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Água, céu, estacas, vermelho, azul, quente e frio. As obras que Portugal vai apresentar na Bienal de Veneza

As esculturas de José Pedro Croft ocuparão até novembro o jardim da Villa Hériot

foto Daniel Malhão

As esculturas monumentais de José Pedro Croft, o artista que representará Portugal na Bienal de Veneza 2017, já estão montadas nos jardins da Villa Hériot, onde poderão ser vistas pelo público a partir da próxima quarta-feira, dia 10. O Expresso publica um portefólio inédito de fotografias da montagem das obras, que Daniel Malhão acompanhou e fotografou

Ana Soromenho (texto), Daniel Malhão (portefólio)

Água, céu, árvores. Estacas. Lagunas. Veneza. Vermelho, azul. Quente e frio. Espelho, reflexo, transparência. Pedaços de vidro e cor suspensos no ar, rasgando o espaço. Elementos que se desarticulam da paisagem, recortando-a e devolvendo ao espectador várias interrogações.

Este é o léxico que poderá servir de guia para acompanhar as seis peças que o artista plástico José Pedro Croft concebeu para a 57.ª Exposição Internacional de Arte Contemporânea da Bienal de Veneza 2017, que vai decorrer de 13 de maio a 26 de novembro, sob o tema Viva Arte Viva.

São seis esculturas, construídas em vidro e espelho, sustentadas por vigas de ferro e enquadradas por uma moldura, que vão estar expostas na Villa Hériot a partir de quarta-feira, dia 10 (os vários módulos da Bienal não abrem todos ao mesmo tempo). Cada uma mede oito metros de altura e pesa cerca de 1.700 quilos. São obras monumentais, que têm por título, no seu conjunto, “Medida Incerta”. Esta medida incerta, explica-nos o artista, “tem a ver com uma experiência única de escala e de relação com o espaço, sentida por cada espectador. A própria ideia de monumentalidade é quebrada pela componente de leveza que cada uma transporta.” A sensação de leveza é-nos dada pela aparente precariedade dos materiais em que foram concebidas, como o vidro.

tiago miranda

Foi a partir deste jogo de paradoxos que José Pedro Croft respondeu ao convite para participar numa das mais importantes bienais de arte do mundo. O contexto é Veneza. “Quando pensei nas peças que iria apresentar, parti da geografia desta cidade para a sua génese”, explica Croft. É então que surgem os elementos. Espelho e vidro, que nos dão a transparências das árvores, do céu e da água.

A água é o elemento desta cidade de vitrais e da arte do vidro, fronteira sublime entre o Ocidente e o Oriente, que foi arrancada ao lodo das lagunas e construída sobre estacas. Foi a este lado de esforço de construção e engenharia, “uma experiência quase de transcendência pela superação do homem sobre a adversidade”, que o escultor foi buscar a inspiração para o jogo de força e leveza dos materiais.

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