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#NovaGulbenkian

Luis Barra

Isabel Mota, a nova presidente da Fundação, quer renovar a casa equilibrando legado e modernidade

Os desígnios da Fundação Gulbenkian estão, pela primeira vez em 60 anos, nas mãos de uma mulher. Isabel Mota, há mais de duas décadas na casa, à qual conhece bem todos os cantos, tomou posse quarta-feira. E se a novidade começa por aí, avança pelos compromissos e pela agenda que a nova administradora promete cumprir sob ventos de mudança.

O futuro será a tónica dominante do seu mandato, que pretende construir sempre em equilíbrio entre o legado da fundação e as exigências da modernidade. “Para mim, este é o principal desígnio da fundação, antecipar o futuro e apostar na inovação, ajudando a preparar os cidadãos de amanhã”, diz Isabel Mota no discurso da sua tomada de posse, garantindo que a Gulbenkian se deve assumir “como agente de mudança, utilizando para esse efeito todos os recursos que tem ao seu dispor, financeiros e não financeiros, bem como toda a sua experiência acumulada”.

A administradora quer dar maior expressão ao papel mobilizador e mediador da casa por forma a contribuir para a solução dos grandes problemas de hoje. Esse trabalho faz-se, afirma, através da ousadia em trilhar novos caminhos. E são três os grandes desafios a que se propõe. Primeiro tenciona garantir que a Gulbenkian acompanha os novos tempos, antecipando as questões fundamentais que se apresentam no que respeita ao conhecimento, ao impacto da tecnologia na sociedade, e à manutenção da sustentabilidade. O segundo desafio prende-se com a capacidade de apoiar “os mais vulneráveis”, que deverão ser “os principais beneficiários” da ação daquela instituição. E o terceiro diz respeito à cultura e à sua importância, tal como tem vindo a ser tida em conta pela casa.

A coleção de Calouste

Com base nestes pressupostos, a intervenção da Gulbenkian quer-se com maior impacto e com nova abordagem política em campos como a coesão social, o conhecimento e a já falada sustentabilidade. A fundação, segundo Isabel Mota, deve afirmar-se “como impulsionadora da preparação das novas gerações e das novas lideranças nas diferentes áreas”. A cultura deve acentuar o seu papel cívico e as artes devem questionar e dar a compreender as diferentes épocas e civilizações, aqui “tirando partido do legado e coleção do fundador e da relação próxima com as comunidades arménias”, das quais Calouste Gulbenkian é natural.

A administradora que agora toma posse não prescinde de fazer da fundação um centro de reflexão e debate num quadro que abranja Portugal, a Europa e o mundo. E, ainda no âmbito da intervenção da instituição, pretende que a sua agenda “aumente a flexibilidade da organização no sentido de maior descentralização e transversalidade, baseada numa cultura interna de agilidade, responsabilidade e compromisso”.

Pela sua parte e no que respeita à administração, Isabel Mota promete “manter a liberdade de opção nos caminhos a seguir, mas com a consciência de que a prudência na gestão dos recursos exige sempre escolhas”. A primeira do seu mandato recai sobre Pedro Norton, o novo administrador-executivo designado por unanimidade na primeira reunião do conselho de administração por ela presidido e que teve lugar na passada quinta-feira.