos, o pai de Aurea, hoje motorista a tempo inteiro, animou vários bares do sul a acompanhar fadistas. Foi a tocar, numa festa no cinema de Alvalade do Sado, que conheceu a mulher, Isabel, que, a seu lado, cantarolou 'Lisboa Menina e Moça'. Venceu o amor e para trás ficou o sonho musical de ambos. No início, não acharam muita piada ao facto de Aurea ter abandonado em 2010 o último ano de Estudos Teatrais, em Évora, para gravar o disco de estreia. "Esmoreci. Fiquei triste, faltava pouco tempo para a minha filha terminar o curso e achei que se estava a dispersar. Agora percebo que agarrou uma oportunidade no momento certo", comenta Carlos. Ambos veem na filha o que nunca chegaram a ser. Isabel ganhou até o hábito de pôr o pop e o soul de "Aurea" a tocar enquanto limpa a casa. "Eu não cheguei lá.
Mas, quem diria, chegou ela."

MARIA HELENA, MÃE DE ANAMAR
"IA MORRENDO COM O SUSTO"

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Mãe e filha. Duas mulheres com uma beleza que enche uma sala.

Duas personalidades fortes que chocaram nalguns episódios do passado. Anamar, 52 anos, batizada como Ana Maria Alfacinha de Brito Monteiro, frequentava a Escola de Teatro do Conservatório Nacional quando, no final da adolescência, decide romper com a sua realidade e partir com um amigo com destino a Londres.

"Mandei tudo às urtigas. Queria outros horizontes." Sem se despedir, deixa apenas uma carta à mãe: "Estou farta desta vida. Não sei o que quero. Vou-me embora.

Não sei para que lado. Um dia, quando puder, regresso." E inicia uma viagem errática, à boleia, Europa fora. O rosto da mãe, Maria Helena, de 75 anos, contrai-se quando recorda esse momento.

"Ia morrendo com o susto. E agora onde é que a procurava? Ela partiu e não se importou com a dor e o impacto que deixou. Foi uma atitude de adolescente, inconsequente. Eu, mãe de duas filhas, senti que estava a perder uma." Ana acaba por ir parar à Suécia, onde fica durante nove meses. Em Gotemburgo forma uma banda de punk rock, os Odd Combo, com quem começa a cantar em inglês. "Éramos uma banda com sonoridade matizada de Patty Smith", recorda. É aí que passa a ser conhecida como Anamar. Com esta formação correu a Suécia, a atuar em clubes e festivais. Mas esta não foi a viagem que imaginara para si.

"Revelaram-se os nove meses mais duros da minha vida. Estava desestruturada. Sem dinheiro e sem norte." Regressa frustrada, mas com uma certeza. "Percebi que tinha qualquer coisa de muito forte a dizer na música." De volta à sua realidade na Avenida de Roma e no Conservatório, torna-se uma das figuras mais populares e carismáticas da noite e do mundo artístico lisboeta, como porteira do bar-discoteca Frágil, onde esteve de 1982 até 1985. É nessa altura que grava o seu primeiro álbum, "Cartas de Portugal", com a direção musical de Pedro Ayres Magalhães e com letras de nomes como Miguel Esteves Cardoso e Paulo Bidarra.

Mais tarde, grava vários discos, nos quais propõe uma nova roupagem para o fado. Mais universal.

"Sou uma rocker a cantar fado.

Apropriei-me dessa herança, que é de todos nós e dei-lhe um carácter mais universalista." A sua carreira musical acaba por ser interrompida em 1990, com o nascimento dos filhos, gémeos.

Anamar considera a mãe, que na juventude chegara a cantar fado, a sua crítica "mais feroz, sincera e atenta". Mas divide as águas. musicais: "Ela é mais lírica, eu mais rock e pop".
Agora, que volta à música após nove anos sem gravar, com um novo álbum a ser lançado no próximo mês, Anamar pediu à mãe que o ouvisse. Maria Helena considerou que a filha canta muito bem no disco. embora, se fosse ela, "adoçasse" ainda mais aqui e ali. E se lhe perguntarem que tipo de música faz a filha? "Não é fado. Mas também é. Não é bem rock. É melhor ir lá ouvir. É com o coração que se ouve e com a alma que se entende".

FLORBELA, MÃE DE ANTÓNIO manuel RIBEIRO
"QUERIA ERA QUE ELE SE FORMASSE"

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Foi com as próprias mãos que António Ribeiro construiu a sua primeira guitarra. Foram meses investidos naqueles minuciosos trabalhos manuais. "Era serradura por todo o lado na casa. Um chiqueiro que não queiram saber", recorda a mãe, Florbela Alves, com "18 anos virados ao contrário", como prefere dizer. Montados os carrilhões, cordas e demais acessórios, o instrumento musical começa a produzir os primeiros acordes. "Ficou como uma guitarra de compra", afiança Florbela. É evidente a semelhança física de mãe e filho. Mas desde cedo António procurou escapar da proteção materna. "Ela tentou sempre fazer de mim um copinho de leite. E eu, de certa forma, fui. Mas passei a prevaricar, a fugir das suas ordens para me ir deitar, lanchar a horas ou estudar." Aos 16 anos, o crescente entusiasmo pela música leva-o a desviar-se do curso que os pais lhe tinham destinado: arquitetura.

Chumba por faltas. "Não queria estudar. Ficava as manhãs em Almada a olhar o Tejo com o nevoeiro a subir. Queria era música e poesia na minha vida." Em 1978 torna-se o guitarrista e vocalista da banda de rock português UHF. Dois anos depois o grupo já dividia o palco com a famosa banda punk rock norte-americana Ramones. Uma escolha feita à revelia dos pais. Tempos em que ser músico não era um bom augúrio.

"Não queria de todo que o meu filho fizesse vida da música. Desejava que se formasse na universidade.

Mas o que é que havia de fazer? Quando comecei a ver o meu filho a ter sucesso fiquei feliz." Florbela derrete-se sempre que vê o filho em palco. 'Rua do Carmo' e 'Cavalos de Corrida' são dois dos temas que não se cansa de ouvir. O seu marido, um senhor austero falecido há 13 anos, recebia sempre do filho os discos novos dos UHF. "Mas nunca comentou se gostava."